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Violeta

 

 

Hoje vi uma violeta chorar.

Meu coração ficou apertado pelo seu sofrer.

Já não parecia uma violeta e sim, um passarinho sem rumo, a estranhar seu próprio ninho.

 

Entre uma lágrima e outra, ouvi seu pipilar de dor, pela ingratidão de alguma palavra mal colocada, quando às vezes as pessoas pecam tanto por falar antes de escutar.

Tentei abrandar seu ferimento com outras palavras e com o cuidado que devemos ter com as flores do jardim de nossas vidas.

 

Quando a deixei, Violeta não era mais um passarinho; já havia retomado sua condição de violeta, bonita, iluminada e vívida com sua sabedoria adquirida através de sorrisos e também alguns espinhos.

 

Mas… – alguém me diria – violeta não tem espinhos!!!

Ao que eu responderia, É por isso que Violeta, depois de lavar seu rosto e tomar uma água fresca e límpida, consegue desenhar um lindo sorriso no rosto, voltando a brilhar.

 

 

Escrevi estas palavras para minha mais nova amiga, Violeta Inês Pinto de Oliveira, uma pessoa que vou conhecendo aos poucos, mas que sinto trazer no coração tanta bondade, delicadeza e alegria de viver.

E o tempo não é nada quando comparado ao que recebo de algumas pessoas como ela.

 

 

 

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Fecho os olhos, respiro profundamente e vislumbro os teus cômodos mais íntimos.

Aquele onde teus vestidos luxuosos permanecem estáticos.

Aquele onde teus sapatos se calam sem caminhos.

Aquele onde tuas jóias adormeceram em caixas silenciosas de veludo.

Aquele onde um espelho de parede inteira não mais reflete tua imagem.

Aquele onde um batom permanece aberto, como se fora usado a pouco, acenando o inacabado.

Nada se move, silêncio profundo, penumbra.

 

Necessitando de ar, permito-me correr as cortinas do quarto e abrir aquela porta que dá para o jardim, onde pássaros e flores seguem o curso natural da vida.

É quando os cômodos são invadidos primeiro pela brisa e depois pelo sol e essa lufada de vento e luz me faz constatar que realmente é primavera e que estamos na presença uma da outra.

Sei que estás ali, com teu riso farto, tua naturalidade, tua espada de guerreira nas mãos, tuas palavras doces e tua vontade tão grande de viver.

 

Em uma entrevista me fizeste lembrar, o que me sensibilizou, um dos escritores que tanto amo, José Saramago,  quando falaste “não tenho medo de morrer, mas tenho uma peninha… adoro conviver com as pessoas, meus cachorros, meu trabalho, conhecer lugares.”

 

Tão forte tua presença que cheguei a ouvir tua risada e a sentir, mais uma vez, a imensidão da tua luz, a distância que um simples gesto teu pôde alcançar, o pedaço de teu coração que entregavas junto a cada carinho.

 

Então me certifiquei de que teus cômodos mais íntimos não foram os que de imediato vislumbrei, porque não importa o que tenhas deixado pelos cômodos de tua casa e sim, o que guardavas em teu coração e transbordava em tuas emoções: Vida!

Sem medo de críticas, julgamentos, rótulos, sem receio de nada, porque o que expunhas era autêntico, tua alma rara.

 

Cerro as cortinas e antes de deixar esta visão, coloco uma rosa, a que mais gostavas, em teu travesseiro, certa de que a receberás aonde quer que brilhes agora.

Querias apenas ser feliz, Hebe Camargo, e assim o foi.

Linda de ver, Linda de viver!

 

  A vida é tão bonita e eu tenho tanta pena de morrer”

José Saramago

 

 

 

 

 

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