Feeds:
Posts
Comentários

Posts Tagged ‘Nelson Mandela’

Nelson Mandela.

Quero hoje conversar um pouco contigo, dia de teu aniversário.

Não só para comemorar esta data, mas por todas as que, com paciência e perseverança que só os sábios têm, continuas construindo a história de um povo, a história da evolução da humanidade, como um grande exemplo àqueles que querem decidir o rumo dos tempos pela força, corrupção e injustiças desregradas.

Mais que um exemplo, uma profunda reflexão sobre a vontade de proporcionar a seu semelhante uma visão real e melhor do que é possível viver.

 

Quantas amarguras, dores, humilhações, privações se esconderam por detrás do teu sorriso… um sorriso doce, sereno, olhar no horizonte enxergando longe, gravado nele todos os momentos de aflição, de conflitos, de solidão.

Por certo, em algum momento contigo mesmo, pensaste em desistir, mas não deixou se levar pelo instante, pequeno instante de fraqueza.

Tinhas a convicta certeza de que depois de tanto tempo, de tantos percalços, as portas se abririam, aquelas que fechadas a corrente estavam, vigiadas sempre com uma arma em punho.

Como se tua doçura precisasse de todo esse aparato… na verdade, os que te cercavam é que precisavam do teu respirar, pensar, sentir e agir.

 

E a palavra liberdade deixou de ser uma palavra, para morar nos lábios dos que te amam, apesar dela já existir há muito em teu coração, mesmo que ainda atrás das grades; já respiravas e vislumbravas teus sonhos acontecendo, primeiro no alívio e depois no grito reprimido no peito de cada compatriota, de cada pedacinho do sonho teu.

 

Hoje passas privações de tantas coisas materiais que afetam tua saúde, mas teu espírito está tranquilo pois já cumpriste tua tarefa para com a humanidade.

E mesmo desse hospital onde estás e com todas as dificuldades que isso implica, podes ver as homenagens que te fazem, não só hoje, repito, mas todos os dias das vidas para as quais estendes ainda e sempre tua alma generosa.

Cada dia vivido de cada pessoa que acreditou na tua luta é o presente que continuas a receber da própria vida; afinal, nos tempos de hoje já não mais encontramos alguém com tua coragem em deixar para trás os momentos ruins e difíceis acontecidos, para vivenciar plenamente esse grito de liberdade e amor.

 

Para mim tu és, sem dúvida alguma, o ser humano mais admirável dos nossos tempos e sinto-me privilegiada em poder estar viva na mesma época em que disseminaste tua vida em cada vida, não só na África, mas no coração da humanidade.

Obrigada Mandela, tu és um espírito de Luz e Amor.

 

 

Read Full Post »

 

Tenho em mãos o livro “Os Caminhos de Mandela – Lições de Vida, Amor e Coragem” de Richard Stengel.

Não sei se este é um bom jornalista, nunca li nada sobre ele ou dele; só sei que este livro traz trechos inéditos do Diário de Mandela.

 

Tenho feito essa leitura logo pela manhã, na minha parada obrigatória no parque, em meio aos animais silvestres e domésticos, junto a pessoas que, como eu, usufruem do que resta de bom e belo na natureza.

 

De manhã estou completamente lúcida, nada ainda interfere na minha linha de raciocínio; por isso absorvo o livro em sua totalidade, o que me faz admirar a inteligência, reflexão e vivência dessa criatura que tanto sofreu torturas físicas, mentais e psicológicas e que, mesmo assim, conseguiu sobreviver e oferecer ao seu povo a parte melhor de sua existência.

 

Do capítulo 13 – Desistir também é liderar – quero destacar dois trechos que acho dignos de serem mencionados, porque de súbito e irremediavelmente me fizeram compará-los com situações que estão ocorrendo no meu (ainda) amado país.

 

“Quando lhe perguntaram se concorreria para um segundo mandato, respondeu que “definitivamente não”.

E não concorreu.

Foi um ato definidor de liderança.”

 

Levantei os olhos do livro e meu pensamento foi de profunda admiração por um homem que sempre teve a noção exata do momento de prosseguir e do momento de parar.

De superar a vaidade e não dar margem à arrogância de se achar maior e melhor que todos os outros; de ceder a outro a oportunidade de exercer a cidadania, como podemos sentir no pensamento “Nós nos tornamos melhores por meio da interação altruísta com os outros.” 

Impossível não me lembrar das promessas dos políticos que congestionam e poluem este país.

E de como mais uma vez estava certo quando já dizia “que o Ocidente é o bastião da ambição pessoal, onde as pessoas lutam para seguir à frente e deixar as demais para trás.”

E nós somos uma grande fração do Ocidente e essa frase traz intrínseca, para mim, a carruagem da corrupção.

 

Mais adiante, no mesmo capítulo, é contado que quando deixou a presidência, acreditava que deveria realmente se aposentar e fazer como o líder romano Cincinato que voltou para sua fazenda e viveu uma vida tranquila.

Ele estava longe de querer uma vida tranquila, mas para que ficasse transparente e que todos entendessem que ele realmente não mais desejava a presidência, deixou claro que “Quando você sai do palco, não pode ficar enfiando a cabeça pela cortina”.

 

Levantei novamente os olhos do livro e já não sabia se meu rosto estava molhado pelos respingos da fonte de água à minha frente ou se eu suava sufocada pela tristeza, ao lembrar que o ex-presidente deste país não só enfia a cara, como o corpo todo pela cortina e, como se não bastasse, ataca de primeiro ministro (como disse a minha xará), dando palpites e impondo idéias partidárias, numa opressão ostensiva sob seus “companheiros” e aliados.

Sem condições de continuar minha leitura ou minha tortura interior, no papel que me cabe como cidadã deste país, coloquei o marcador (que realmente marca a dor) naquela página e, fechando o livro, fui até as barras fazer os exercícios costumeiros.

 

 Mas o semblante de Mandela não me abandonava.

Seu sorriso persistia diante de meus olhos, aquele sorriso cristalino do homem que nunca corrompeu o ideal do seu partido, nunca teve dois pesos e duas medidas perante seus pares e principalmente diante de seu povo e, por isso, quase perdeu a vida em uma forca.

Um homem que diz que “a coragem não é a ausência de medo; é aprender a superá-lo”.

 

Encontro em outra de suas colocações, um homem que nunca disse sim querendo dizer não. “Se você está demorando ou evitando dizer “não” porque é desagradável, melhor dizê-lo na hora e claramente. Você evitará vários problemas a longo prazo”.

 

Um homem verdadeiro, porque digno.

“Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião.

Para odiar, as pessoas precisam aprender; e, se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar.”

 

Um revolucionário.

“Unam-se! Mobilizem-se! Lutem! Entre a bigorna que é a ação da massa unida e o martelo que é a luta armada devemos esmagar o apartheid!”

 

Desejamos ter heróis, mas verdadeiros, existem muito poucos.

 Ainda.

 

Read Full Post »