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Posts Tagged ‘o tempo’

 

Debruçada na janela

sinto o tempo

voa o vento

 

No coração

amor incessante

como flor amarela, constante

 

Nos lábios quase selados

teu nome, meu pecado

só meu anjo pôde ouvir

 

Nas asas do tempo

esse amor é assim

sem destino

 

Por isso

saudade

invento

 

 

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para Álvaro Alves de Faria

 

 

 

 

Quando te olhei pela primeira vez, sabia-te pastor.

 

Pedi permissão para me aproximar e com um aceno convidaste-me a ouvir histórias dos ventos que apascentam tuas ovelhas.

 

Ofereceste-me abrigo sob o luar, junto ao instante da noite e vislumbrei tua luz nas fagulhas e no fogo a crepitar e no límpido céu estelar.

 

Tuas ovelhas, mansas, serenas se aconchegaram a teus pés, fechando lentamente seus olhos molhados de amor.

 

Então tocavas doçura na tua flauta encantada para que, a sono profundo, tuas ovelhas continuassem a sonhar.

Com relvas tenras, com flores risonhas, com sombras de árvores maternas e água fresca a jorrar de tuas palavras.

 

Era quando sentias um pouco da imensa solidão dos poetas.

Mas ao vê-las quietas e ressonantes, sorrias para o tempo e para tuas mãos que sempre souberam decifrar tua alma diante da silenciosa eternidade.

 

Com o correr do tempo na pele, aprendi a balir com tuas ovelhas e hoje minha voz mistura-se a delas, suave, imperceptível, constante.

 

Quando te olhei, sabia-te pastor e humano.

Sabia-te encantador de ovelhas.

Como da primeira vez.

 

 

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Semeador

  

Encontrei-te

às margens de um rio

daquele onde guardas tua alma

 

Na quietude do instante

pressenti que conversavas

com o tempo

 

Depois, mais atenta

vi que choravas

como a correnteza

e o vento

 

Quis aproximar-me

sorrir-te

acalentar-te

com um carinho de luz

 

Pensei até em beijar-te

mas estanquei bruscamente

quando vi em tuas mãos

um punhal

 

Desesperei-me, corri

e só então vi

que plantavas mais uma árvore

aos pés de outra

 

No brilho de teus olhos

na emoção de tuas lágrimas

senti que ali permanecerias

até o primeiro fruto

 

 

 

 

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