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Posts Tagged ‘papel’

 

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Quando o poeta pensa

pare palavras

que passam de sua pena

para o papel

 

Desenha poemas

desenha suas penas

desenha pontos reticentes

de ternura e saudade

 

Depois enxuga os olhos

e volta a sonhar

 

 

 para meu querido poeta Álvaro Alves de Faria

 

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Trazia a pequena urna nas mãos.

Com muito cuidado, delicadeza e com um sentimento de profunda ternura por aquela que houvera sido.

Entrou no elevador sem deixar que a porta se fechasse.

Acionou um botão e a porta de aço, no fundo falso do elevador, se abriu fazendo um ruído de séculos, mostrando atrás de si um depósito de grandes proporções.

Com algumas teias de aranha, uma claridade tênue que brotava de algum lugar, cheiro de antigo, guarda relíquias preservadas, preciosas.

Com seu vestido antigo azul noite, cabelos presos no alto da cabeça por uma fivela dourada, gestos precisos, porém suaves, ela entrou no recinto.

Abaixou-se, colocou a pequena urna talhada, conforme havia pedido, entre outros pertences.

Foi quando ouviu o barulho de alguém tirando o objeto com o qual havia prendido a porta.

E, pesada, se fechou, aquela do fundo falso, encerrando-a junto aos símbolos que cultivara anos a fio, décadas, séculos…

No corredor apenas um papel amarelo voada de um lado para outro.

Com uma caligrafia acentuada de mulher mostrava a quem quisesse ler Cuidado, não fechar a porta em hipótese alguma.

E por descuido foi fechada.

Achou um canto para si entre as relíquias, segurando a si mesma naquela urna.

Sentiu-se então, uma parte a mais daquele depósito, daquele tempo onde cada peça foi palpitante, essencial, foi vida.

Hoje estão sufocadas pela poeira da solidão.

São apenas peças mortas.

E o papel voava de lá para cá.

No chão, sem rumo.

Agora já sem qualquer serventia.

 

 

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