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Posts Tagged ‘orvalho’

 

Outono

 

 

 

Vesti o outono

meio frio, meio vento

e minha Alma se aquietou

.

Enfeitei meus cabelos

com folhas amarelas, secas

e minha Alma se agitou

.

Calcei caminhos úmidos

de orvalho e saudade

e minha Alma baixinho chorou

.

Depois dormimos

as duas

sem vontade de abrigo

porque abrigo não existe mais

.

Ao alvorecer vestimos

as duas

o sol nascente nos passos

nos olhos, nos gestos

.

Minha Alma cantava

eu, em silêncio a ouvia

para que o outono fosse embora

libertando meu riso

 

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.

” Foi o tempo que perdeste com tua rosa que fez tua rosa tão importante”.

Antoine de Saint-Exupéry

.

.

Sem pedir licença, esta lembrança vai me pondo em sobressaltos, impregnada de  emoção e pranto.

 

Um dia tornaste-me tua rosa.

Fui tua rosa.

Regaste-me mais do que eu a ti, muito mais.

Plantaste-me, definindo com cuidado os tons das pétalas, a sustentação do caule, as folhas farfalhantes ao vento  e meu perfume suave, porém marcante.

Espinhos também, para que eu pudesse me defender caso tu adormecesse.

 

Um dia veio a vontade de libertar-me.

Tudo parecia triste, pequeno, solitário.

No meio da noite imóvel talhei meu caule sem vacilar.

Fugi do teu canteiro que meu também era.

Mas tu, jardineiro de minha alma, me encontrando mesmo assim, continuaste visitando-me e regando-me, agora com o silêncio da tua dor.

Não me perguntaste sequer se eu havia sido roubada e replantada neste outro canteiro ou se sozinha fugi.

Deste-me vida e nada pediste; em troca, nada te dei.

 

Depois de chuvas e sóis, no antigo canteiro outra flor nasceu.

Outra rosa, uma rosa que você plantou, não sei bem se com o mesmo cuidado, o mesmo riso matinal, o mesmo beijo carinhoso, cantando os mesmos versos de amor.

Outra rosa… lembra-te?

 

Embora eu soubesse da nova vida em teu jardim, quando passavas por perto da minha contínua solidão (de nada adiantou-me fugir), eu apenas sorria e perguntava se estavas bem.

Mas meu coração gritava sufocado, perguntando se por ventura brotara alguma folhinha, alguma florzinha de meu pé esquecido lá no canteiro, ou se ele havia morrido de vez.

 

Hoje resta o orvalho em mim.

Cresci, é verdade; hoje meço dez pétalas, cinco folhas e uma haste.

Os espinhos, perdi a conta.

para meu primeiro amor

1.971

 

 

 

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