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Posts Tagged ‘passos’

palhaco4

 

 

Colisão de passos

nariz vermelho

estardalhaço

.

Peruca na mão

picadeiro escuro

fracasso

.

Amigos de saltos

e sustos

meu laço

sem amor e dinheiro

cansaço

.

Mas que mal faço

em pensar

em um punhal de aço?

.

Tentativas

outros passos

esperanças e abraços

me refaço

 

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Secret_Garden.

Diana queria tanto trazê-lo à sua vida ensolarada.

Principalmente quando via os olhos de Antonio turvados e sua face inescrutável, como sombra perdida na escuridão.

 

Diana sabia que lhe  doía a alma, mas mesmo sendo profunda essa cicatriz, mesmo sendo essa a profunda tristeza, Antonio não conseguia roubar a vontade que Diana sentia em vê-lo em pleno dia de muita luz.

Antonio sorriria um pouco, ainda que não fosse para ela, mas se a visse sorrir, Diana apostava que Antonio sentaria entre as flores no canteiro do jardim e cantaria uma de suas canções prediletas, aquela que só os pássaros cantam e que só os anjos entendem.

 

Ainda sorrindo, mesmo que silenciosa, Diana o pegaria pelas mãos e o levaria até a soleira da porta da casa onde ela deixara seu coração, daquela onde sempre está a pular corda e amarelinha, no compasso dos passos de Antonio.

 E lá Diana o entregaria definitivamente ao sol, talvez compreendendo  que o que já havia vivido bastasse para que, mesmo sozinha, sua vida continuasse sendo plenamente ensolarada pela lembrança de Antonio.

Afinal, não é assim que as imagens são guardadas dentro de cada um de nós, perguntou Diana a si mesma, enquanto virava a esquina, sem antes deixar de ver Antonio conversando com um esquilo de olhos brilhantes que lhe oferecia uma noz.

 

E Diana seguiu mais sozinha que nunca, levando em seu peito um vazio frio, calado, profundamente molhado de emoções tão fortes, de adeus.

Seguia quase que em transe, trôpega, com palavras costuradas na boca, porém com uma leveza assustadora no corpo e tudo porque, com seu gesto, estendeu a Antonio o pouco de paz que ainda havia dentro de seu coração.

A dor, a dor, ah! dor…

  

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Saudade IV 

 

Parada diante deste mármore negro e gélido, não consigo pensar em nada.

Meus olhos não conseguem desviar-se de teu nome nesta lápide.

Quero olhar para este anjo de bronze que tão bem esculpido foi, mas não consigo.

Imóvel, apenas sinto o vento frio do outono, as folhas correndo pelo chão, como se tempo houvesse para mais algum pedido ou esperança.

Meus olhos se turvam, mas meu coração está em paz.

Teu nome cravado em minha alma tenta mostrar a razão de todos os sentimentos em que me procuro em vão.

 

 

Penso em nada.

Lembro-me de meu mestre que diz, Para se entrar em estado de meditação é preciso que não se pense em nada.

Não consigo; nada, para mim, possui forma, cor, peso, aroma, calor, dor.

Penso em nada.

 

 

Não te trouxe uma flor sequer.

Sei que sempre dizias que flores foram feitas para serem apreciadas, não para serem colhidas e, assim, mortas.

Mas a natureza, generosa, enfeitou este lugar que ainda penso não ser o teu.

Não trouxe nada.

Nenhuma novidade para compartilhar, alguma dúvida a indagar, muitos dos medos a me rondar.

Nada.

 

 

Veio-me um pensamento.

A primeira coisa que nos dão nossos pais ao nascermos é um nome e, depois de trilhado o caminho que nos cabe, tornamo-nos apenas esse nome.

Esculpido em uma pedra.

Acho que é daí que vem aquele adágio, Vamos colocar uma pedra nisso e seguir em frente.

Uma pedra, um nome; será mesmo só isso?

 

 

A tua passagem por minha vida hoje me parece um sonho.

Quando foste embora, adormecemos os dois; tu do lado da tua nova descoberta, eu aqui seguindo ao lado de meus passos, fazendo-me de mansa para brincar de aceitar situações.

Perdas.

Sonhos em vão.

 

 

Tiro a luva da mão direita e atiro um beijo para o teu nome, é apenas o teu nome que ali está, eu sei.

Um beijo de saudade, de carinho, de dor, de vontade de ouvir novamente tua voz, teu riso, tua postura de príncipe que sempre foi.

Deixo que as folhas de outono permaneçam sobre o mármore; já não precisas de adornos porque tu és a própria luz, embora o céu esteja cinzento e comece a chover.

 

 

Abençoe-me, é só o que peço, e olhes sempre e um pouquinho para mim.

Preciso tanto do teu amor para poder prosseguir.

 

 

 

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