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Posts Tagged ‘lembrança’

 

Hoje seria o aniversário de minha mãe.

Há tanto a se dizer sobre esse anjo que ainda me protege, mas o farei em outra oportunidade, porque hoje, minha Lindinha, quero dar-te tres presentes: um grande e doce beijo, esta rosa da cor que tanto gostavas e  esta lembrança que veio-me à memória , de uma de suas comemorações.

 

Mamãe havia convidado suas amigas, vizinhas e cunhadas para um belo lanche da tarde e, para recebê-las bem, encomendou junto à confeiteira, bolo, balas, salgadinhos e docinhos.

Como os docinhos ficaram prontos logo pela manhã, mamãe colocou as bandejas dentro de uma cristaleira, trancando sua porta.

 

É nesse ponto que entramos, meus irmãos e eu, em cena.

Minha irmã Rosa entrou na sala e, passando pela cristaleira, espichou um olhar comprido para aqueles docinhos, expostos como se numa vitrine.

Chamou a mim e a Margarida e lá estávamos nós tres cheias de vontade…

Daqui a pouco veio o Assis e o João, curiosos em saber o que tanto olhávamos… e  aqueles docinhos como que acenando para nós.

 

Não sei quem foi o espírito de porco que sugeriu forçar a porta e aproveitar a ida da mamãe ao cabeleireiro, para cair de boca nos docinhos, certificando-nos antes, se o papai havia mesmo saído para comprar as bebidas.

 

Éramos pequenos, mas já sabíamos muito bem o que era certo ou errado.

Mesmo assim, o Assis arrombou a porta com uma chave de fenda do papai.

 

Pegamos a bandeja maior, de brigadeiro e olho de sogra e já estávamos escapando para o quintal, quando a babá apareceu e falou que iria telefonar para a mamãe.

A Rosa, como a mais velha dentre nós, sentiu-se na obrigação de resolver essa parada, que estava tomando rumos indesejáveis; afinal, não havíamos comido nada ainda!

 

Enquanto a babá esbravejava, a Rosa pegou dois enormes brigadeiros e enfiou-os na boca da Mercedes (acho que era esse o seu nome); Agora você não poderá falar nada, senão eu conto que você também comeu, disse a Rosa.

E a Mercedes ficou ali, parada, sem reação, tentando mastigar os brigadeiros. Lurdes, a cozinheira e também irmã da Mercedes, foi logo socorrê-la ao notar que ela nem conseguia falar.

 

O quintal de casa era imenso, muitas flores e plantas, muitas árvores e frutos e nós escolhemos ficar escondidos atrás do canavial.

Agachados para que ninguém soubesse do nosso paradeiro, gulosamente comemos tudo em minutos, rindo e nos lambuzando como se fôssemos bichinhos.

E não tardou a chegar… a dor de barriga!

 

Mamãe ficou triste, claro, mas não se apertou; ligou para a confeiteira pedindo mais.

Pena que não pudemos participar dessa festa da mamãe; além de estarmos, os cinco, de castigo, só podíamos sair de nossos quartos para irmos ao banheiro.

 

Ah! Mãezinha, que saudades…

 

 

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Meu Anjinho

 

 

Mexendo em minha caixa de lembranças encontrei um bilhete de um querido amigo de trabalho que à época do final de ano o escreveu, quando trocávamos correspondências nas brincadeiras de amigo oculto.

 

 

Esse bilhete deve ter sido escrito na década de 80, numa caligrafia bonita mas que está sumindo com o tempo porque foi escrito a lápis.

 

 

Lembro-me do Chicão como se o visse agora à minha frente; eu era sua amiga aculta e, inspirada que fui em sua imagem, olhos azuis, cabelos loiros encaracolados, risonho, criativo, adotei o pseudônimo de Anjinho.

 

 

Fazíamos parte de um grupo muito afinado,  sob o comando do Osvaldo Marcolini, a pessoa que ensinou-me tudo o que eu pude aprender na minha carreira profissional e, mesmo depois que se foi, continuei fazendo valer tudo o que me passou, inclusive a ter paciência e tolerância em horas bastante difíceis.

 

Trabalhávamos muito mas nos divertíamos muito também; almoçávamos juntos, gostávamos do mesmo tipo de leitura e de longas conversas, enquanto caminhávamos pelo jardim da empresa nos horários de café.

 

Ás vezes fazíamos arte, como se fôssemos crianças, de deixar nosso querido Osvaldo de cabelos em pé (talvez por isso, novo que era, tenha ficado precocemente careca).

 

 

Gostaria muito de saber de meu amigo Chicão; não nos encontramos mais desde que ele foi transferido para outra área, há muito tempo atrás, mesmo antes d’eu sair da empresa; sei que àquela época já dedicava-se ao teatro e hoje já não sei o que faz, aonde está.

 

Mas pela lembrança doce e gostosa que me trouxe seu bilhete, compartilho com vocês as palavras dele, seu carinho e inspiração.

Um bilhete que, por certo, guardarei sempre não só em minha caixa de lembranças, mas no profundo de meu coração.

 

Meu Anjinho

 

É com trabalho e fadiga,

Mas com amor e carinho

Que pego nesta caneta antiga

E volto candidamente a encher,

Encher sua tarde trigueira

Sem saber o que escrever

Com uma pena ligeira

Que não para de me encher:

“Senhor Francisco – me diz ela,

Em tom leve e baixinho –

Vamos, dê uma trela,

Escreva para o seu Anjinho”.

 

Vontade não me falta

Inspiração tenho de sobra

E quando apanho a pauta

É para escrever uma obra

Pois você, Anjinho meu,

De mim merece o melhor,

Porque um ser vindo do céu

Não deve sentir dor.

 

Dor de ser mal correspondido

Por um amigo insano,

Que não se faz de esquecido,

Que apenas no seu cotidiano

Tem o amor e pensamento que lhe é cabido.

 

Arranque deste papel,

Anjinho do meu coração,

Um abraço ou beijo com gosto de mel

Que lhe vai mandar seu amigo Chicão.

                                     Francisco Antonio Rossi

 

 

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Lembranças…

Há lembranças guardadas em gavetas perfumadas que, de tão cheirosas, viram sonhos.

  

Como virou aquele vestido que vovô Cintra deu, o Nhonhô, como carinhosamente gostávamos de chamá-lo.

Cor de gelo com fitas e lacinhos brancos, meias cor de rosa transparentes e sapatinhos de verniz (e a sombra do vovô de chapéu na foto, tirando a foto).

 Para ir à festa, só se for com o vestido que vovô deu; para ir à missa, só se for com o vestido que vovô deu; para passear com as irmãs no jardim, só se for com o vestido que vovô deu!

Mas, minha filha, vão pensar que você só tem essa roupa. Não faz mal, quero colocar o vestido que vovô deu.

Até que crescí e não deu mais, mesmo, para usá-lo.

 

Como virou o passeio na estação, só para ver o trem chegar, o trem partir.

Quando ouvi o apito lá longe, antes mesmo de fazer a curva (porque é que sempre há uma curva antes da chegada?), agarrei nas pernas de meu pai, com medo do barulho, mas fascinada com a enorme e negra e assustadora locomotiva que vinha, como um animal enlouquecido, tão veloz em nossa direção.

O vento e o barulho ensurdecedores que provocou quando chegou, tirou-me a fala, o fôlego.

Ao contrário de seu passo preguiçoso, quando começou a se mover para partir, depois de deixar tantas pessoas com suas malas na plataforma da estação.

Meu pai perguntou se eu havia gostado do passeio e eu dizia que sim com a cabeça, muda de emoção, porque as pessoas sempre me pareciam felizes ao chegar.

  

Como virou a ida ao aeroporto recém aberto, no Mércuri preto e brilhante de meu padrinho Ray.

Não sei se porque eu era ainda muito pequena, mas aquele avião parecia-me enorme, de um azul tão diferente… pousou na pista como se fosse uma libélula gigante vinda de um outro planeta!

Pelas mãos de meu pai e de meu padrinho, consegui chegar bem perto da escadinha, tão perto que pude ver algumas aeromoças, hoje comissárias de bordo.

E quando a libélula levantou voo, fiquei durante toda a noite com olhos sonhadores, imaginando como deveria ser delicioso olhar as nuvens de perto (aeromoça, será que poderia abrir um pouquinho só a janelinha, para eu tocar nas nuvens e nas estrelas?).

Fiquei imaginando pássaros exóticos fazendo ninhos nas nuvens, borboletas voando entre os raios do sol!

 

Lembranças…perfumadas e inesquecíveis.

Para sempre.

 

 

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