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Posts Tagged ‘justiça’

Socorro!

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Depois que os três metralhas ardilosamente arrumaram cada qual uma desculpa para cumprirem as penas impostas pela justiça deste país, de forma a que possam continuar sentindo o gostinho da impunidade, deixo aqui o meu pedido de socorro:  se alguém souber de um bom advogado (mas um bom advogado mesmo! desses que sempre ganham qualquer tipo de causa) que possa trancafiar-me em uma cela, favor avisar-me.

Pelo menos, estando lá dentro, ninguém será obrigado a se deparar com a minha indignação, constrangimento e rubor, o que me será favorável também (até que enfim alguma coisa favorável!), pois ficarei anos luz distante dessa quadrilha.

Apenas uma condição: não aceito visita de nenhum senador.

 

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Atlantis.

Os jornais já esgotaram o assunto.

Internet e tv’s mostraram opiniões à respeito.

Ouvimos, vimos e lemos à exaustão.

Faço uma força titânica para também não bater nessa tecla que está gasta, suja, quebrada.

Mas como silenciar minha indignidade? como arrancar de meu peito esse sentimento que me invade?

Como não desejar o fim dos tempos se todos os valores escoam ralo abaixo, sem o menor cuidado?

Como viver em paz, se minha consciência grita em meus ouvidos, todo o tempo, essa desfaçatez que cresce em progressão geométrica, tomando um vulto incontrolável?

Como me harmonizar com a atualidade, se tudo o que está fazendo história nesses tempos é justamente o oposto do que trago em mim?

Minha alma chora e eu não sei como fazer para estancar esse pranto dolorido…

 

Tenho feito um estudo intenso e profundo sobre a existência e posterior desaparecimento dos continentes de Lemúria e Atlântida.

Surpreendo-me e também me assusto com a conduta insana dos grandes líderes daquela época; da chance que tiveram em resgatar os ensinamentos de quem os precedeu; da terra fértil que possuíram; das máquinas que criaram (algumas delas atribuídas ao nosso século); das potências intelectuais que demonstraram conhecer; dos poderes de comunicação e transporte mental que desenvolveram e, o mais grave porém de uma coerência terrível, que a América do Sul é o berço dessa etnia ariana…

 

Alguém menos avisado me diria, Não me diga que você acredita mesmo que esses continentes existiram!?!

Ao que penso de imediato, Será que alguém, no futuro,  acreditaria que existiu um continente, ou melhor, um país rico em solo, em clima, com vasta fauna e flora, água em abundância… será que alguém ousaria acreditar que, com todos esses recursos naturais a etnia que ali habitou aniquilou a si mesma em nome da ambição, do podre poder, da ganância, da luxúria, da impunidade, da decadência e da imoralidade?

O quê ou quem abriu a porta desse inferno, permitindo que tudo emergisse?

Foi esse desprezível e surreal pensamento que tive, enquanto ouvia a notícia daquela mulher que mandou o irmão matar o marido, aquela que foi condenada a vinte e dois anos de cadeia, mas que vai responder em liberdade.

Automaticamente tento associar a justiça deste país a um animal: penso na tartaruga, mas ela não corresponde à rapidez com que a justiça vem resolvendo os processos.

Veio-me então à mente o bicho perfeito: a lesma, lennnnnnntaaaaaaa, rastejante e gosmenta, deixando seu rastro de brilho ilusório e de impunidade por todos os lugares onde passa.

 

Os fatos fazem com que eu bata de frente com tudo o que tenho tentado aprender e aplicar à minha vida e confesso que fico extremamente constrangida em admitir que somente um pensamento me invade; o de querer que tudo afunde de uma vez.

 

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cara_fantasma11

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Fugi para o sítio.

Queria ficar longe desta lama que cada vez mais se avoluma debaixo de nossos pés.

Pensei que se lá eu passasse alguns dias, conseguiria ouvir meu coração falando sentimentos que, no meio desta borbulhante loucura, não consigo mais ouvir.

Mas foi pura ilusão, ingenuidade, bobagens da minha cabeça.

A lama também foi grudada nos pneus do carro, nos sapatos, nos assombros, na pele.

Na primeira noite desmaiei quando me deitei, de tão estressada que estava.

Da segunda noite em diante, não dormi mais.

Como me entregar ao voo dos pássaros, ao som da mata, à serenidade do rio, ao namoro dos sapos à noite na beira da lagoa repleta de pirilampos, ao encantamento de um céu estrelado como sorrisos de mil anjos, ao perfume das flores… como?

O que invade minha mente é o cheiro da lama, são as faces de gestos corruptos que constroem esta fétida podridão.

Os fantasmas me assaltam, são mais fortes que a própria Natureza que me cerca.

O fantasma blindado de Rosemary Noronha, que mostra em seu sorriso o orgulho desavergonhado de ter sido o que nunca será: uma rainha de verdadeira classe, educação, delicadeza e dignidade.

O fantasma em prisão domiciliar de Sérgio Gadelha, pego em flagrante pelo assassinato brutal de Hiromi Sato.

O fantasma do homem de Goiás, que deu dois tiros (um na cabeça e outro na perna) de uma menina de onze anos que correu em defesa do pai (ambos com passagens na polícia) e que, depois de ter alegado legítima defesa, foi posto em liberdade.

Os fantasmas dos delinquentes, vândalos que atearam fogo à dentista Cinthya Magaly Moutinho de Souza, só porque essa mulher batalhadora tinha apenas trinta reais em sua conta bancária.

Os fantasmas dos réus e componentes (não posso escrever o substantivo que acho cabível) do PT, querendo passar por cima da Constituição, pretendendo um poder maior que o do Supremo Tribunal da Justiça; acho que desconhecem o significado de tudo o que diz respeito à ética, moral e honra.

Penso que, se convocado, nem Odin daria conta de tanta prepotência divinizada, sim, pelos fanáticos que ainda não conseguiram enxergar um palmo à frente de seus narizes.

O fantasma do imposto de renda que nunca vemos sua aplicabilidade, como com todos os outros impostos.

Meu afilhadinho convidou-me para assistir O Home de Ferro 3, em 3D, mas fiquei com medo de identificar algumas figuras blindadas vindo em minha direção, como acontece todos os dias, todos os dias, todos os dias, sem falhar um.

Assim encerramos o mês de abril, um mês que guardo como especial para mim, em que me sinto em completa comunhão com a Natureza.

E me pergunto, O que nos aguarda o mês de maio?

Faço apenas um apelo, Por favor, encarcerem-me em algum lugar possível; não quero mais ficar chafurdando nesta lama.

Preciso de sol e alguns sonhos, senão sei que meu coração vai desistir.

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Lei nº 3.353  de 13 de Maio de 1888

Declara extinta a escravidão no Brasil

Brasil sem escravos

O que machuca mais, o chicote de um feitor ou a instituição de cotas nas universidades, senão de outra forma os negros nunca conseguiriam, em pleno século XXI, cursar um nível superior.

O que é que faz mal, comer angu (componente da lavagem de porcos) ou consumir drogas, descriminalizadas ou não.

O que é mais desconfortável, dormir no chão duro e frio, correndo o risco de pegar pneumonia e até morrer ou deitar à sombra dos corruptos poderosos defendendo somente o seu.

 

Brasil sem escravos

O que pensar dos que se intitulam deuses, esses que querem invadir os lares vomitando (perdão da palavra) regras de bem educar os filhos, se não conseguem sequer levar a julgamento crimes passionais hediondos, fazendo valer a justiça.

Uma dúvida: a lei da palmada vale para os que consomem drogas em casa?

 

Brasil sem escravos

Onde a imprensa vive ameaçada por um cala a boca dos demagogos que se dizem democráticos, livres pensadores.

 

Se alguém souber, por favor me diga aonde fica esse Brasil que zela pela  liberdade dos negros, dos homens honestos,das mulheres,dos  trabalhadores identificados e valorizados por seus trabalhos e não simplesmente por sigla partidária.

 Onde fica esse tal de Brasil liberto, esse reino encantado onde é possível se sair a pé ou de vidros do carro abaixados, a qualquer hora do dia ou da noite, sem risco algum de ser assaltado, baleado e morto?

Onde fica esse país que não aprisiona seus cidadãos em seus próprios lares, onde ninguém é espancado e queimado nas ruas mal iluminadas e sem policiamento, em completo abandono?

 

E tantas outras indagações que poderiam figurar neste texto…

 

Estendendo a extinção da escravidão ao âmbito mundial, vivo me questionando em que momento a humanidade perdeu sua liberdade, no sentido mais elevado de sua expressão, ceifando o rumo da sua própria história; em que século, em que milênio.

Em que momento perdeu sua excelência, tornando-se um anjo caído a querer resolver tudo na ponta de uma lança de fogo?

Será que foi na purificação da raça ariana executada por Hitler e seus pares?

Será que foi no dia 13 de maio de 1981 quando o papa João Paulo II comemorava a visão de Nossa Senhora pelos três pastorinhos na Cova da Iria, perto de Fátima-Portugal (13 de maio de 1917) e sofreu aquele atentado na Praça de São Pedro, no Vaticano?

Será que foi no momento em que prenderam e torturaram Mandela?

Será que foi no momento em que detonaram as torres gêmeas?

Ou será que nós humanos, ditos racionais, sucumbimos lá bem atrás e estamos apenas brincando de sobreviventes quando, na dura e fria verdade, estamos mais enterrados e apodrecidos do que fósseis pré-históricos?

Apesar do documento ilustrativo acima ser a prova cabal da sanção da abolição no Brasil, prefiro não comemorar nada, ou melhor, não há razão para esta comemoração.

Como um náufrago querendo  apoiar-se em alguma tábua para não sucumbir, guardo como lembrança nesta data apenas o nascimento do poeta Raimundo Corrêa, nada mais.

Prefiro ignorar o resto, porque esse país que se mostra agrilhoado a mazelas e perversidades morais não é o país que eu amo; esse que se vê está moldado em uma máscara de horror, fazendo com que sua imagem seja a de um pobre, mesquinho, mentiroso, vil e escravo Brasil.

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Dia da Justitia

Justitia (ou Iustitia), nome da antiga deusa da Justiça da mitologia romana.

A deusa deveria estar em pé durante a exposição do Direito (jus), enquanto o fiel (ligueta da balança indicadora de equilíbrio) deveria ficar no meio, completamente na vertical, direito (directum).

Dessa forma, os romanos pretendiam atingir a prudentia,   isto é, o equilíbrio entre o abstrato (o ideal) e o concreto (a prática).

 Diferente da deusa grega correspondente, Dice (ou Diké), que empunhava uma espada representando a imposição da justiça pela força (iudicare), a deusa romana preferia o jus-dicere, atitude em que a balança era empunhada com as duas mãos, sem a espada, ou com ela em posição de descanso, podendo ser utilizada se necessário.

Enquanto leio essas informações, fico refletindo sobre o fiel da balança deste país, onde o desequilíbrio é desmoralizante e total, onde a prática da corrupção está muito, mas muito aquém do ideal de dignidade.

Concreto? Abstrato? Isso é conversa de psicólogo, filósofo, sociólogo, companheiro! – diria alguém.

É mais fácil usar um par de meias (que é concreto, prático) bem mais folgado que os pés, para qualquer eventualidade, mesmo que não corresponda ao ideal (ou abstrato).

Pois não é que hoje, 8 de janeiro, comemora-se o Dia da Justitia?

Dizem que a venda nos olhos da deusa simboliza a imparcialidade mas, neste país acho que é cegueira mesmo.

Se não me falha a memória, a representação dessa deusa lá, naquela cidade entregue ao deus dará, além de estar hermeticamente vendada, está sentada (cansada talvez?) e sem a balança nas mãos.

Se não fosse por sua espada em repouso absoluto no colo, diria que ela é a imagem não da deusa romana, mas da grega.

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