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cruz-santiago

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Há uma lucidez invisível no ar

Passos procuram caminhos diversos

Indicadores apontam luas e sóis diferentes

(sois diferente?)

Moradas das chamas de amor

Não um pelo outro

mas pelo mundo

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Leste, Oeste

Norte, Sul

Pai, Mãe

Poder e Consciência

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No centro da Rosa dos Ventos

a Rosa, a lucidez

A consciência invisível

O sopro no ar

O sopro da Vida

 

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fadinha na lua

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Dorme em minha cama um homem sereno e profundo, silencioso e eterno.

 

De madrugada costuma levantar-se sem fazer um ruído sequer e escancara a janela de sua alma para que as estrelas o vejam e possam então conversar, divinos que são.

 

Uma noite dessas acordei com risinhos como se sussurros fossem e, quando ainda sonolenta quis saber o que acontecia, ele pediu-me para que adormecesse novamente, Estamos apenas recordando nossas travessuras infantis… 

 

Quando meus olhos já se fechavam, se entregando à viagem do sonho,  vi ao lado dele uma estrelinha azul sentada no beiral da janela a roubar-lhe um beijo.

Tomada pelo ciúmes quis  reagir mas então me lembrei de que ele apenas dorme em minha cama e que às vezes, com voz baixa e macia como convém aos anjos, canta para eu dormir.

 

 

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Não suporta meu pranto, mas me faz chorar.

De alegria, de tristeza, de pura emoção.

 

Não me abandona, mas me deixa só.

No silêncio eterno de um segundo, na desesperança de um olhar, no gesto impossível.

 

Não se descuida do meu rumo, mas me esquece.

Na cama, na rua, no balanço cadenciado da rede, em um canto de sofá.

 

Não suporta sentir saudade, mas se ausenta.

E volta só na lua cheia, nas pétalas da flor que ainda não se abriu, na estrela distante.

 

Não me aprisiona, mas me assalta.

Nos sonhos, na imaginação, nos devaneios.

 

E, no entanto, eu o invado e ele permite.

Minuciosa e cuidadosamente, em todos os seus segredos, em cada ponto, em cada contorno, esconderijos.

E ele se abre, quieto e abnegado, se entrega e suspira entre meus dedos, meus olhos, meus murmúrios.

Pouco falo com ele porque é ele quem conta tudo para mim.

 

O que importa mesmo é que nos amamos.

Muito, sempre.

Quando, por alguma razão, eu o acaricio ternamente, e sempre o faço, sinto-o como um pedaço de mim, minha luz, minhas descobertas, minhas fantasias, meu eterno querer sonhar.

Meu ar.

 

 

Te homenageio hoje e sempre, a cada emoção meu querido amigo, que me faz crescer e tentar entender outros universos, outras buscas, outras origens.

À você, meu amigo inseparável que atende pelo nome de LIVRO, meu amor eterno.

 

 

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Me encontravas, mãe querida, quando ainda pequena, de joelhos aos pés de minha cama a rezar.

Achavas bonito e terno, eu sei, e corrias a chamar e a pegar meu pai pelas mãos, para que ele visse também.

E juntos, à entrada do quarto, abraçavam-se enternecidos pelo meu gesto.

Quem sabe até agradeciam por aquele momento sublime, intimista, de elevação espiritual.

 

Mas o que não sabias, minha mãe, é que todas as noites eu pedia a Deus para morrer antes da senhora e meu pai, porque eu não suportaria, não suportaria tanta ausência.

 

Um dia, agoniada com essa possibilidade, fui me aconchegando ao vovô e contei-lhe da minha aflição, Estou errada, vovô, estou?

Ele olhou-me nos olhos com olhos de doçura e, com serenidade na voz e nos gestos, falou-me, O que você acha que é pior, um filho perder seus pais que já viveram uma parte de suas vidas,  ou os pais perderem esse filho que mamãe sentiu no ventre e que, junto, papai viu nascer e crescer a cada momento de sua vidinha?

A partir desse dia, minha mãe, não fiz mais meu pedido a Deus, embora deixasse claro a minha incapacidade de sobreviver.

 

Hoje, para mim, continua sendo a data de teu aniversário e com certeza, minha mãe, aonde eu estivesse, correria para teus braços, teu calor, teu beijo doce, teu riso contagiante, tua voz a dizer meu nome com carinho (ainda guardo em mim o timbre de tua voz…), para entregar-te esta flor da cor que tanto gostavas.

Com a mesma certeza, escreveria um cartão repleto de palavras de eterno amor, colocando dentro dele, mais uma vez, o que já era tua: minha razão de viver!

 

Deus não me ouviu, eu sei.

Talvez, enquanto eu ainda pedia, naquele horário já estivesse dormindo ou contando histórias para os anjos.

Sei também que hoje és um de seus anjos a me proteger e a todos os seus filhos, mas… o que faço, minha mãe, assim de mãos vazias, sentindo essa insuportável e insustentável saudade?

 

 

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Além de guardá-lo em mim, trago-te neste instante entre minhas mãos.

As palavras correm ligeiras pelas minhas retinas e os sentimentos afloram, as lembranças voltam tão claras e nítidas como se o trem da memória estivesse passando pelas estações, pelas paisagens campestres, sob as mesmas nuvens de um dia de uma viagem interior.

Tu estás comigo e me sorris e eu te agradeço aquele momento exato em que decidiste compartilhar tua alma com a humanidade.

 

Observando tua expressão, teu meigo sorriso, tua personalidade  presente nas curvas de tuas sobrancelhas, o aceno desenhado no ar por tuas mãos, sinto-o ao mesmo tempo que frágil, um gigante a se identificar, sem temor algum, em cada vírgula ausente, em cada aspereza necessária, em cada palavra repleta de verdade.

Sinto o homem coerente e preciso e, logo em outro instante, alguns parágrafos à frente, o menino… aquele a correr pelas ruas de Azinhaga, até chegar a alguma figueira e em sua sombra descansar, sorrindo das imagens desenhadas nas nuvens, a sentir o cheiro do mato misturado ao da saudade.

 

Trago-te em minhas mãos (e sempre estou mais perto de ti  quando se aproxima a data de teu aniversário – tu me atrais) e, em uma página de número qualquer, identifico-me tanto com tuas palavras, essas que fazem meu coração se agitar, como se minhas fossem (perdoe-me a ousadia…)

 

“Sou um camponês que se disfarça suficientemente bem para poder viver na cidade sem olharem muito para mim”.

 

Faz-me lembrar daquela que fui quando um dia da cidade do interior aqui cheguei e da que agora sou, vivendo em um mundo que nunca pensei.

 

Hoje, na véspera de teu aniversário, arrumo minhas malas para resgatar em mim, mais uma vez, essa que encontrei em tuas palavras… mas antes de ir quero aqui deixar a teus pés, aquela parte do meu coração, da minha razão e do meu amor, aquela parte que pulsa somente por aqueles que, como tu, dão sentido à minha vida.

Tu que trazes no nome, o nome de uma planta que serve de alimento para os pobres em tempos difíceis; tal como vivemos agora, digo eu, pobres da verdadeira cultura em tempos de valores distorcidos.

Aqueles poucos, como tu, eternos.

De tua aprendiz,

Isabel

 

 

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“Quando eu morrer… se pusessem uma lápide no lugar onde ficarei, poderia ser algo assim: “Aqui jaz, indignado, fulano de tal”. Indignado, claro, por duas razões: a primeira, por já não estar vivo, o que é um motivo bastante forte para indignar-se; e a segunda, mais séria, indignado por ter entrado num mundo injusto e ter saído de um mundo injusto.”  

                                                                            José Saramago

 

 

Nestes dias em que permaneci em completa incapacidade física, o que me restou de prazeroso, além de pouco me alimentar e muito repousar, foi ler bastante.

É verdade que dormi muitas vezes no meio das leituras, com palavras embalando minha alma em devaneios e só acordava quando o livro me caia das mãos.

Consigo ver o lado bom dessa quase inércia física, além da minha total vulnerabilidade; é que a febre traz consigo a alucinação e assim, meus pensamentos se apossam de meus sentidos; é quando me entrego toda aos sonhos mais impossíveis, aos desejos mais incontroláveis, a presenças eternamente invisíveis, a esperanças que se foram a cada final de estação.

Mas essa é outra história.

 

Nos meus momentos de lucidez, comecei a reler José Saramago e lembrei-me da data em que se foi para outras esferas, onde por certo continua com sua obra mágica, magnífica e instigante.

Sempre.

Deixo aqui a minha mais profunda saudade e uma pequena homenagem ainda que tardia.

Fui à minha micro-biblioteca e aleatoriamente peguei um livro dele, ou melhor, caiu-me às mãos o livro “As Palavras de Saramago” organizado e selecionado por Fernando Gómez Aguilera.

Lembrei-me do pensamento de Harold Bloom, crítico norte-americano, que diz  que “Saramago é um dos últimos titãs de um gênero literário que se está a desvanecer”.

Serve-me de consolo que, como a alma, as palavras também são eternas.

Efêmero é o corpo físico, mas a reflexão através de sábias palavras fortifica ainda mais o espírito, a mente, o caráter; diga-se de passagem, caráter este raro num tempo em que todas as virtudes morais estão, estas sim, se desvanecendo.

Sempre atento às injustiças da era moderna, vigilante das mais diversas causas sociais, Saramago não se cansava de investir, usando a arma que lhe coube usar: a palavra.

Gostaria de comentar uma citação que penso cair como luva à nossa realidade, neste exato ponto a que chegaram a dignidade e o respeito exercidos neste país de nome Brasil.

Na realidade, não quero comentar; as palavras falam por si mesmas.

Quero sim, convidar você para um reencontro com a inteligência e discernimento desse valiosíssimo ser humano e escritor, muitas vezes e por muitos, tão mal interpretado.

E mesmo que muitos continuem rezando o contrário, isso já não tem a menor relevância, porque a reflexão nos mostra como seus pensamentos continuam sendo atuais, vivos, verdadeiros, dignos e eternos.

Quisera poder dizer que o trecho que cito sirva apenas para este momento ruim pelo qual estamos passando, mas infelizmente ele se estende a perder de vista, de mãos dadas com nossos desencantos.

 

“Quando nós dizemos o bem, ou o mal… há uma série de pequenos satélites desses grandes planetas, e que são a pequena bondade, a pequena maldade, a pequena inveja, a pequena dedicação… No fundo é disso que se faz a vida das pessoas, ou seja, de fraquezas, de debilidades… Por outro lado, para as pessoas para quem isto tem alguma importância, é importante ter como regra fundamental de vida não fazer mal a outrem. A partir do momento em que tenhamos a preocupação de respeitar essa simples regra de convivência humana, não vale a pena perdermo-nos em grandes filosofias sobre o bem e sobre o mal. “Não faças aos outros o que não queres que te façam a ti” parece um ponto de vista egoísta, mas é o único do gênero por onde se chega não ao egoísmo, mas à relação humana.

Sustento que, quando descobrirmos o outro, nesse mesmo instante descobrimos a nós mesmos, algumas vezes no melhor, outras no pior, quando tentamos dominá-lo. Se chegarmos a uma relação com o outro em que a condição principal seja respeitar suas diferenças e não tentar sufocá-las para fazê-lo como a gente, então aparecerá em nós o positivo. Todos têm o direito a um lugar na Terra, não há motivo para que eu, pelo fato de ser branco, católico, louro, índio, negro, amarelo, seja superior. Não podemos nos dar ao luxo de ignorar que o respeito humano é a primeira condição de “convivialidade”.

Cada vez se torna mais claro, para mim, que a ética deve dominar a razão.

Se a ética não governar a razão, a razão desprezará a ética.”

 

 

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Final de tarde.

Sol de outono.

Escuto músicas do passado tão presentes na minha pele.

É como se o teu olhar ainda pairasse no ar, diante do meu olhar, embora não saibas que já me olhou dessa maneira…

Mergulhando no invisível, toco teu rosto.

Como a retribuir o carinho, de uma forma doce sinto tua boca a beijar minha boca, embora também não saibas que um dia me beijou assim…

Não sabes tantas coisas que sonho…

E as palavras da canção vão entrando por meus poros, meus nervos e nos sonhos que só acontecem em mim.

E vou me lembrando de como eu era quando a ouvia há tempos atrás.

O que mudou, pergunto a mim.

Mudaram algumas marcas no rosto, alguns sinais onde havia um riso largo na boca, mudou a intensidade da luz que ainda me habita.

Mas os sentimentos são os mesmos.

E o inatingível continua sendo atingido apenas em sonho.

A canção te trouxe mais uma vez em suas asas de sons e, sentindo-o tão presente, é necessário que eu me tranque em meus sonhos para te sentir mais perto, bem perto, bem mais perto, para ouvir tua respiração, sentir teu calor, habitar o teu silêncio.

Quando acordo já é noite.

Está frio, preciso entrar.

Mas… como preciso entrar se até agora estava caminhando dentro de mim mesma?

E Joanna canta “aonde foi que eu perdi o teu sorriso e trouxe pros meus dias a saudade… o que será que posso mas não faço e deixo me morrer em agonia…” 

Em um derradeiro aceno, olho para as poucas estrelas visíveis no céu e confio um segredo ao meu coração: os sentimentos ainda são os mesmos.

Amo-te!

 

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