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Posts Tagged ‘luz’

União

anjo-1

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O tinir da sineta por nove vezes

.

Há um silêncio no coração de quem busca

sussurros ouvidos somente por aqueles

que se entregam ao profundo momento

como a um sublime segredo

.

É quando atravesso o espelho

.

Levam-me lentamente

num sopro de sons

no perfume das pétalas

e do incenso

.

Levam-me a banhar os pés

em respeito ao solo

onde irei tocar

.

Trocam-me a veste

de puro e alvo linho

cingida pelo laço da união

.

Atravesso mais um espelho

.

Quem me guia toca-me o braço

se assim não fosse eu volitaria

diante da Rosa e da Cruz

Luz intensa, intensa emoção

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Atravesso mais um espelho

.

Sinto-me fundida àquela chama

sinto-me una

invisível energia

em plena Paz

.

De meus olhos

brotam lágrimas de amor

mas ali já não estou

.

No mais profundo de meu ser

minha Rosa

minha Seiva, meu Sol do leste

.

Penso em reagir, retornar

mas… para quê?

se estou nos braços de Deus!              

.

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Escolhas

cruz-santiago

.

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Há uma lucidez invisível no ar

Passos procuram caminhos diversos

Indicadores apontam luas e sóis diferentes

(sois diferente?)

Moradas das chamas de amor

Não um pelo outro

mas pelo mundo

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Leste, Oeste

Norte, Sul

Pai, Mãe

Poder e Consciência

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No centro da Rosa dos Ventos

a Rosa, a lucidez

A consciência invisível

O sopro no ar

O sopro da Vida

 

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Filho Meu

mãe e bebe1

 

Teus olhos insistentes nos meus me fazem chorar de emoção, pequena criança.

Enquanto brincas com as pontas de meus cabelos, enquanto acaricias meu rosto, enquanto tentas colocar teus pequenos e macios dedos dentro de meus olhos, sinto-te todo e cada vez mais em mim.

O calor de teu corpinho afaga minha alma, faz de mim a mãe que não pude ser, embora, diante de tanta ternura, sinto-te filho meu.

Às vezes ficas tão sério como se estivesse a encontrar no fundo de meus olhos algum momento secreto que guardo em mim e dele só sabe meu anjo guardião, para, no momento seguinte, voltares a brincar com os olhos meus.

Teu riso doce inunda esta sala e minha vida, como raios de sol invadem a manhã!

É por isso que te amo, pequeno, porque me roubas o ar vendo o movimento de teus pezinhos, como que querendo, de um salto, sair andando pela minha felicidade.

E hoje, minha criança linda, é teu aniversário e se eu pudesse, colheria estrelas como se colhe flores, para te fazer um ramalhete de luzes e amor, somente para prolongar o riso teu em minha alma…

Como presente, posso te dar o mais profundo carinho, o mais doce sorriso, a mais melodiosa palavra.

Posso também suavemente escovar teus cabelos em cachos de seda, enquanto sorris para os pássaros que, cantantes, enfeitam tua manhã.

Beijo-te os olhos, as mãos, os pezinhos, a teus pés, levando-te a passear nos jardins deste dia, para que sintas o riso das rosas e os acenos das margaridas à tua passagem.

Saímos, então, os dois, a rodopiar entre os canteiros, erguendo-te ao alto e pedindo a Deus que nos abençoe pela luz, pela vida e pelo amor que faz de nossos dias o sentido verdadeiro de ser.

É quando agarras nas rendas de minha blusa que juro-te permanecer a teu lado por todos os dias possíveis de minha existência.

E como sei que nunca vais crescer, a ti então posso pegar pelas mãos, conduzindo-te ao canteiro silencioso e profundo onde, no princípio dos tempos, minha rosa foi plantada, tratada e cultivada e onde hoje cresce, lentamente, mas cresce.

Sei que a conheces mais que eu, mas quero, eu, mostrá-la a ti, meu pequenino.

A rosa que me conta segredos, que me fala de amor e respeito, coisas que agora raramente encontramos no mundo de fora.

Mas hoje é teu aniversário e vendo-o assim a bater palminhas, a sorrir, a pular em meus braços, esqueço de tudo, de toda a maldade, estupidez e mazelas dos homens, simplesmente porque não quero que chores, não quero que teu dia se perca no escuro, embora eu saiba que tu sabes de tudo que ocorre fora deste jardim.

Quando ficas repentinamente quieto, olhando a chama da vela da comemoração de teus anos, nesse segundo que passa em teus olhos, meu coração estremece porque te sinto conciso, preocupado e grave; mas, em seguida, voltas a ser o meu menino.

E quando a noite chega, deito-te dentro de mim, cantando para te ninar uma canção que fale dos rios, dos bosques, dos anjos e dos homens de bem que ainda habitam este planeta e que não são cativos da escuridão.

Te amo tanto, filho meu, que mesmo quando adormeces, sinto-te a caminhar entre as nuvens e as flores dos meus sonhos, pulsando em minhas veias, a cada batida de meu coração.

Durma, meu pequeno; amanhã e em todos os dias de nossa existência comemoraremos, sempre e a todo instante, o teu aniversário.

Vendo-te deitadinho na manjedoura de meu presépio, aflora em minha pele a certeza de que, mais que nunca, somos Um.

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Feliz Natal!

 

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Luz!

 

miguel8

 

 

Sinto tua presença.

Ali, nos três degraus à minha frente, a nos observar.

Tua veste branca ofusca meus olhos, mas consigo ver teu sorriso apesar de tua fisionomia contrita, preocupada e eu não sei porquê.

 

Na tua bainha, tua espada, mas é em teu gesto que a chama flamejante arde.

É no teu abraço etéreo que sinto os laços do teu cordão a nos unir em harmonia e gratidão.

 

E eu emudeço enquanto os presentes esperam que eu murmure as palavras doces que uma mãe costuma dizer a seus filhos.

As lágrimas chegam como alívio mas a voz calou-se em meu coração; não há como dizê-las.

 

Desculpar-me pelo silêncio… mas como fazê-lo se este momento é de uma sublimidade única, se te vejo abençoando nossos passos, ungindo nossos olhos invisíveis que a tudo vêem?

 

Apenas espero.

Que a emoção se abrande, que os olhos se sequem, que a palavra retorne.

Enquanto embebida por tua presença, apenas sigo com os demais.

 

Sei que um dia farás uso de tua espada e, depositando-a sobre minha cabeça, lerás em meu coração se faço por merecer esta veste branca como a tua.

Firmarás então os laços que um dia nos prometemos, naquele momento distante no tempo, quando nos vimos na Criação.

 

Miguel, meu protetor, não permita que eu me esqueça desse momento de Amor e de Luz.

 

 

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Maria M1

 

 

 

Mestre

aqui estou a teus pés

.

Peço-te a benção

daqueles que  procuram

o Conhecimento

mas que tão imperfeitos ainda são

.

Peço-te a benevolência

para que me faças  enxergar

a Luz e nela me banhar

de corpo e sentimentos

.

Peço-te a tolerância

pelas palavras mal ditas

até que eu possa entendê-las

e evitá-las

.

Peço-te a paciência

pelos atos ainda imaturos

pela falta de jeito

em lidar com as dificuldades

.

Peço-te o carinho

para que meu coração se abrande

diante da ignorância alheia

por vezes maior do que a que me habita

.

Mestre

aqui estou a teus pés

simplesmente para te dizer

do meu Amor

 

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Essência

Essência

 

 

É a nudez da matéria

É o sopro

É a luz

É o reconhecer a existência do invisível

em si mesmo

É a molécula

cadeia de combinações harmônicas

que se tornam una

É sentir

sem ter palavras para definir

É se sublimar diante do Único

É reencontrar a fagulha divina

na busca mais profunda

É desabrochar como a Rosa

em luz e amor

É ser

 

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lenço

 

Um dia desses vi um homem tirar um lenço de tecido do bolso.

Ontem, vi novamente.

Como da primeira vez, fiquei surpresa, admirada e senti uma satisfação interior.

Para mim, essa atitude simboliza uma educação requintada.

Não que o contrário signifique uma má educação, longe disso; tenho como exemplo meus irmãos que nunca usaram lenço de tecido e meus sobrinhos que não usam e que tiveram e têm uma ótima educação.

É que essa atitude vem imbuída de outros valores que estão sendo deixados de lado e, digamos assim, fazendo com que a vida perca sua qualidade.

Há tantos outros símbolos de uma boa educação, mas tomei do lenço de tecido como ponto de observação.

 

Vivemos em tempos modernos, práticos; usa-se e, usado, joga-se fora.

Tenho muito medo de descartes, além da tristeza que sinto porque tudo é jogado fora de forma displicente, tudo sem exceção, inclusive a vida.

É raro se ouvir um “por favor”, um “obrigado”, um “você primeiro”.

Não se vê um gesto harmonioso, uma generosidade, carinho então… o que dizer da falta dele, quando o ser vai se tornando duro como rocha, frio como gelo, calculista, manipulador, oportunista?

E a brutalidade e insensatez vêm à tona, a tal ponto e com tal poder, que se auto permitem dispor e acabar com a vida de seu semelhante, por atitudes impulsivas que, se a brandura não tivesse sido descartada, tudo poderia ter sido resolvido de forma diferente, com certeza a favor da vida.

Há, sim, descartes que precisam ser feitos, mas aí os identifico como casos pensados, pesados, analisados e definidos como prejudiciais ao corpo e ao espírito.

Desvencilhar-se deles é doloroso, deixam marcas, causam dores, mas são necessários, inadiáveis.

Há várias situações de descarte que eu poderia citar, mas estou me entristecendo à medida que escrevo; não quero me aprofundar mais.

 

Prefiro falar da imagem que gravei do homem com seu lenço nas mãos.

Ontem vi que o usou para deter lágrimas que teimavam em correr de seus olhos.

De emoção.

De tarefa cumprida, de encontro consigo mesmo neste seu momento de evolução.

 

Mais tarde, quando já estava a sós comigo mesma, criou-se em minha mente uma imagem, a da mulher desse homem lavando esses lenços com carinho e com cuidado, sabendo que eles ali, usados, ainda detinham emoções ou mesmo o suor do rosto desse homem tão requintado.

Esta cena acalmou meu coração.

Esqueci-me dos descartes (que trazem tanta escuridão e medo ao meu coração) para lembrar-me de que sou uma criatura privilegiada por conviver com algumas pessoas incríveis e de muita luz!

Como, por exemplo, o homem do lenço de tecido.

 

Este texto é uma singela homenagem de agradecimento que faço a  Antonio Francisco Sobrinho, com o qual tenho tido a honra de compartilhar momentos tão sublimes e marcantes.

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