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Posts Tagged ‘paz’

 

rosa rosa vermelha

 

 

Toda noite converso com minha Rosa.

Como Agostinho o fazia e era santo.

Eu, então, devo fazê-lo sempre, pois de santa só tenho o nome, dado por meu pai que também era devoto de Agostinho.

Às vezes sinto minha Rosa resplandecente! De outras, quieta, me olhando, me ouvindo, com aquele sorriso de compaixão que somente uma Rosa sabe sentir.

Mas, mesmo assim, silenciosa, não deixa nunca de espargir seu perfume, como que me incensando das impurezas que criei, para que eu possa dormir em Paz.

Conto para minha Rosa como foi meu dia (como se ela não soubesse!) e cada um dos fatos consequentes de meus atos.

E coloco-os na balança.

O que foi bom mas que eu poderia ter feito melhor.

O que fiz e que não deveria ter feito.

O que não fiz mas que poderia ter feito.

O que foi ruim e que não devo deixar se concretizar novamente.

No embalsamamento, os egípcios retiravam os órgãos vitais do desencarnado e os guardavam em quatro urnas que eram depositadas, posteriormente, dentro do sarcófago.

Assim é que minha Rosa me alerta para esse simbolismo que, como os egípcios, levarei comigo somente as quatro reflexões que Agostinho fazia a cada final de seu dia.

Ou seja, a capacidade de discernir o dever e o poder; não o poder que exacerba a humanidade, mas o de ter clareza para se transmutar o tempo que for necessário, a cada oportunidade.

Por isso, converso sempre com minha Rosa.

Ela me fortalece, Ela me anima, Ela me ensina e mostra a importância das pedras no caminho, tanto e quanto um raio de sol.

Boa noite e obrigada, minha Rosa, pela pouca paz que já encontrei.

Ah! como é linda minha Rosa!

 

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luz

 

A data comemorativa da Páscoa passou.

Tenho um pouco de receio dessas grandes datas.

Natal, Dia Internacional contra o Racismo, Abolição da Escravatura, Dia da Independência, Dia Internacional da Poesia e até do Dia dos Pais e do Dia das Mães, entre outras.

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Para a maioria dura apenas vinte e quatro horas.

Para o comércio, algumas semanas a mais.

Para os atos cívicos ou litúrgicos, algumas horas; o suficiente para que se execute um hino, um ritual, uma apresentação.

A Páscoa, por exemplo, dura apenas enquanto o chocolate derrete na boca? E depois?

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Depois, um vazio.

Os votos voam como fumaças inexpressivas pelo ar; se vão para longe, se perdem no espaço, somem de vista.

E sempre me pergunto Por quê, se nosso coração está aqui tão perto?! Por que não fazer dele um cofre depositário de nossos verdadeiros votos e emoções?

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Fala-se em renovação, em recomeço, em ressurreição, mas… e o propósito, será que firmou-se como âncora em nossa consciência ou voou como palavras ao vento?

Ouvi alguém dizer, em uma aparente e eufórica alegria que, de tantos amigos que tinha nas redes sociais, levaria o dia inteiro mandando mensagens e mensagens.

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Não sei se sou muito antiga, mas isso também me assusta.

Muitos chocolates, muitos amigos, muita euforia, risos e alegrias exagerados que só afloram nesses pequenos momentos.

Enfim, quantidade e não qualidade.

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A qualidade exige integridade em não se dizer o que não se sente ou o que não se tem condições de realizar por pura falta de conhecimento.

A qualidade exige força de vontade, discrição, observação, bom senso.

A qualidade exige humildade, compaixão, atenção.

A qualidade exige harmonia, serenidade, mesmo que em meio a um turbilhão.

A qualidade exige interesse, cuidado, carinho, amor.

A qualidade exige sabedoria.

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Mas é muito mais fácil colecionar uma quantidade de alguma coisa, não dá trabalho algum, não exige nada; apenas, talvez, saber contar até mil ou um milhão, tanto faz.

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É muito importante e prazeroso ter amigos, mas amigos de alma!

Recebi uma mensagem de um querido amigo que, sufocado pela leviandade das aparências, pedia um basta às palavras inúteis e um sim à reflexão sobre atitudes nobres; realmente uma mensagem de apelo que brotou da sua profunda forma de viver verdadeiros valores.

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Claro que há o outro lado da moeda, sabemos disso.

Como no dia em que uma pessoa muito experiente me perguntou se eu já havia desejado um sorridente Bom Dia para uma pessoa desconhecida na rua.

Eu quis sentir qual era essa sensação que ele tanto enfatizou e assim o fiz.

Fui mal interpretada e agredida verbalmente.

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Há pedras em todo caminho, por todo o caminho, mas não se pode desistir de um caminho divinamente traçado por causa de pedras, simplesmente.

Há pessoas que preferem atirar pedras; acham engraçado e sentem prazer e poder em assustar e ameaçar o outro.

Mas há aquelas que preferem observar as borboletas que fazem de seus casulos, seus corações; aquelas que preferem guardar em suas retinas seu despertar, seu primeiro impulso para a luz, suas cores, sua leveza, seu encantamento, seu voo de paz, e depois poder transformar essa sensação única em gestos que, se traduzidos, significam Renovar.

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A cada ação, a cada sorriso.

Em todos os momentos da vida.

 

 

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cão e gato

Aprendemos a falar de amor para quê?

Somente para enaltecer a beleza da Natureza, o amor incondicional dos animais ou do ímã que existe entre os seres terrestres e espaciais?

 

Cabe a nós que ainda sonhamos, a nós que trazemos no peito um coração incansável que canta, dança, pula e brinca como criança; cabe a nós amenizar a dor e o desamor que assola não só o nosso ou outros povos, mas toda a humanidade.

 

É um fardo pesado sim, muitos não aguentam, desistem à margem da tentativa!

Mas é um fardo que nos faz crescer, amadurecer, porque nos ensina lições preciosas, inesquecíveis.

 

Somente no final do ano a maioria dos humanos deixa aflorar seu potencial (os animais irracionais fazem isso durante todos os dias de suas vidas…. e nós é que somos inteligentes); todos sorriem, se beijam e se abraçam, se presenteiam e se desejam uma felicidade que, na verdade, não conhecem.

Fitas coloridas, árvores enfeitadas, mensagens radiantes… amorzinho, amiguinho, irmãzinha e outras “inhas” para demonstrar a gratidão acumulada durante todo um ano e que agora explode como fogos de artifício.

 

Cabe a nós que ainda sonhamos, a tentativa de “virar” a maioria das pessoas no avesso e assim, ajudá-las a externar suas luzes e descobrirem através de atos, e tão somente de atos, que não há necessidade desse represamento de emoções.

Cabe a nós mostrar que podemos tudo e sem brincar de Polyana, com o pé sempre no chão e o coração nas estrelas.

 

Afinal, quantas vezes já sorrimos quando, por dentro, chorávamos?

Quantas vezes edificamos no momento exato em que, por algum motivo, estávamos sendo destruídos?

Quantas vezes caminhamos para incentivar, quando na verdade pensávamos em parar, ficar, se acomodar?

 

Somos todos iguais, passamos pelas mesmas alegrias, dores e necessidades; aquele que diz sofrer mais é porque já atingiu a fase da cegueira e só pensa em si ou faz de si uma vítima.

A única diferença é que uns conseguem sonhar, outros não.

Os que sonham nunca tiram os pés da atualidade (verdade) e nem os olhos do céu; e assim se fortalecem e entendem seu papel na história do Universo.

Faça de você uma ideia maior.

 

Por esta razão desejo, sim, um Natal de Luz e muita Paz, mas não apenas uma passagem de ano alegre, com músicas altas e bons presságios; não quero desejar apenas palavras que possam  se perder no decorrer do tempo.

Desejo sim, que os anos do resto de nossas vidas passem por nossas emoções profundas e ações marcantes.

 

Para isso aprendemos a falar de amor.

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Secret_Garden.

Diana queria tanto trazê-lo à sua vida ensolarada.

Principalmente quando via os olhos de Antonio turvados e sua face inescrutável, como sombra perdida na escuridão.

 

Diana sabia que lhe  doía a alma, mas mesmo sendo profunda essa cicatriz, mesmo sendo essa a profunda tristeza, Antonio não conseguia roubar a vontade que Diana sentia em vê-lo em pleno dia de muita luz.

Antonio sorriria um pouco, ainda que não fosse para ela, mas se a visse sorrir, Diana apostava que Antonio sentaria entre as flores no canteiro do jardim e cantaria uma de suas canções prediletas, aquela que só os pássaros cantam e que só os anjos entendem.

 

Ainda sorrindo, mesmo que silenciosa, Diana o pegaria pelas mãos e o levaria até a soleira da porta da casa onde ela deixara seu coração, daquela onde sempre está a pular corda e amarelinha, no compasso dos passos de Antonio.

 E lá Diana o entregaria definitivamente ao sol, talvez compreendendo  que o que já havia vivido bastasse para que, mesmo sozinha, sua vida continuasse sendo plenamente ensolarada pela lembrança de Antonio.

Afinal, não é assim que as imagens são guardadas dentro de cada um de nós, perguntou Diana a si mesma, enquanto virava a esquina, sem antes deixar de ver Antonio conversando com um esquilo de olhos brilhantes que lhe oferecia uma noz.

 

E Diana seguiu mais sozinha que nunca, levando em seu peito um vazio frio, calado, profundamente molhado de emoções tão fortes, de adeus.

Seguia quase que em transe, trôpega, com palavras costuradas na boca, porém com uma leveza assustadora no corpo e tudo porque, com seu gesto, estendeu a Antonio o pouco de paz que ainda havia dentro de seu coração.

A dor, a dor, ah! dor…

  

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Pedras brutas

brilhantes de chuva

da madrugada ao amanhecer

 

Escorregadias

como os açoites nas costas

de cada negro acorrentado

 

Ouço em mim

os cascos dos cavalos

tropeçando contorcendo-se

em seus vãos

 

Sinto dor frio fome

no entanto nada valem

perto das caravanas

que aqui passaram

 

Por um momento

voltando-me para onde meus passos me levam

deparo-me com aquela pousada

onde deitávamos nossas tristezas

  

Lágrimas misturam-se

com chuva e gritos

escondo-me, na porta da igreja,

das nossas descobertas doloridas

aqui em Paraty

 

Seguindo trilhas de escravos

até o forte até o canhão

até aonde diziam defender esta pátria

mas que matavam braços fortes de trabalho

com seus duros corações

 

Pedras brutas

brutos homens

que brincavam de paz

 

 

 

 

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h e m.

Porque choras, criança?

carregas em teus gestos

uma porção de coisas cheias de dor

 

Deixa que eu te embale em meus braços

nestes braços que nunca estreitou um filho

mas que sabem se fazer de carinhos

 

Olha para mim, criança

vês que mesmo tendo os olhos marejados

coração flechado

é possível se sonhar

 

Deixa que eu toque em teu corpo

beije teus cabelos

afague tua alma

 

Se preciso for, choro contigo

se preciso for, morro contigo

se preciso for, sempre contigo

 

Deixa que seja preciso, criança

prometo depois de amá-lo

adormecê-lo em paz

 

 

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NATAL

pomba da paz

PAZ

 

AOS HOMENS

 

DE BEM

 

 

 

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