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Posts Tagged ‘gangorra’

 

Estou indo ao encontro da Natureza, respirar ar puro, ouvir pássaros.

Poder, no final da tarde, sentar-me na escadinha do quiosque e assistir a mais um por do sol.

Com o coração pulsando amor e saudade.

 

Saudade da infância, dos aniversários alegres, dos infindos dias das crianças tão esperados e tão mágicos…

 

Lembrei-me então de uma passagem perto dessa data que minha irmã Rosa jura, de dedos cruzados nos lábios, que fui eu quem causou o episódio que logo mais vou contar, e eu, por minha vez, juro de pés juntos que foi ela a dar a cartada decisiva.

E assim estamos a jurar por todo o sempre.

Quantos anos tínhamos? Talvez 8, 10 anos.

 

Certo dia, no intervalo da aula, quando descíamos para o recreio da manhã, uma amiguinha nossa (que já não me lembro o nome), querendo contar vantagem para cima de nós… O quintal da minha casa é enorme!

A Rosa respondeu de imediato, O nosso vai até quase o outro lado do quarteirão!!

 

A menina sentindo que não surtira efeito algum… No meu quintal há vários balanços, um para cada irmão!

Então rebati, Além de balanços (que havia mesmo), no nosso quintal há gangorras para todos nós!!

É isso mesmo!, reforçava a Rosa.

 

Ela não se deu por vencida e irritada… Mas no meio do meu quintal há um enorme escorregador!!!!!

Minha irmã, indignada, não querendo que perdêssemos a “causa”, não vacilou um segundo, Isso não é nada! No nosso quintal há uma roda gigante!!

 

A menina arregalou os olhos e eu fiquei sem fala.

Uma roda gigante igual a essas de parque?

Igualzinha, não é Isabel?

Eu não conseguia falar, apenas balançava a cabeça.

O sinal de volta a aula nos salvou.

Saí correndo, mas com tempo de ver o ar triunfante de minha irmã e o assombro de nossa amiguinha.

 

O tempo passou e chegou o dia das crianças.

Estávamos brincando no quintal quando alguém nos avisou que havia algumas meninas nos chamando no portão.

Era nossa amiguinha acompanhada de um comitê de meninas do colégio.

Ficamos surpresas, mas descemos as escadas para recebê-las.

Oi, Rosa! viemos ver sua roda gigante! podemos andar nela?

Nós duas trocamos um rápido e sutil olhar e, pela primeira vez, vi a Rosa em apuros, sem uma resposta a dar.

Senti que não poderia deixá-la na mão, Ah!… que pena!!! meu pai mandou retirar ontem para consertar e não chegou até agora, disse eu sem gaguejar.

Todas ficaram decepcionadas, arrasadas mesmo e foram embora.

Nem lembraram das gangorras, pensei eu aliviada.

 

Passaram alguns dias e a menina… Rosa, a roda gigante já voltou?

Ela, fingindo a maior naturalidade, Ainda não; acho que meu pai vai devolver, não tem conserto… 

Essa é a versão de minha memória.

Essa é uma das deliciosas recordações que tenho de um dia das crianças, quando éramos felizes e sabíamos.

 

 

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