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Posts Tagged ‘olhar’

 .

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Antes de encontrá-lo pela última vez é necessário

que eu chore o que me resta

para eu secar por dentro

 

Então estarei pronta

hirta e ausente,

para ouvir sua voz de palavras escolhidas,

mas opacas, vazias como seu coração

 

Para eu ver seu riso frisado, gelado

em um esforço supremo de emoção

como se carinho se encontrasse à venda

em qualquer gesto

 

Para eu sentir suas mãos frias

no meu rosto ardente…

de dor e despedida

 

Para que tanto cuidado em não me ferir

se já me apunhalou…

 

Não faltarei a esse encontro,

digo ao meu coração tão calado

 

É preciso que eu morra para renascer

no canto da boca de um outro sorriso

sentir o calor de outras mãos em profundo aconchego

morar no brilho de um olhar sereno, cuidadoso,

intenso, de desejo

 

E não haverá necessidade de palavras

 

O silêncio é mágico, é portal para outros pulsares

é linguagem de eternidade

 

É preciso que eu morra mais um pouco

um pouco mais, só mais um pouco

 

Falta tão pouco…

 

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De Amor

.

 .

Marta chama-o de Paulo, mas não sabe seu nome.

Sabe apenas do seu olhar.

Se vêm todas as semanas, às segundas-feiras pela manhã.

Marta sorri para Paulo.

Paulo sorri para Marta.

 

Paulo mal escutou a voz de Marta.

Marta já reconhece a voz de Paulo, forte, aveludada, quente.

A primeira vez que Paulo a olhou profundamente, Marta sentiu seu coração disparar, como a saltar pela boca, ao mesmo tempo que uma alegria intensa tomava conta dela, da cabeça aos pés.

 

Nesta semana quando se viram de tão perto, Marta desejou-lhe Bom Dia!

Paulo, depois de olhá-la nos olhos por eternos segundos, sutilmente piscou para ela.

Marta sentiu então seu rosto corar e seu sorriso iluminar a alegria no rosto de Paulo.

 

Marta ou Paulo, qual dos dois que, não resistindo, primeiro falará de amor?

 

 

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 movimento

 

  

Voar em círculos

circunscritos

pousar no centro

  

Olhar de dentro

reconhecer

em tempo

  

Buscar no silêncio

o espelho das estrelas

centelhas

  

Olhar de fora

sem sobressaltos

o vulto oculto

  

A sombra

O gesto

O desafio

  

No quarto círculo

circunscrito

repousar

 

 

 

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Majestade

Chamam-te de Princesa.

Eu, de Majestade.

Enquanto corres em círculos, gosto da tua pele suada brilhando ao sol.

Teu trote compassado.

Teu dorso.

Teu pelo cor de mel tão bem escovado.

Tua crina branca acariciada pelo vento.

És bela, Majestade, és tão bela que ficaria horas a te admirar, tantas são as coisas que preciso contigo aprender.

Mas o que mais gosto é que, mesmo do alto de tua imponência, tens uma doçura no olhar como se me invadisse a alma e descobrisse meus segredos, meus medos, meus silêncios…

Depois bates a pata direita no chão, abaixas a cabeça por alguns instantes, como se a princesa fosse eu.

Vens comer em minhas mãos, enquanto afago teu pescoço e converso baixinho contigo sobre as flores que vês nas ravinas  e os pássaros no céu.

Enquanto mastigas, olhas-me novamente na alma, faz meu coração pulsar bem mais forte.

Beijo-te demoradamente, como se assim pudesse prolongar este momento de ternura.

Não consigo cavalgá-la, Majestade, já te falei, não mereço, mas podemos passear pela relva.

Tu a comer as graminhas novas da pastagem e eu a cantar alguma canção que fale de amor.

Depois vais dormir junto com o último raio do sol, deixando-me aqui cada vez mais apaixonada pelo teu olhar.

Boa noite, Majestade.

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Sinto saudade de minha mãe.

Sua voz, seu sorriso, suas brincadeiras, seus acenos.

Às vezes falava alto, gritava mesmo, perdendo sua santa paciência, mas tudo porque queria o bem de todos.

Por puro amor.

 

Sinto saudade das vezes sem fim que me chamava a um canto, a contar-me pensamentos colhidos em sua vida.

Sim, compartilhava suas descobertas, suas alegrias, suas surpresas e desalentos comigo, dando a mim uma parte do seu coração, aquela parte de angústias, mais tarde confirmada pela sua doença.

Lembro-me do final do ano último, seus olhos buscando nos meus um raio de esperança de mais um ano a viver.

Mas não aconteceu.

 

Hoje continuamos a nos encontrar.

Confesso que para mim de uma forma mais difícil, mas não mais distante.

Compartilho com ela, eu desta vez, os medos, alegrias e tristezas e sustos que vêm acontecendo com certa frequência.

Mas quando me sorri aquele sorriso luminoso, espelho de sua alma, a sensação de que tudo torna-se mais brando me invade, como a calmaria depois da tormenta.

E mais amena, consigo contar-lhe das pequenas coisas que fazem meus dias especiais.

Consigo até contar-lhe dos meus sonhos.

E ela me ouve e sorri.

Às vezes balança a cabeça, chega mais perto, procura uma palavra, um olhar.

 

Pressinto, neste momento, sua presença e peço baixinho que me afague mais uma vez os cabelos, que cante canções de ninar, que me embale e me faça dormir.

Entre uma lágrima e outra, peço por sua proteção, sua força, sua determinação e crença que tudo vale à pena, como tudo sempre fez para aquietar meu desassossego.

Assim adormeço com a certeza de que ela me segura em seus braços de amor.

 

Perdoe-me minha mãe, talvez eu não tenha crescido a contento de seus esforços, por não ter conseguido enfrentar de frente esta vida sem você, sem os seus conselhos, sua alegria, seu carinho…

Há tantas passagens boas e alegres que vivemos e que eu poderia contar, mas é que ando bastante assustada com a vida e tenho medo de ferir-me mais.

 

Saudade, minha mãe, saudade.

Pediria apenas mais uma coisa: passar um dia inteirinho a seu lado.

Não precisa ser hoje.

Pode ser para sempre.

 

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Provoque todo o meu corpo

eu deixo

mesmo que me toques apenas com um olhar

 

Invada meus mais doces sonhos

eu deixo

mesmo que todos sejam mentiras

 

 

Avassale meus pensamentos

com esse sol da meia noite que te habita

eu deixo

mesmo que eu me ponha no horizonte

de soluços infindos

 

Possua-me por inteira

esta que vês e também a do espelho

eu deixo

mesmo que eu morra a cada segundo inútil e vazio

marcado pelo relógio do tempo

 

 

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Final de tarde.

Sol de outono.

Escuto músicas do passado tão presentes na minha pele.

É como se o teu olhar ainda pairasse no ar, diante do meu olhar, embora não saibas que já me olhou dessa maneira…

Mergulhando no invisível, toco teu rosto.

Como a retribuir o carinho, de uma forma doce sinto tua boca a beijar minha boca, embora também não saibas que um dia me beijou assim…

Não sabes tantas coisas que sonho…

E as palavras da canção vão entrando por meus poros, meus nervos e nos sonhos que só acontecem em mim.

E vou me lembrando de como eu era quando a ouvia há tempos atrás.

O que mudou, pergunto a mim.

Mudaram algumas marcas no rosto, alguns sinais onde havia um riso largo na boca, mudou a intensidade da luz que ainda me habita.

Mas os sentimentos são os mesmos.

E o inatingível continua sendo atingido apenas em sonho.

A canção te trouxe mais uma vez em suas asas de sons e, sentindo-o tão presente, é necessário que eu me tranque em meus sonhos para te sentir mais perto, bem perto, bem mais perto, para ouvir tua respiração, sentir teu calor, habitar o teu silêncio.

Quando acordo já é noite.

Está frio, preciso entrar.

Mas… como preciso entrar se até agora estava caminhando dentro de mim mesma?

E Joanna canta “aonde foi que eu perdi o teu sorriso e trouxe pros meus dias a saudade… o que será que posso mas não faço e deixo me morrer em agonia…” 

Em um derradeiro aceno, olho para as poucas estrelas visíveis no céu e confio um segredo ao meu coração: os sentimentos ainda são os mesmos.

Amo-te!

 

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