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Posts Tagged ‘Mandela’

mandela

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“A coragem não é inata, não é um tipo de elixir que se bebe ou se aprende de forma convencional; é a maneira que escolhemos ser.

Nenhum de nós nasce corajoso; tudo está na maneira como reagimos a diferentes situações.

Melhor ser lento e ponderado do que rápido, apenas para parecer decisivo.

Não é a velocidade da decisão, mas a sua direção.

Não é a rapidez que torna alguém corajoso.”

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Penso que a todo milênio surge um avatar para tornar-se um marco de expansão na evolução do planeta.

E sua luz se esparge pelo tempo, refletindo, tal como o arco íris após a chuva, a clareza de um objetivo maior.

Penetra no lugar mais íntimo de cada um que costuma se retirar em algum momento do mundo exterior, para deter em si um aprendizado sólido, de modo a ser útil não somente a si, mas e principalmente aos menos favorecidos, como os segregados, os explorados, os reprimidos, os marginalizados.

Sua luz penetra nas mentes, tal como o sangue que flui pelo organismo, seguindo sempre e incessantemente seu caminho, até que retorne ao coração para ser purificado, renovado.

 

Embora muitos não concordem, penso que é no coração que mora a razão da vida, porque lá habitam a força para lutar, a vontade e necessidade para mudar, a emoção de alcançar e, por fim, a plenitude de amar.

Mesmo que essa razão traga inimigos, dores inesquecíveis, perdas irreversíveis.

Mesmo que a necessidade de quebrar pedras por tantos anos, comprometendo a saúde mas não a dignidade, seja o retrato da perseverança para revigorar o caminho já traçado.

 

Mandela, habitas minha alma há tanto tempo e assim será.

O que sempre senti ultrapassa a admiração e seria incapaz de um frívolo elogio somente por causa do teu passamento.

 

E, no entanto, já começaste a receber tantos elogios de estadistas oportunistas que querem estar na mira das câmeras durante as homenagens, mas que no dia a dia sequer tencionam segui-lo em teus atos.

Ao contrário, ignoram, do alto de seus pedestais já carcomidos pelos cupins, a tua fé que literalmente removeu montanhas de dificuldades, problemas aparentemente impossíveis de soluções e tantas outras ações direcionadas à liberdade de teus semelhantes.

E a maioria deles estarão lá, todos empolados, chamando-o de herói, mas incapazes de uma atitude que justifique estarem na tua presença.

 

Tenho tanto receio de que sejas lembrado somente nesta data, nesta semana, neste ano.

Sinceramente ainda espero que tuas atitudes, tua honra e dignidade não sejam apenas recordadas e enaltecidas de tempos em tempos, mas imitadas, reproduzidas, disseminadas.

Que não sejas visto somente como mais um herói, mas como exemplo de coragem, fé, perseverança, paciência e dignidade a ser seguido.

 

Vai em paz, Madiba; é hora da tua luz iluminar outras esferas.

 

 

 

 

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Lei nº 3.353  de 13 de Maio de 1888

Declara extinta a escravidão no Brasil

Brasil sem escravos

O que machuca mais, o chicote de um feitor ou a instituição de cotas nas universidades, senão de outra forma os negros nunca conseguiriam, em pleno século XXI, cursar um nível superior.

O que é que faz mal, comer angu (componente da lavagem de porcos) ou consumir drogas, descriminalizadas ou não.

O que é mais desconfortável, dormir no chão duro e frio, correndo o risco de pegar pneumonia e até morrer ou deitar à sombra dos corruptos poderosos defendendo somente o seu.

 

Brasil sem escravos

O que pensar dos que se intitulam deuses, esses que querem invadir os lares vomitando (perdão da palavra) regras de bem educar os filhos, se não conseguem sequer levar a julgamento crimes passionais hediondos, fazendo valer a justiça.

Uma dúvida: a lei da palmada vale para os que consomem drogas em casa?

 

Brasil sem escravos

Onde a imprensa vive ameaçada por um cala a boca dos demagogos que se dizem democráticos, livres pensadores.

 

Se alguém souber, por favor me diga aonde fica esse Brasil que zela pela  liberdade dos negros, dos homens honestos,das mulheres,dos  trabalhadores identificados e valorizados por seus trabalhos e não simplesmente por sigla partidária.

 Onde fica esse tal de Brasil liberto, esse reino encantado onde é possível se sair a pé ou de vidros do carro abaixados, a qualquer hora do dia ou da noite, sem risco algum de ser assaltado, baleado e morto?

Onde fica esse país que não aprisiona seus cidadãos em seus próprios lares, onde ninguém é espancado e queimado nas ruas mal iluminadas e sem policiamento, em completo abandono?

 

E tantas outras indagações que poderiam figurar neste texto…

 

Estendendo a extinção da escravidão ao âmbito mundial, vivo me questionando em que momento a humanidade perdeu sua liberdade, no sentido mais elevado de sua expressão, ceifando o rumo da sua própria história; em que século, em que milênio.

Em que momento perdeu sua excelência, tornando-se um anjo caído a querer resolver tudo na ponta de uma lança de fogo?

Será que foi na purificação da raça ariana executada por Hitler e seus pares?

Será que foi no dia 13 de maio de 1981 quando o papa João Paulo II comemorava a visão de Nossa Senhora pelos três pastorinhos na Cova da Iria, perto de Fátima-Portugal (13 de maio de 1917) e sofreu aquele atentado na Praça de São Pedro, no Vaticano?

Será que foi no momento em que prenderam e torturaram Mandela?

Será que foi no momento em que detonaram as torres gêmeas?

Ou será que nós humanos, ditos racionais, sucumbimos lá bem atrás e estamos apenas brincando de sobreviventes quando, na dura e fria verdade, estamos mais enterrados e apodrecidos do que fósseis pré-históricos?

Apesar do documento ilustrativo acima ser a prova cabal da sanção da abolição no Brasil, prefiro não comemorar nada, ou melhor, não há razão para esta comemoração.

Como um náufrago querendo  apoiar-se em alguma tábua para não sucumbir, guardo como lembrança nesta data apenas o nascimento do poeta Raimundo Corrêa, nada mais.

Prefiro ignorar o resto, porque esse país que se mostra agrilhoado a mazelas e perversidades morais não é o país que eu amo; esse que se vê está moldado em uma máscara de horror, fazendo com que sua imagem seja a de um pobre, mesquinho, mentiroso, vil e escravo Brasil.

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