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16 de Maio de 2014

 

 

Desde pequena ouço que carinho não se agradece porque é a forma mais pura de entrega de um ser para outro.

E assim cresci pensando que, o que eu pudesse de bom fazer aos outros, não haveria que esperar palavras de reconhecimento.

O ato valeria (e vale) por si só.

 

Mesmo que eu quisesse contrariar o que aprendi, as palavras tornam-se, neste instante, pequenas demais.

Não há como agradecer a noite mágica que cada um teceu com sua alegria, sua palavra, seu elogio, seu olhar, seu gesto de cuidado e ternura ao meu redor.

Minha família e meus amigos que cultivo há tanto tempo que é impossível precisar em uma só vida; meus poetas do coração; meus parentes.

Alguns queridos não puderam estar presentes, mas sei que naquele momento vibravam por mim.

 

De coração aberto à brisa da felicidade, agradeço esse sentimento tão grandioso que permanecerá gravado para sempre na retina de minha alma.

Por certo, esse carinho que vocês me dedicaram afagará meu coração por toda a minha eternidade.

Com a mesma alegria, doçura e vida que vi em cada um de vocês, curvo-me e reverencio a todos e a cada um, por me deixarem participar de suas vidas.

 

De forma mais sutil, reverencio a presença de meus pais, meu querido irmão João, meu avozinho, meus padrinhos, tios, primos e também alguns amigos, além da felicidade de minha tia Nini a festejar essa alegria na data de seu aniversário.

Suas luzes continuam iluminando meu caminho.

 

Deixo também meu carinho e agradecimento aos profissionais da Livraria Martins Fontes e ao fotógrafo da Editora Escrituras, que se envolveram neste lançamento com tanto empenho e esmero.

 

À noite, deitada em minha cama macia e quentinha, mas sem conseguir dormir de tanta alegria por ter podido reunir em uma só noite todos os meus queridos, agradeci a Deus pelo amor que tem por mim  e por eu ter vislumbrado tanta luz ao meu redor.

16 de Maio de 2014, mais um portal que se abre.

 

 

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vô Ico                                                                           foto do neto Pedro N. Falseti
.

Depois de 97 anos “Seu” Ico resolveu passear em um jardim ensolarado onde flores encantam os olhos de quem as vê e onde pássaros cantam canções que tocam ao coração. Um jardim que é aberto a todos, mas em momento certo.

Sabia que lá encontraria sua amada Euvira e de seu filho Paulo.

Por certo vão sentar-se em um banco gostoso, à sombra de uma árvore frondosa, contando as novidades mundanas e divinas.

 

“Seu” Ico deixou atrás de si um rastro de lembranças que reavivam neste instante, junto ao amor transbordante que sentia ao reunir filhos, noras e netos ao seu redor.

Sempre observei em seus olhos um brilho intenso que vi somente nos olhos de meu pai; um brilho quase que ingênuo, de uma felicidade plena, mágica.

 

Vamos jogar? era o convite que “Seu” Ico fazia a quem por ele cruzasse.

Lembro-me que uma vez ofereci a ele um baralho novinho em folha, que uma amiga havia me presenteado mandando gravar meu nome em cada carta.

Mas as cartas têm meu nome, “Seu” Ico, eu dizia, Não faz mal, eu aceito, respondia.

Ele ficou muito contente e quando vinha visitar seu filho, meu cunhado, eu perguntava, E aí, “Seu” Ico…está gostando do baralho? ao que ele respondia, Aquele está guardadinho, não deixo ninguém pegar!

 

Lembro-me também de um domingo em que fui almoçar na casa de minha irmã e “Seu” Ico estava lá.

Passado um tempo chamou-me a um canto e disse que ficou sabendo que eu estava morando junto a um companheiro.

E com aquele cuidado de “pai para com a filha” disse-me, Esse moço não é para você; você merece muito mais!

Respeitei sua colocação, mas mostrei-me espantada porque “Seu” Ico nem o conhecia pessoalmente.

Hoje sei que demorei quatro anos para enxergar o que ele enxergou em tão curto tempo.

 

“Seu” Ico, o homem de mãos mágicas, que colocava ossos, nervos e músculos no lugar, num piscar de olhos; nunca estudou anatomia, mas conhecia o corpo humano como ninguém.

E aí, filho, você está bem agora? dizia a um deles, quando colocava sua coluna no lugar.

E não se vangloriava por isso; modesto, demonstrava apenas aquele sorriso de satisfação por ter proporcionado algo de bom a quem quer que precisasse de seus cuidados.

 

Gostava de ganhar presentes e os guardava com carinho.

Gostava das delícias que minha irmã fazia especialmente para ele.

Gostava de cantar e ouvir seus filhos cantando modas de viola, músicas de amor e de saudade.

Gostava de pescar, mas não levava as noras junto; dizia que elas espantavam os peixes de tanto que falavam!

Ah! quase que me esqueço, gostava, não, adorava jogar buraco; as cartas escorriam por seus dedos e ai daquele que ousasse ganhar dele!

 

Tive uma reação atípica no momento em que recebi essa notícia triste.

Costumo parar com a atividade que estou fazendo, concentrando-me em prece.

Pois nesse momento veio à tona as passagens que compartilhei com a família, mas não agi como faço normalmente.

Estranhei-me e tentei entender o por quê. É como se “Seu” Ico não necessitasse de preces, de pedidos, de amparo; sentia-o fazendo parte dos anjos que são amparados por suas próprias asas tão leves, voando diretamente aos céus.

 

Já tarde, deitada no escuro e no silêncio da noite, veio-me uma imagem: a de “Seu” Ico chegando ao céu e, no portal de entrada, com o chapéu na mão, brilho nos olhos, alegria nas faces, encontra com Pedro, contrito, com seu cinturão trazendo várias chaves, inclusive a do céu.

“Seu” Ico sorri docemente e diz a Pedro, Vamos jogar? ao que o santo responde, Agora não posso Ico, estou de plantão, mas encontrará muitos parceiros por aqui! Então dá licença que vou entrar, diz “Seu” Ico, misturando-se entre os anjos, santos e alguns recém chegados como ele.

 

Segunda feira fui com minha amiga até a igreja das almas.

Lá acendi uma vela para ele, mesmo sentindo que “Seu” Ico não precisava.

Mas acendi, somente para que sua luz brilhasse ainda mais.

 

 

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“Nunca estou sozinho

  Porque você bate dentro de mim

 Feito um segundo coração

 A pulsar meus caminhos”

 

                                                                                    Paulo César Falseti

 
 
(do poema Saudade)
 

 

 

 
 

O telefone tocou.

Meia dúzia de frases de minha irmã e aquele momento que o coração dá menos uma batida se repetiu.

Depois a incredulidade.

E depois, no silêncio, veio sua imagem como se aqui você estivesse naquele momento.

Primeiro seus olhos azuis como um céu sem nuvens.

Depois seus cabelos loiros envolventes como o sol das manhãs.

Por fim, seu sorriso aberto, contagiando a tudo e a todos.

Palavras carinhosas e doces, sempre doces em sua boca, de sua alma.

 

Lembrei-me da última vez que nos vimos, no Natal passado, sentados no sofá da sala de seu irmão, meu cunhado, a confidenciarmos sentimentos partidos em cacos doloridos, por amores não correspondidos.

Você olhou no fundo de meus olhos, dizendo que sabia exatamente como era a dor que eu sentia…

E nesse segundo silencioso comungamos nossa solidão interior.

 

Mas logo você sorriu e entregou-me seu livro de poesias – Cartas por Um Dia de Amor – com palavras doces em sua dedicatória: “À querida Isabel, com todo carinho e apreço. Para 2010, um ano cheio de amor para dar e receber. Dezembro/2009. PC Falseti.”

Chamavam-no de PC, você gostava, mas para os íntimos você era Paulo, nome bonito, sonoro, forte.

 

Seu olhar fotográfico ficou registrado em cada sutileza, nuance, luz e requinte de cada foto que escolheu para esse livro.

Seu coração de poeta, eternizado em cada verso.

 

Nossos natais eram momentos preciosos, ocasião em que você conseguia fazer com que esquecêssemos um pouco do mundo lá fora, com seu riso farto e sua voz forte, para nos divertirmos um pouco.

Parece que escuto sua voz a dizer Sentem juntas aqui, irmãs Nepomuceno, vamos registrar esta lembrança; afinal não sabemos quando este momento se repetirá.

 

As lembranças se esvaem, um vazio muito grande me invade.

 

E você vai embora assim, de repente, a 20 dias do Natal, sem um aviso, nos deixando tantas dúvidas do que possa ter ocorrido naquela estrada, de madrugada, sozinho.

 

Mas já não importam as perguntas que ficaram soltas no ar, a levitarem sem respostas.

O que importa é ter nítido na mente que naquele exato ponto da estrada um portal se abriu e por ele você passou.

E hoje você habita a outra dimensão.

Dizem que o momento em que você se foi, é exatamente o horário em que os anjos estão mais perto de nós.

 Na certa você ficou encantado com tanta leveza e magia, que seus olhos fotográficos não conseguiram desvencilhar-se de tanta luz!

Correu atrás delas, para elas e por isso transpuseste o portal.

Com os anjos você está, clicando com sua máquina as imagens, os movimentos e tantas outras coisas que a nossa limitada visão não é capaz de enxergar.

 

Um dia encontrarei meu portal.

Não sei de que forma, mas gostaria que você fosse uma das pessoas a me esperar do outro lado, a me sorrir esse riso cristalino e espontâneo, a me estender as mãos.

Por isso não digo adeus, querido amigo, mas sim, Até Breve.

 

 

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Lembro-me de nossa casa e seu belo quintal.

Lembro-me do sol iluminando sua imensa fachada e do jardim do lado esquerdo, logo na entrada depois da escada, onde as flores sorriam para quem em casa entrasse, ou mesmo para quem do portão olhasse.

Lembro-me do primeiro dia em que escapuli de minha mãe, da pajem e de minha irmã Rosa; abrindo o portão com muito esforço e bem de mansinho, corri para a calçada.

Quantos anos? tres, quatro anos no máximo.

Andava um pouquinho e olhava para trás e pensava: ainda estou vendo minha casa e o portão aberto (eu nunca havia saído à rua sozinha!)

Andava mais um pouquinho, olhava para trás e pensava: ainda vejo minha casa e ninguém sentiu minha falta.

Meu coração batia na garganta e meus olhos, na certa, brilhavam de euforia.

Minha aventura era a maior ousadia que já pensara em fazer: andar sozinha nas calçadas, entre as pessoas, carros, barulhos diferentes… meu Deus! que liberdade eu sentia!

Podia escolher em qual calçada andar, podia escolher em andar rápido ou devagar ou saltitar, conforme minhas perninhas quisessem!

E de longe, mas ainda enxergando minha casa, aquele muro que me parecia tão alto, tão forte, tão protetor, agora não passava de um murinho marfim, seguido de várias janelas (onde foram parar aqueles janelões enormes!) que pareciam caixinhas…

Minhas descobertas nessa aventura? Vi um cachorro (de pertinho!), uma bicicleta veloz (parecia ter asas!), pessoas bem vestidas e mal vestidas, tristes, alegres, assobiando…

Fiquei encantada com os paralelepípedos; faziam um som tão poderoso quando um carro passava sobre eles!

E de repente esqueci de olhar para trás; de tão entretida que estava, perdi minha casa de vista.

No mesmo momento que entrei em pânico, ouvi a voz de minha mãe e de minha irmã, Isabel… Isabel… onde você está?

Onde eu estava?

Como responder se eu não sabia onde estava.

Não sabia, não conhecia aquelas casas, aquelas pedras, aquelas ruas…

Estou aqui!!!  (aqui, aonde?)

Pus-me a chorar até que um anjo veio me socorrer.

Me tomou pela mão, sorriu e me fez um carinho nos cabelos e pediu para não mais chorar, que ele iria me levar até minha mamãe.

Viramos a esquina e então vi novamente minha casa: tão alta, tão forte, tão acolhedora!

E vi minha mãe sorrindo no terraço, falando alto e gesticulando, descendo as escadas, correndo para mim.

Ufa! por hoje chega, por hoje está bom de emoções, pensei eu, abraçando longa e carinhosamente minha mãezinha do coração.

Meu anjo? Quando me virei para falar com ele,  já havia partido.

Mas nunca mais me esqueci de seu semblante; mesmo porque já o vi outras vezes.

 

 

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As cores dançam diante do meu silêncio.

A cada acorde, uma forma.

Uma vibração.

As teclas do piano parecem pequenos portais que, se tocados, abrem-se aos meus sonhos, aos meus desejos.

Então sorrio e deixando-me envolver num silêncio ainda mais profundo, penso em você.

De quais cores hás de gostar?

Quais os sons que fazem sentires tua quietude interior?

Que portal deste teclado abrir para te encontrar?

Peço à clave de sol que me ensine o caminho de teus olhos, mas ela apenas me sorri e pede que eu me conforme em sentir em cada nota uma cor, uma imagem tua…

Procuro numa oitava acima ou numa abaixo a cor de teus gestos, a nuance de tua vóz.

Abro os olhos de minha alma para te sentir, sentir mais perto, tão perto que, num suspiro quase que imperceptível, possa sentir tua respiração, teu silêncio, tua presença invisível.

E assim, habitando as pontas de meus dedos e todos os meus pensamentos, convido-o a sentar-se comigo nesta banqueta e acariciar  estas teclas, mansamente, como se de vidro fossem, sonhos que são.

Quem sabe, assim,  possas sorrir e talvez queiras me ensinar em que tecla encontrar a cor dos olhos teus.

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