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Posts Tagged ‘involução’

Ultimamente tenho pensado muito na servidão humana.

Em 13 de maio pensei em relembrar, com algum texto, essa data.

Não consegui.

A idéia de que é apenas uma data, vem sendo reforçada, a cada dia, pelos fatos que vêm ocorrendo no tempo.

À época da escravidão nada era possível pensar, idealizar e muito menos realizar.

A palavra de ordem era Executar.

À época da libertação, parecia possível respirar, enfim, novas perspectivas, novos rumos.

Mas a palavra de ordem passou a ser Preconceito.

Na época atual, a da tecnologia de ponta, da informação globalizada, do poder aquisitivo mais estável (?), são necessárias leis para que estudantes negros possam cursar universidades; são necessárias leis para que subalternos sejam protegidos do assédio moral dos patrões; são necessárias leis para que as donas de casa não precisem se submeter ao jugo desvairado dos maridos violentos e viciados; são necessárias leis penais para as mães que abandonam seus filhos recém nascidos em latas de lixo; são necessárias leis para que pessoas possam ser respeitadas por suas opções sexuais e crenças religiosas.

Não sei qual palavra de ordem utilizar para estes tempos.

Se o Brasil foi colonizado em 1.500 trazendo escravos em sua bagagem, hoje, 2012, portanto 512 anos após, em que segmento é possível encaixar a palavra Evolução.

Nossos grilhões, hoje, são a inveja, o egoísmo, o orgulho, o desrespeito, a calúnia, a prepotência que não causam mais feridas no corpo, mas na alma.

Somos cegos perambulando na escuridão da nossa pequenez, marcando passo como soldados de chumbo que fazem muito barulho ao marcharem mas que não saem do lugar, com um monstruoso comandante em exercício que está sempre a ordenar, Ordinário! recuar, recuar, recuar…

Por isso me calei nessa data, com um sentimento profundo de pena de nós mesmos.

 

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Meu coração é um coração de criança.

Espera o Natal, quer estar envolvido de sorrisos, luzes, sons.

Quer sentir o silêncio mágico coberto com o manto de neblina da madrugada, as noites de chuva, os dias alegres de sol!

 

Mas… porque será que meu coração não está a sentir essas maravilhas…

 

Enquanto exponho a condição do meu coração, ouço ao longe crianças rindo e brincando e lembro-me de minha mãe que dizia Brincadeira de mão sempre acaba em choro.. estou avisando!

Sorrio com a lembrança e sinto que meu coração sobressalta-se em ainda poder ouvir o riso espontâneo de crianças que, despreocupadas, divertem-se em viver.

 

Este ano pensei em enfeitar minha casa de forma diferente, mas demorei tanto para montar meu presépio; até o fotografei para colocar neste texto…

 

Faltava-me ânimo, vontade de mudar a aparência das coisas…

Sim, um mudar de aparências porque os sentimentos são vários e profundos, parece que eternos, não saram nunca!

 

Imaginei uma árvore de Natal diferente, mais simples, mais real… nem assim me animei.

Meu coração está se encolhendo, com vergonha de mim mesma, por pertencer a uma raça predadora, cruel, perversa, que gera fome, doenças, miséria, angústia, morte, violências sem precedentes…

 

Uma raça enlouquecida que, como se não bastasse matar a si mesma, resolveu aniquilar animaizinhos, criaturas inocentes e amorosas.

E tudo em nome de absolutamente nada que justifique tamanho horror.

Se olhasse no espelho veria quanto ódio e amargura existem em suas atitudes, em sua irracionalidade.

 

Então resolvi deixar aqui, para todos, não a fotografia do meu presépio, mas um abraço de AMOR e PAZ que só as criaturas sensíveis, amorosas, puras são capazes de sentir e retribuir.

O AMOR que Jesus, o aniversariante, nos ensinou com tanto cuidado e carinho.

A PAZ que o ser dito humano se esqueceu de verdadeiramente buscar; achou mais fácil camuflá-la em papéis coloridos, fitas, bolas, presentes, canções, que têm a duração de um mês e nada mais.

 

Sinto que neste Natal minha criança voou para muito longe, nas asas de uma borboleta ou de seu anjo guardião, talvez procurando refúgio nos braços de seus pais.

Ficou aqui a face adulta que, sem encantos, impregnada de saudade e com poucas esperanças, prefere homenagear o amor incondicional dos animais, esse amor verdadeiro que estamos muito aquém de viver.

Talvez ocorrendo um retrocesso profundo, o homem consiga novamente atingir a condição de primata e reconhecer em si mesmo a essência do amor.

 

 

 

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