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Posts Tagged ‘poder’

 

Fui criada sob as asas do catolicismo, estudei em colégio de freiras até meus 12 anos, além de seguir os exemplos de um pai de muita fé que pertencia à Ordem Terceira de Francisco de Assis, e também sob os cuidados de um avô que só não se ordenou padre porque ficou perdidamente apaixonado quando viu pela primeira vez a foto de minha avó, na ocasião a nova professora, na mesa de seu mentor espiritual.

Mas essa é outra história, linda e de amor, que um dia contarei.

Como dizia, aprendi cedo a dar importância ao desenvolvimento de minha espiritualidade e, embora hoje eu já não abrace o catolicismo como minha religião, tenho minhas crenças claras e conscientes, os alicerces que trazem o equilíbrio para os prováveis maremotos e terremotos da vida.

Foram esses os meus pensamentos quando deparei, chocada como muitos, com a renúncia de Bento XVI.

Alicerces, pilares, estruturas, qualquer que seja o termo, ali, diante de meus olhos, via a instituição da igreja ruindo, implodindo em seus próprios desmandos, num desespero último.

Era necessário que houvesse uma justificativa a dar ao mundo: uma queda onde o papa bateu a cabeça não sei em que país; a idade avançada, sua precariedade física…

Veio-me à mente a imagem da grave enfermidade de João Paulo II e sua perseverança suprema em levar sua missão até o fim, sem abandonar o barco de Pedro.

Este foi o exemplo que deixou, mas entendido por poucos.

Assustei-me com o que via e ouvia, eu e o mundo.

Devagar algumas razões começaram vir à tona, clareando e dando embasamento ao seu ato extremo.

Tenho acompanhado todo o impasse que essa atitude deflagrou e, surpresa, vejo agora em sua fisionomia, além do cansaço e dor, um certo alívio e serenidade.

Fico estarrecida com a supérfluas preocupações que assolam a imprensa e a curiosidade banal de muitas pessoas.

Bento XVI não está preocupado com a cor de batina  que usará, como será chamado, se terá poder na cúpula da igreja, se seu anel será partido, se quando morrer será sepultado ou não na basílica de Pedro.

Isso só deve aumentar sua angústia, porque nada disso o preocupa e sim, o caminhar da humanidade que busca apenas poder e luxúria, ganância e mediocridade, quase sempre em nome de Deus.

Há que se recolher e rezar muito por todos nós.

O quadro que se mostra acentua o caos.

Se a igreja, como instituição mais sólida assim se nos apresenta, podemos imaginar os outros segmentos, ou seja, a sociedade corrompida, a política corrompida, o ser humano em franca corrupção.

O que restou?

Não registrarei aqui nenhuma exemplificação desses três pilares completamente corroídos, estamos cansados de lê-los e sabê-los.

Também tão pouco não vou me estender sobre títulos e chamadas sensacionalistas de revistas desta semana de, no mínimo, extremo desrespeito e mau gosto.

Ouvi um jovem dizer Io non vedo il Papa vicino a noi, giovanni.

Se eu lá estivesse lhe diria, É porque ele está muito preocupado com as raposas e lobos ora espalhados, ora atocaiados pelo mundo, até dentro do Vaticano.

O sacrifício de Bento XVI me constrange, cega que sou para tão profundos entendimentos.

Sua visão do futuro próximo faz com que renuncie, que se retire, isole-se de um mundo totalmente contaminado; não para não se contaminar, mas para, no seu infinito amor, pedir mais uma vez, como Jesus já o fez há três mil anos atrás, Pai perdoai-os, eles (ainda) não sabem o que fazem.

 

 

 

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Mais um palhaço

 

no picadeiro

 

e o povo

 

no globo da morte

 

 

 

 

 

 

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Quem sou eu

para que a onda do mar venha até onde estou

e se quebre aos meus pés

em espuma e murmúrios

 

Quem sou eu

para que o mar permita que eu brinque e pule e cante

enquanto envolve meu corpo

em força e poder

 

Quem sou eu

para que o sol mostre as ilhas ao redor e os navios tão distantes

a gemerem seus lamentos

ao mais profundo do oceano

 

Quem sou eu

para que o Tempo traga lembranças em seu manto

vividas em outras praias

fazendo-me ver criança a catar conchinhas para castelos enfeitar

 

Quem sou eu

para que a lua me banhe com clarão e lágrimas

por sentir no ar o perfume dos que já se foram

sem algum vislumbre dos que virão

 

Quem sou eu

para que esta escuridão da noite me trague por inteira

sentada nesta pedra

onde brilha a imagem de uma oferenda aos céus

 

Quem sou eu

para que o Universo me presenteie com esta brisa carinhosa

que faz esvoaçar meus cabelos

minha alma

 

Quem sou eu

para que Itararé de São Vicente me acolha em seus braços

com tanta doçura, magia e leveza

 

Quem sou eu

pergunto ao silêncio embriagador do por do sol

um pequenino grão de areia responde-me ele

beijando-me a boca e o riso

como se faz a um eterno amor

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