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Posts Tagged ‘mamãe’

Mãe

hortensia2

 

 

 

Mãe querida

Me abraça neste silêncio

que me impregna e emudece

 

Beija meus olhos

penteia meus cabelos

e conta-me uma história

para que eu pare de chorar

de saudades de você

 .

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mãe de giz

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Minha irmã Margarida me enviou esta imagem.

No dia das mães eu gostaria de fazer esse desenho, disse-me ela.

Emocionei-me.

Eu que sempre tive mãe presente em tantos anos de minha vida, convivendo nossas harmonias e cumplicidades, sempre recebendo em meus cabelos seus afagos, em meus olhos seu luminoso sorriso;

Eu que sempre fui tratada de forma especial quando ardia em febre e também especial quando corria, feliz, pelos jardins de minha infância;

Eu que sempre ouvi palavras de conforto, de conscientização, de responsabilidade, de estreitos abraços de pura ternura;

Eu que sempre soube o que é ser amada por uma mãe;

Eu que continuo a reviver tantas lembranças e sentimentos inesquecíveis;

Eu que com tanto amor convivi, não sei avaliar essa dor retratada nessa imagem.

Emocionei-me.

Doeu tanto e tão fundo que só um pensamento que me veio à mente pôde amenizar toda essa solidão: o de minha mãe presente entre nós no dia de hoje, para que ela, com certeza, pudesse acalentar essa criança em seus braços, beijar seu cabelos e chamá-la de filha.

Abraçaria também sua pequena Margarida e todos nós, seus filhos, transmitindo-nos o calor de sua vida nesse gesto de amor.

Mas por certo, lá da estrela onde moram as mães que habitam a outra dimensão, a mãe dessa menina e também a nossa mãe estarão, neste momento, beijando-nos o coração.

 

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Me encontravas, mãe querida, quando ainda pequena, de joelhos aos pés de minha cama a rezar.

Achavas bonito e terno, eu sei, e corrias a chamar e a pegar meu pai pelas mãos, para que ele visse também.

E juntos, à entrada do quarto, abraçavam-se enternecidos pelo meu gesto.

Quem sabe até agradeciam por aquele momento sublime, intimista, de elevação espiritual.

 

Mas o que não sabias, minha mãe, é que todas as noites eu pedia a Deus para morrer antes da senhora e meu pai, porque eu não suportaria, não suportaria tanta ausência.

 

Um dia, agoniada com essa possibilidade, fui me aconchegando ao vovô e contei-lhe da minha aflição, Estou errada, vovô, estou?

Ele olhou-me nos olhos com olhos de doçura e, com serenidade na voz e nos gestos, falou-me, O que você acha que é pior, um filho perder seus pais que já viveram uma parte de suas vidas,  ou os pais perderem esse filho que mamãe sentiu no ventre e que, junto, papai viu nascer e crescer a cada momento de sua vidinha?

A partir desse dia, minha mãe, não fiz mais meu pedido a Deus, embora deixasse claro a minha incapacidade de sobreviver.

 

Hoje, para mim, continua sendo a data de teu aniversário e com certeza, minha mãe, aonde eu estivesse, correria para teus braços, teu calor, teu beijo doce, teu riso contagiante, tua voz a dizer meu nome com carinho (ainda guardo em mim o timbre de tua voz…), para entregar-te esta flor da cor que tanto gostavas.

Com a mesma certeza, escreveria um cartão repleto de palavras de eterno amor, colocando dentro dele, mais uma vez, o que já era tua: minha razão de viver!

 

Deus não me ouviu, eu sei.

Talvez, enquanto eu ainda pedia, naquele horário já estivesse dormindo ou contando histórias para os anjos.

Sei também que hoje és um de seus anjos a me proteger e a todos os seus filhos, mas… o que faço, minha mãe, assim de mãos vazias, sentindo essa insuportável e insustentável saudade?

 

 

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Preciso de paz, minha mãe

para fitar tua imagem

na moldura dourada do tempo

 

Só assim

ao entardecer nas teclas deste piano

conseguirei fitar tua doçura

 

O sorriso leve

na tua boca vermelha e desenhada

delineando os desejos de meu pai

 

Teu uniforme de normalista

tuas iniciais bordadas na blusa

a mocidade apaixonada brilhando nos olhos teus

 

Olhavas para quem, minha mãe

quem roubava teu olhar

fazendo-a mostrar apenas teu delicado perfil

 

Preciso de serenidade, minha mãe

para encontrar-te nesta noite de outono

mas consigo apenas morrer de saudade

 

 

 

 

 

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Lembranças II

 

Olhando por esta janela, com o olhar antes perdido no horizonte, de repente descubro três crianças luminosas brincando de roda num terraço de uma casa antiga, que traz em sua fachada um brasão por certo da família.

O sol reflete em seus risos, em seus vestidos rodados e leves e soltos, de dia de festa, nos laços que usam em seus cabelos, que mais parecem borboletas dançarinas.

As palavras começaram a brotar no papel com a mesma velocidade da emoção que, aflorada, vertia de minha alma em meus olhos.

Emoção que senti ao ver essas meninas que me fizeram lembrar de minhas irmãs e eu brincando nas calçadas de nossas infâncias, num tempo em que eu sentia sempre o carinho de minha mãe, quando tão delicadamente amarrava um laço de fita lilás nos cabelos de sua Isabel.

E aqui estou novamente a relembrar fatos que me fazem quase que senti-la presente.

Se na fachada daquela casa existe um brasão da família, dentro de mim há o carinho abrasador da infância que vivi, de nossas travessuras andando pelos muros, subindo no telhado, abrigando animais no quintal escondido de meu pai, colhendo frutas sem estarem maduras.

Nossas bonecas, nossos jogos, nossas cantigas de roda…

Nossa mãe.

É um momento mágico, sinto o voltar do tempo… enquanto as crianças continuam a cantar, a rodar, a rir, vejo minhas irmãs a brincar como borboletas em festa!

Ao meu lado, minha mãe.

A criança que ainda guardo em mim continua sentindo suas mãos, que me afaga os cabelos já não mais compridos como antes, mas que ainda guardam em si seu carinho, sua luz, sua energia.

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Eterna II

  

 

Me abraça, mamãe,
me aconchega em teu peito
e deixa que eu escute
o pulsar da tua vida
que não bate mais
mas que corre
em minhas veias
em minhas buscas
 
Sorri para mim, mamãe
deixa que eu sinta teu riso
com meus dedos
meus olhos
percorrendo teu rosto no papel
assim, mamãe
me sentirei envolvida em tua luz
embora em pranto
 
Me faz dormir, mamãe
para que minha alma
encontre com a tua
e possa matar toda esta saudade
que eu não aguento mais
 

 

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Lembro-me de nossa casa e seu belo quintal.

Lembro-me do sol iluminando sua imensa fachada e do jardim do lado esquerdo, logo na entrada depois da escada, onde as flores sorriam para quem em casa entrasse, ou mesmo para quem do portão olhasse.

Lembro-me do primeiro dia em que escapuli de minha mãe, da pajem e de minha irmã Rosa; abrindo o portão com muito esforço e bem de mansinho, corri para a calçada.

Quantos anos? tres, quatro anos no máximo.

Andava um pouquinho e olhava para trás e pensava: ainda estou vendo minha casa e o portão aberto (eu nunca havia saído à rua sozinha!)

Andava mais um pouquinho, olhava para trás e pensava: ainda vejo minha casa e ninguém sentiu minha falta.

Meu coração batia na garganta e meus olhos, na certa, brilhavam de euforia.

Minha aventura era a maior ousadia que já pensara em fazer: andar sozinha nas calçadas, entre as pessoas, carros, barulhos diferentes… meu Deus! que liberdade eu sentia!

Podia escolher em qual calçada andar, podia escolher em andar rápido ou devagar ou saltitar, conforme minhas perninhas quisessem!

E de longe, mas ainda enxergando minha casa, aquele muro que me parecia tão alto, tão forte, tão protetor, agora não passava de um murinho marfim, seguido de várias janelas (onde foram parar aqueles janelões enormes!) que pareciam caixinhas…

Minhas descobertas nessa aventura? Vi um cachorro (de pertinho!), uma bicicleta veloz (parecia ter asas!), pessoas bem vestidas e mal vestidas, tristes, alegres, assobiando…

Fiquei encantada com os paralelepípedos; faziam um som tão poderoso quando um carro passava sobre eles!

E de repente esqueci de olhar para trás; de tão entretida que estava, perdi minha casa de vista.

No mesmo momento que entrei em pânico, ouvi a voz de minha mãe e de minha irmã, Isabel… Isabel… onde você está?

Onde eu estava?

Como responder se eu não sabia onde estava.

Não sabia, não conhecia aquelas casas, aquelas pedras, aquelas ruas…

Estou aqui!!!  (aqui, aonde?)

Pus-me a chorar até que um anjo veio me socorrer.

Me tomou pela mão, sorriu e me fez um carinho nos cabelos e pediu para não mais chorar, que ele iria me levar até minha mamãe.

Viramos a esquina e então vi novamente minha casa: tão alta, tão forte, tão acolhedora!

E vi minha mãe sorrindo no terraço, falando alto e gesticulando, descendo as escadas, correndo para mim.

Ufa! por hoje chega, por hoje está bom de emoções, pensei eu, abraçando longa e carinhosamente minha mãezinha do coração.

Meu anjo? Quando me virei para falar com ele,  já havia partido.

Mas nunca mais me esqueci de seu semblante; mesmo porque já o vi outras vezes.

 

 

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