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Posts Tagged ‘mãos’

 .

.

Antes de encontrá-lo pela última vez é necessário

que eu chore o que me resta

para eu secar por dentro

 

Então estarei pronta

hirta e ausente,

para ouvir sua voz de palavras escolhidas,

mas opacas, vazias como seu coração

 

Para eu ver seu riso frisado, gelado

em um esforço supremo de emoção

como se carinho se encontrasse à venda

em qualquer gesto

 

Para eu sentir suas mãos frias

no meu rosto ardente…

de dor e despedida

 

Para que tanto cuidado em não me ferir

se já me apunhalou…

 

Não faltarei a esse encontro,

digo ao meu coração tão calado

 

É preciso que eu morra para renascer

no canto da boca de um outro sorriso

sentir o calor de outras mãos em profundo aconchego

morar no brilho de um olhar sereno, cuidadoso,

intenso, de desejo

 

E não haverá necessidade de palavras

 

O silêncio é mágico, é portal para outros pulsares

é linguagem de eternidade

 

É preciso que eu morra mais um pouco

um pouco mais, só mais um pouco

 

Falta tão pouco…

 

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Filosofar

moça e água

 

Rio

porque esta que me olha

me sorri

e eu nem sei quem é

 

Estende-me as mãos

me oferece uma flor singela

e eu me aproximo do rio

para ver

quem é?

 

E por estar assim

rés ao espelho d’água

nele caio como um sopro

 

Rio

porque mergulho no rio

e o rio porque se envolve em mim

 

E rimos os dois

o rio porque corre em mim

eu porque corro com o rio

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Descer

 

.

No topo da escada

um gemido fundo

 

em cada degrau

o pranto, um espanto

 

no corrimão

escorre a mão

esquecida de carinhos

 

no final da escada

nada

 

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Pulsar

images (2)

  .

Quisera falar plenamente do amor

mas ao simples balbuciar desta palavra

minhas mãos estremecem

vacila também meu coração

 

Para acalmá-lo

(ou incendiá-lo)

procuro entre papéis

um poema que fale de amor

 

Não do amor complacente

mas do que faz o olhar arder

não do amor paciente

mas do que faz o corpo querer

não do amor terno

mas do que faz gemer

 

São tantos os poemas

que pelo caminho das palavras

me perco

 

 

 

 

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Liberto-os

nas ondas límpidas

assustadoramente calmas

da vida,

tu e ele

navegador e nau

 

Vendo-te partir feliz

a flutuar em águas silenciosas,

acaricio tua imagem

com minha partida

mas consciente razão

 

A vê-lo preso em torturas

e pranto

em minhas mãos

em meus beijos ardentes e irreais,

prefiro senti-lo livre

maravilhando-se com o mar

pássaros, peixes e céu sem fim

 

Liberto-te

de qualquer dor

inclusive das dores vãs

por nada haver

entre meu desejo e o teu

para que possas escolher

e não ser escolhido

por tudo e pelo nada

que nos cerca

 

Não hás de naufragar, eu sei

porque a ti acompanha meu coração

a protegê-lo mesmo à distância

em fracos pulsares

sem não mais detê-lo

 

Já não suporto a idéia

de senti-lo a se debater

entre meus dedos

 

Quero-te livre, pássaro do amor

 

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Encontro

 

E de repente

num virar de esquina

encontro teus olhos

a me alcançar

 

Procuras nos meus

um pote de mel

que sabes existir

pois já ouviste a voz

que trago dentro de mim

 

Procuras em minha boca

o sorriso de anjo

o gesto delicado

a carícia suspensa

em teu rosto

 

Procuras tudo

que minhas palavras

silenciosas

já contaram

 

No entanto

abaixo meus olhos

fito tuas mãos irrequietas

não sei exatamente

o que confirmar

se te amo

se te desejo

se te sonho

como sempre foi

 

 

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Quer dançar comigo?

… então ele chegava sorrindo até onde eu estava e convidava-me a dançar.

Enquanto a maioria dos casais trazia as mãos entrelaçadas em braços estendidos, ele trazia minha mão encostada em seu peito.

Mas o mais incrível era como segurava minha mão; com firmeza, mas de forma terna, aconchegante, calorosa.

De vez em quando a apertava de leve entre seus dedos, acariciando-a e eu… errava o passo.

Parávamos, ríamos, porque sabíamos que meu coração começara a disparar.

Nos abraçávamos novamente e novamente começávamos a dançar. Lentamente, como se estivéssemos pisando em nuvens, em sonhos, em anjos que não podiam ser despertados.

Sentia em minha mão o pulsar forte do seu coração.

De vez em quando também me  apertava a cintura e eu… errava o passo novamente.

Depois me levava para casa, caminhando de mãos dadas, olhos brilhantes, conversas leves e cheias de sorrisos, sem chance alguma de controlar o saltar dos corações acrobatas.

E, entre um falar e o outro escutar, ele parou de repente, olhou-me intensa e profundamente e então roubou-me um beijo, meu primeiro beijo e eu… bem, eu quase desmaiei e talvez caísse se não fossem aqueles braços fortes a me segurar, com aqueles olhos negros um tanto assustados a me perscrutar.

Entrei em casa sentindo-me um pouco envergonhada (minha mãe haveria de achar graça quando contasse que quase desmaiei!), com o rosto vermelho de tanta emoção.

Não dormi a noite toda, pensando na próxima dança, porque já previa que ele chegaria silencioso, pelas costas, colocaria suas mãos fortes e macias em meus ombros e diria, num sussurro, ao meu ouvido: quer dançar comigo?

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