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Posts Tagged ‘nome’

Segredo

casal 1

 

 

 

Guardo-te em mim

serenamente

com a certeza

de que faço de meu coração

teu abrigo permanente

 

Aqui podes tudo

ancorar, alçar vôos sem fim

ou ficar em repouso

mesmo quando morres um pouco

em momentos de escuridão

 

Quando a noite chega, cativo

essa criança que brincou o dia,

afagando teus cabelos, pele macia

beijo de boa noite

que pela madrugada se estenderá

 

Vais reconhecendo aos poucos meus recantos

que vibram com tua magia

fazes de meu corpo tua plenitude

tuas descobertas, meus anseios

 

Não preciso dizer teu nome

meu segredo

para quê?

se estás tão bem assim

guardado em mim

.

.

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Saudade IV 

 

Parada diante deste mármore negro e gélido, não consigo pensar em nada.

Meus olhos não conseguem desviar-se de teu nome nesta lápide.

Quero olhar para este anjo de bronze que tão bem esculpido foi, mas não consigo.

Imóvel, apenas sinto o vento frio do outono, as folhas correndo pelo chão, como se tempo houvesse para mais algum pedido ou esperança.

Meus olhos se turvam, mas meu coração está em paz.

Teu nome cravado em minha alma tenta mostrar a razão de todos os sentimentos em que me procuro em vão.

 

 

Penso em nada.

Lembro-me de meu mestre que diz, Para se entrar em estado de meditação é preciso que não se pense em nada.

Não consigo; nada, para mim, possui forma, cor, peso, aroma, calor, dor.

Penso em nada.

 

 

Não te trouxe uma flor sequer.

Sei que sempre dizias que flores foram feitas para serem apreciadas, não para serem colhidas e, assim, mortas.

Mas a natureza, generosa, enfeitou este lugar que ainda penso não ser o teu.

Não trouxe nada.

Nenhuma novidade para compartilhar, alguma dúvida a indagar, muitos dos medos a me rondar.

Nada.

 

 

Veio-me um pensamento.

A primeira coisa que nos dão nossos pais ao nascermos é um nome e, depois de trilhado o caminho que nos cabe, tornamo-nos apenas esse nome.

Esculpido em uma pedra.

Acho que é daí que vem aquele adágio, Vamos colocar uma pedra nisso e seguir em frente.

Uma pedra, um nome; será mesmo só isso?

 

 

A tua passagem por minha vida hoje me parece um sonho.

Quando foste embora, adormecemos os dois; tu do lado da tua nova descoberta, eu aqui seguindo ao lado de meus passos, fazendo-me de mansa para brincar de aceitar situações.

Perdas.

Sonhos em vão.

 

 

Tiro a luva da mão direita e atiro um beijo para o teu nome, é apenas o teu nome que ali está, eu sei.

Um beijo de saudade, de carinho, de dor, de vontade de ouvir novamente tua voz, teu riso, tua postura de príncipe que sempre foi.

Deixo que as folhas de outono permaneçam sobre o mármore; já não precisas de adornos porque tu és a própria luz, embora o céu esteja cinzento e comece a chover.

 

 

Abençoe-me, é só o que peço, e olhes sempre e um pouquinho para mim.

Preciso tanto do teu amor para poder prosseguir.

 

 

 

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Um Nome

 

 

 

 

O carro freou de repente.

Dele saltou uma moça abrigada em um casaco de lã vermelho, cabelos negros e mãos em luvas de couro.

Quase que de imediato, do outro lado do carro saiu um rapaz alto, forte, casaco pesado, botas de montaria, óculos escuros.

Ela chorava.

Ele falava.

O vento era forte e muito frio naquela manhã.

O lenço que ela trazia nos ombros saiu voando pelo tempo.

Ele parou de falar e correu em busca dele.

Ela, sem parar de chorar, tirou do bolso de seu casaco uma carta.

Uma carta de amor.

Uma carta de amor impossível.

Uma carta de adeus.

Quando percebeu que o rapaz voltava com o lenço transparente como asas de libélulas ao sol, beijou a carta e deu-a ao vento.

Ele, novamente solícito, correu a resgatar aquela folha que fugia, fugia dos sonhos, de uma possibilidade talvez.

Nesse descuido, a correr atrás de algo que nem mesmo sabia, da natureza daquelas palavras, não percebeu que ela tirava os sapatos e subia no beiral da ponte.

E pulou.

Da vida.

No espaço.

Sumiu nas águas.

Ele desesperou-se e gritou seu nome inúmeras vezes, com toda a força de seus pulmões.

Seu óculos caiu na correnteza turva que corria logo abaixo de seus pés, como se assim fosse possível enxergá-la, agarrá-la.

Haveria de beijá-la e abraçá-la e amá-la todos os dias que ainda restassem de sua vida … prometeu a si mesmo.

Estendeu seus braços ao rio e com um uivo, um uivo de dor e fúria, gritou seu nome mais uma vez.

Em vão.

 

Com certa frequência tem acordado assustada, quase chorando, com aquele nome ecoando em sua mente, como se um dia houvera sido seu.

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