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Posts Tagged ‘perversidade’

Foi assim

 

 

Suzana era perversa.

Invejosa e esnobe.

Não gostava de estudar e procurava em tudo, facilidades.

Muita coisa para uma menina de dez anos.

 

Mariana, ao contrário.

Menina observadora e estudiosa.

Derretia-se diante da doçura dos animais.

Havia entre as duas um suportável convívio mantido pelas tolerâncias de Mariana.

 

Até que um dia se cansou.

Achou necessário soltar seu demônio interior.

Deixou que ele quebrasse tudo à frente, berrasse sua agonia, rasgasse sua aparência.

 

Suzana ficou assustada.

Em um primeiro momento quis encarar aquela Mariana desvairada.

Depois, encolheu-se a um canto esperando a tempestade passar.

Mas não passou.

Mariana veio em sua direção, olhos vermelhos, gargalhando, dedo em riste.

Puxou os cabelos de Suzana até que ela uivasse de dor.

Escancarou a janela, empurrou meio corpo de Suzana para fora, fazendo-a tremer de pavor.

Olhou fundo em seus olhos assustados e disse profunda e lentamente, Nunca mais me aborreça com suas maldades, ouviu bem?

Suzana jurou-lhe obediência e quando por ventura se esquecia, Mariana apenas lhe lançava um olhar aterrador, o suficiente para que ela se redimisse.

 

Papéis trocados.

Mariana não tinha mais tempo para estudar ou pintar. Divertia-se em imaginar como amedrontaria Suzana, criando situações para, por nada, encostá-la na parede.

 

Para distrair-se e nada fazer de errado, Suzana começou a dedicar-se à leitura, aos estudos, à música, qualquer coisa que lhe exigisse concentração, desviando assim seus olhos e seus pensamentos de Mariana.

Foi esse o caminho que Mariana escolheu interpretar para que Suzana deixasse de ser perversa.

 

À noite, já deitada no escuro, Mariana ria baixinho; virava para o canto e, agora sim, conseguia dormir sem medo algum.

 

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