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Posts Tagged ‘pedido’

 

 

Início de um ciclo, na continuidade de tantos outros.

Borbulham lembranças em minha pele; cheiram a mel, a ternura, principalmente a saudade…

 

Brincávamos com tudo o que nos haviam presenteado nossos pais, avô e padrinhos, no quintal de nossa casa.

Era manhã, fazia sol, nossos risos envolviam as flores, as plantas e aquele céu azulzinho, azulzinho, sem uma nuvem sequer.

 

Foi quando mamãe, preparando uma deliciosa sobremesa, pediu para eu pegar algo de que precisava, na quitanda da esquina de casa.

Mamãe sempre fazia isso e eu sempre atendia seu pedido.

Mas naquele dia eu queria ficar junto a meus irmãos, brincando, correndo, simplesmente rindo ao tempo.

Puxa, mamãe! a senhora tem cinco filhos mas só pede para mim!?!

Quem sabe, no caminho, você encontra seu príncipe encantado! respondeu ela, sorrindo.

 

Ah! como minha mãe me conhecia, sabia de meus desejos secretos…

Fui pega de surpresa, incrível!, um pensamento que nunca me havia ocorrido nas tantas vezes que já havia feito aquele trajeto.

Acreditei.

Acreditei e fui.

Quem sabe, viajando na mesma caravana dos reis magos, eu pudesse encontrar um príncipe que, ao contrário dos outros que levavam presentes ao Menino, estivesse trazendo um presente para mim, para encantar meus olhos, meu sorriso e fazer bater mais forte meu coração.

Era Dia de Reis de um ano que mora em mim.

 

 

Como disse em anos anteriores, por vários motivos íntimos escolhi esta data para inaugurar meu blog que hoje completa quatro anos; uma criança que engatinha entre as palavras, na esperança de nelas depositar a simplicidade, a sinceridade e todo o amor de seu coração.

 

 

 

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oferenda

Com uma guirlanda de flores do campo nos cabelos e um cesto repleto de plumerias, mais conhecidas como jasmins-mangas, entrei nas águas do rio até onde me foi possível.

Nesse ponto depositei-o com cuidado e assim começou a navegar junto à correnteza, de início lentamente, depois rápido como se sentisse a urgência de logo chegar.

 

Saí do rio e pela margem fui acompanhando seu trajeto; para tanto era necessário às vezes subir morros, descer, andar rente à margem, sem perdê-lo de vista.

Assim caminhava, reforçando em minha mente a oferenda que ali depositei: a melhor parte de mim.

Como se me fosse permitido ser o quinto rei mago de uma história bastante conhecida por todos, onde dizem que na verdade eram quatro, mas três à manjedoura chegaram.

 

E vendo o cesto a rodopiar nas águas como que acenando para as outras flores e plantas e árvores e céu e aves, tudo que compõe aquele paraíso, ousei fazer um pedido ao Jesus menino:  renovação.

Da ternura, da serenidade, dos sonhos, da sensatez, da amizade, da alegria, da dignidade e da solidariedade entre todos os Homens, não somente os de bem.

 

No trajeto havia uma pequena queda d’água, mas o cesto resistiu e minha oferenda seguiu rio a dentro: um riso ingênuo, um soluço silencioso, algumas alegrias, muita saudade, pequenos planos, agradecimentos às pessoas que de uma forma o outra me ensinaram algo de importante, enfim tudo o que venho guardando nesta pequena caixa de veludo vermelho e sem chave dentro de mim, à esquerda de meu peito e que sempre lá estará a pulsar, não por toda a minha vida e sim, por toda a minha existência.

 

Permiti-me a mais um desejo, já que me sinto tão próxima e amiga desse Menino: uma vontade imensa de poder viver tempos melhores, mesmo que os caminhos se me apresentem ainda  pedregosos e silenciosos.

 

A curva do rio levou minha oferenda e meu pedido à Criança renascida; não pude mais acompanhá-los com os olhos, apenas com a alma.

 

Não pude deixar de lembrar os três anos que este blog completou, este espaço onde conto de meus sentimentos e emoções. Uma oferenda que faço durante o ano todo para aqueles que ainda acreditam no amor.

 

 

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Súplica

Por favor, Senhor, abra Tua porta para mim.

Apesar de não ter roubado quem quer que seja, não sei se mereço, mas peço.

Apesar de não ter matado nem física, mental ou moralmente alguém, mesmo assim não sei se mereço, mas peço.

Apesar de ter judiado uma vez de algumas avezinhas quando pequena e disso nunca vou me esquecer e nem me perdoar e de ter comido formigas porque minhas amiguinhas do jardim da infância diziam ser bom para a vista, alegando que nunca tinham visto uma formiga de óculos, sei que não mereço, mas peço.

Apesar de continuar cometendo pecados diversos e adversos, nunca caluniei ou difamei ninguém; não sei se por assim ser, isso possa contar como ponto a meu favor; por isso, peço.

Apesar de ter deixado dois companheiros à margem de minha vida antes que nos apunhalássemos , infeliz que fui morrendo um pouco a cada dia, e assim infelicidade causando a eles, não sei se mereço, mas peço.

Apesar de meus pais terem partido na flor da minha idade; de meu irmão, totalmente contra sua vontade, ter me deixado a falar sozinha; de meu avô continuar semeando saudade nos meus dias e nas noites também; apesar de todas essas perdas, Senhor, nunca blasfemei achando que não merecia; por isso, peço.

Apesar de tentar ser uma boa irmã, uma amiga verdadeira, uma aprendiz atenta, uma mulher silenciosa porém vívida, não sei se o sou, mas mesmo assim, peço.

Apesar de escrever fielmente o que sinto, de ser perdidamente apaixonada por livros e músicas, não sei se mereço, mas peço.

Apesar de amar o irremediável, talvez não mereça, mas peço.

Por favor, Senhor, abra a porta e deixe que eu saia.

Não consigo mais ficar trancafiada aqui neste corpo, tamanha é minha aflição.

Ou talvez eu não mereça mesmo, talvez esteja tudo de acordo com o que deve ser.

Mesmo assim, peço.

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Meu Anjo,

Li seu pedido e não sei o que fazer.

Geralmente acontece o inverso, mas fico contente em saber que você também conta comigo.

Tentei cuidar de sua asa, mas parece que não foi o suficiente, agora a perdeu.

Não sei como ou onde procurá-la, pois nem asas tenho.

Também não sei onde fica essa vila de pessoas felizes que você tanto diz, senão lá me infiltraria, me impregnaria com sons e risos e os levaria à você, numa caixa linda de nuvem, com fita da cor de seus olhos só para contrastar.

Por certo, enquanto estivesse distraído em desamarrá-la, eu faria um carinho em seus cabelos e cantaria baixinho, até que você fechasse os olhos devagarzinho… e assim sonhasse, um pouco que fosse, para que a falta de sua asa não causasse tantas aflições…

Depois você acordaria lentamente e enquanto eu fizesse bolinhas de sabão e as soltasse pelo campo, pelo vento, pelo silêncio, você haveria de fazer algum verso, eternizando esse momento de suavidade e leveza, de simplicidade e realeza.

Não se importe em permanecer silencioso porque, você sabe, as palavras às vezes adormecem diante do que um perfume, um toque, um sabor, um olhar possam passar…

Eu poderia emprestar as asas de outro anjo para procurar a sua, ferida e perdida, mas também não sei voar.

Por isso, meu anjo, não sei como atender seu pedido, escrito nesta estrela que seguro em minhas mãos.

Mas caminharei o quanto for necessário para encontrar sua asa e também a essa vila, nem que para isso eu fira fundo meus pés.

Como já disse, não tenho asas, apenas sonhos.

 

 

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