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Posts Tagged ‘fuga’

Renovação

 

A noite passada

não é hoje

 

Sabes para onde estás indo

ou apenas voas

para fugir do desconhecido?

 

Considere os pássaros

eles sabem para onde estão indo

ou apenas voam sem rumo?

 

Sentes que não há nada a aprender

a procurar

não há mais nada a viver?

 

Voar tão alto, sem propósito

morrer congelado

onde já não há calor, nem luz

 

Não lute contra tuas asas

aceite teu dom

e faça dele tua mágica de ser

 

Entre um amanhecer e outro

há descobertas

que ainda te farão sair do chão

 

 

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 .

 

Foi então que Raquel resolveu definitivamente fugir.

Digo definitivamente porque já havia ameaçado fazê-lo por diversas vezes, faltando-lhe a atitude final.

Agora não, era para valer.

 

Para que não percebessem de imediato sua ausência, levou apenas uma pequena bolsa onde guardou aquele livro inseparável de poemas, uma fita para amarrar seus cabelos, um óculos de sol, outro de leitura e, uma hortênsia do seu jardim que insistia em fazer-lhe companhia.

 

Fora isso, os sapatos nos pés, as roupas no corpo e um enorme chapéu na cabeça para, caso chovesse, dar abrigo aos passarinhos.

Na mão direita um bloco e uma caneta de tinta violeta: na esquerda, um mapa que, a bem da verdade, de nada ser-lhe-ia útil, porque a ideia era a de não traçar mais rumos algum.

 

Raquel não deixou bilhete a ninguém, mas fez uma anotação bem falsa na agenda que deixou aberta em cima da cama, para enganar a quem lesse, do destino que tomou.

 

Não apagou a luz; já bastava ter vivido no escuro por tanto tempo.

Não levou nada para o trajeto porque pretendia continuar alimentando-se somente de sonhos.

 

Antes de sumir de vista, Raquel virou-se para trás e fez seu primeiro e último gesto grosseiro a tudo e a todos, mesmo sem que a vissem.

Depois virou a esquina e, num salto mortal, pulou para fora do planeta para nunca mais.

 

 

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Ternura

 

Ultimamente minha alma tem fugido de mim
corre para ti

 

Não para atirar-se em teus braços
beijar tua boca
colar-se ao teu corpo

 

Simplesmente fugindo de mim
corre para ti

 

E mesmo que te encontre
triste e ferido
quer embalá-lo nos braços
quer cantar a mais suave canção
para que possas acreditar
que ainda há ternura

 

Que os homens não são feitos apenas de barro
engrenagens de ferro
e estupidez

 

Minha alma fugidia
quer acariciar teu rosto
beijar teus olhos
até que durmas e sonhes
para  que depois acordes e sintas
que falar de amor ainda é possível
sentir emoções ainda é possível

 

Ainda é possível mostrar-se
sem que alguém faça de ti
ave branca e frágil
de mira de alvo

 

Ainda é possível abrir a camisa ao vento
molhar-se em uma chuva imprevista
como imprevisto é o sol
e a vontade de viver

 

Mas minha alma quando foge
não te encontra
não descobre teu esconderijo

 

São dois a vagar na hora última
tu, escondido atrás de tua dor
minha alma, atrás de ti
porque é para ti
somente para ti
esta ternura

 

 

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