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Posts Tagged ‘permanencia’

Vem

 

 

Vem correndo, meu amor

Corre para no meu sonho entrar

e entrando

traga junto com teu riso

um afago, um afeto

traga teus balões

carrinhos

 

Tua gargalhada doce

teu olhar de certezas

hoje és a criança

a desvendar meus anseios

no vento veloz do teu patinete

 

Mesmo que eu acorde, meu amor

continue brincando

me inebriando

com tua boca macia

de veludo e luz

 

 

Á noite, meu amor

faça eu dormir novamente

conte-me tuas travessuras

teus desenhos na areia

teu olhar acompanhando os barcos

em movimento

 

Vem correndo, meu amor

eu só faço te esperar

 

 

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Noite intensa

silenciosa

árvores profundas e estáticas

pressenti tua chegada

 

Apenas a lua imensa

brilhando em um céu imenso

onde imensos são meus sonhos

testemunhava

  

Nada denunciava tua presença

mas te pressenti

como uma brisa

um roçar de beija-flor

 

Pressenti teus olhos demorados

mornos, molhados

em meu corpo sonolento

 

Teu desejo desenhando-se

lentamente

em tuas mãos

 

Pressenti teu rosto

em meu rosto

ar que me faltou

 

Depois de um sussurro

um cálido  afago

pressenti tua partida

no mover das cortinas

 

 Levaste em tuas mãos

a maciez dos meus seios

e em teu vôo

minha alma

 

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Ontem à noite Ruth convidou-o a dormir em sua cama.

Enquanto lia Vargas Llosa, ele assistia ao noticiário, tomando nota de algumas coisas com certeza para seu texto do dia seguinte.

 

Já bem tarde Ruth largou do livro e quando se virou em direção a ele, surpreendeu-se com seu olhar; não pelo fato dele olhar para ela, mas, sim, da forma com que o fazia.

Parecia que sua boca sorria, seus olhos divertiam-se com coisas que só ele via, sua fisionomia suave indagava e respondia.

Quando seus olhos se cruzaram com os dele … não conseguiu se concentrar em mais nada.

Olhos de avelã… gemeu baixinho.

 

Abraçaram-se, sentindo seus corpos, seus contornos e entornos…

Beijaram-se beijos de eternidade.

E tiveram uma noite de carinhos, de afagos, de carícias e arrepios.

De risadas baixinhas, de palavras sussurradas aos ouvidos, nos olhos.

E assim, como duas crianças adultas adormeceram.

 

Pela manhã, quando Ruth tomou consciência do quarto, dos móveis e da luz entrando pela janela, o primeiro pensamento que lhe veio foi… olhos de avelã.

Espreguiçou-se e procurou-o no outro travesseiro.

Ele dormia profundamente.

Ruth ficou a observá-lo, querendo adivinhar em que estrela estaria, com quem conversaria, se alguém amaria como a amou na noite que passou…

 

Ontem Ruth o convidou.

Hoje, quando no quarto entrou, ele já estava deitado, assistindo a um programa sobre Picasso, o pintor.

Estava tomando seu chocolate e a chamou para deitar-se.

Em cima do travesseiro havia um botão de rosa rubro como seus lábios, ao lado de seu livro, que não sabia se iria ler.

Ah! olhos de avelã… suspirou Ruth, beijando-o antes de adormecer.

Mas Ruth só adormeceu depois das três horas da manhã.

 

 

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