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ofertorio

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Mais um ciclo religioso se completa, culminando com a comemoração do aniversário de um dos maiores avatares conhecido (pelo menos de nome) pela humanidade.

Digo religioso porque há vários ciclos que se sucedem em nossas vidas, constantemente, mas parece que nos lembramos somente daqueles instituídos social e religiosamente.

 

Não quero me estender citando detalhes de ciclos lunares, solar e das modificações / estações que a Natureza nos oferece.

 

Há também o ciclo temporal e é neste que quero me deter embora, em princípio, todos os outros estejam inseridos nele.

Mas quero ir mais fundo do que simplesmente falar em semanas, dias, horas, minutos.

 

Sempre me pergunto porque é que comemoramos datas,estações,passagens de ano e mesmo natais, e não comemoramos cada segundo de nossas existências.

Sinto que são nesses segundos que vamos construindo a razão da vida, cada um com suas virtudes (todos temos pelo menos uma) e com defeitos que vão nos fazendo crescer, quando com eles aprendemos a lição do momento.

 

Por que somos tão superficiais e banais com nossas próprias vidas, esse presente que cada um de nós recebeu, constante e pulsante, construído de nossas vontades, tristezas, alegrias, descobertas, prazeres, satisfações, decepções, aceitações e, principalmente, de nossos sonhos?…

Penso que esse é o maior presente, porque é no exato instante em que o recebemos que nos é dada a oportunidade única de nos conhecermos,nos desconhecermos,nos surpreendermos,nos encontrarmos e desencontrarmos dos nossos próprios sentimentos, do outro, do que ainda é velado mas que em algum momento será desvendado.

E, no entanto, nos preocupamos com presentes envoltos em laços brilhantes, grandes, coloridos; nos preocupamos em enfeitar a casa com guirlandas, imagens, luzes e músicas festivas.

 

Por que enlouquecemos nessas épocas do ano (natal, ano novo, carnaval) e nos esquecemos de comemorar a vida enquanto nos é possível?

 

Por que comemoramos o ano novo se ele pode ser renovado, redescoberto a cada segundo de nossa existência?

 

Por que esperar a data do aniversário, se aniversariamos a cada segundo de alegria, mesmo que dure apenas esse segundo?

 

É muito bom presentear os outros, mas será esta a única forma de expressarmos nosso carinho? será que amar as pessoas já não basta mais?

 

O que fazemos com o que aprendemos a todo instante, se não aplicá-los implica na ausência de uma razão para ser?

É isso: a vida não tem razão de ser se deixarmos apenas o tempo escorrer entre os dedos e os dias do calendário e nos preocuparmos somente com o aparente querer, o aparente amar, o aparente doar, o aparente ter e, o pior, o aparente ser.

 

Neste ponto quero abrir um parênteses e falar do amor que sinto pelos verdadeiros poetas, simplesmente porque se expõem e se entregam, às vezes até com medo de se descobrirem para depois se encontrarem em si mesmos, instante a instante, mesmo que em seguida se percam na primeira esquina.

Sabem da magia (e como sabem!) do instante seguinte, onde novamente se encontrarão e permitir-se-ão sonhar com a vida que vão tecendo, verso a verso, vivendo assim plenamente cada momento.

Alguém já disse que o poeta não tem medo de sofrer; seu único medo é o de não viver.

 

Precisamos (e eu me incluo) aprender a comemorar a vida de forma a que sejamos dignos de tê-la recebido e, se pretendemos comemorar algumas datas, que possamos nos entregar ao seu verdadeiro significado, à sua essência, à sua razão de ser.

Agradeça o presente que recebeu, neste Natal e em todos os segundos de sua existência!

 

 

Nota: Parto de viagem e retornarei a este blog em janeiro.

Nesse meio tempo estarei vivendo o que me cabe, como costuma dizer um grande ser humano e poeta.

 

 

 

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