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Posts Tagged ‘reflexão’

 

 

Dia desses assisti ao filme O Doador de Memórias, baseado no livro de Lois Lowry, com o maravilhoso ator Jeff Bridges, sob a direção de Phillip Noyce.

A sinopse diz que trata-se de um mundo feliz (apenas na aparência) onde, através de um conselho de anciãos, um rapaz que completa 18 anos é escolhido para tornar-se o receptor das memórias de um passado real ocorrido na comunidade em que vivem.

Só o ancião mais sábio, que um dia também foi escolhido por outro, tem condições, como doador, de passar, através de algumas técnicas, as memórias passadas, completamente desconhecidas pelos habitantes atuais.

É quando o rapaz, tomando conhecimento das memórias, entra em conflito com o seu até então aprendizado padrão, confrontando-o com a realidade omissa em que vê acontecer ao seu redor.

Não vou contar o impasse do filme, mas sim, o que me levou a uma profunda reflexão e à necessidade em vê-lo por mais de uma vez.

As cenas são, até certo ponto, em preto e branco e o doador de memórias explica que, em um determinado momento no passado, o conselho assim deliberou, como única alternativa para extirpar de vez a inveja, o orgulho, o ódio, a ambição, a prepotência que predominavam entre as pessoas; tirando a cor de tudo e  criando esse mundo padrão, preto e branco, insípido, de mesmices, onde as pessoas têm sentimentos mascarados, superficialmente educadas umas com as outras, mas completamente desprovidas de emoção e verdade.

Assaltou-me à mente e isso assustou-me bastante (ainda me assusto!) a ideia de que, será essa a solução para recomeçarmos a vida social, política e profissional?

Será que haverá necessidade de se eliminar de vez as “cores” (a vida) das coisas (e emoções) para se zerar as mazelas do mundo?

E como todo “mundo perfeito”, também eliminar de forma fria e prática, bebês indesejados e velhos indefesos?

Será que, em uma inversão de papéis, já não moramos nesse mundo mascarado, onde os corruptos, os violentos, os sem caráter descoloriram nossas vidas, tirando-nos a alegria de viver, de planejar, de descobrir nossos caminhos, vontades, emoções?

Como disse, não quero entrar em mais detalhes,  mas há que se ver esse filme com cuidado, pois são muitas as situações expostas que nós podemos comparar com esta realidade difícil, antes inimaginável, em que estamos vivendo.

Mas, como no filme, há uma palavra chave que cura e curará as feridas abertas, causadas pelo próprio ser humano.

É nela que reside uma profunda reflexão.

 

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rosa rosa vermelha

 

 

Toda noite converso com minha Rosa.

Como Agostinho o fazia e era santo.

Eu, então, devo fazê-lo sempre, pois de santa só tenho o nome, dado por meu pai que também era devoto de Agostinho.

Às vezes sinto minha Rosa resplandecente! De outras, quieta, me olhando, me ouvindo, com aquele sorriso de compaixão que somente uma Rosa sabe sentir.

Mas, mesmo assim, silenciosa, não deixa nunca de espargir seu perfume, como que me incensando das impurezas que criei, para que eu possa dormir em Paz.

Conto para minha Rosa como foi meu dia (como se ela não soubesse!) e cada um dos fatos consequentes de meus atos.

E coloco-os na balança.

O que foi bom mas que eu poderia ter feito melhor.

O que fiz e que não deveria ter feito.

O que não fiz mas que poderia ter feito.

O que foi ruim e que não devo deixar se concretizar novamente.

No embalsamamento, os egípcios retiravam os órgãos vitais do desencarnado e os guardavam em quatro urnas que eram depositadas, posteriormente, dentro do sarcófago.

Assim é que minha Rosa me alerta para esse simbolismo que, como os egípcios, levarei comigo somente as quatro reflexões que Agostinho fazia a cada final de seu dia.

Ou seja, a capacidade de discernir o dever e o poder; não o poder que exacerba a humanidade, mas o de ter clareza para se transmutar o tempo que for necessário, a cada oportunidade.

Por isso, converso sempre com minha Rosa.

Ela me fortalece, Ela me anima, Ela me ensina e mostra a importância das pedras no caminho, tanto e quanto um raio de sol.

Boa noite e obrigada, minha Rosa, pela pouca paz que já encontrei.

Ah! como é linda minha Rosa!

 

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Depois de uma longa ausência, volto para iniciar o ano com um fato tocante, na tentativa de abrir este novo ciclo com algo positivo, altruísta, de puro sentimento; é também uma forma terna e profunda de comemorar os cinco anos de existência do meu blog, embora atrasado, que ocorreu na data em que se comemora o Dia de Reis.

Como de um modo geral não vejo nenhuma mudança mais acentuada que seja digna de comentário, então parto para atitudes individuais que, se propagadas, penso e pretendo tocar o coração daqueles que ainda se importam com seus semelhantes, realizando renovações através de suas virtudes, sensibilidade, solidariedade, essência. 

 É o que fez minha amiga Daniela Panebianco nos primeiros dias deste ano que me leva a escrever e a refletir sobre o assunto.

 Mas o que fez Daniela de tão excepcional? poderão estar se perguntando.

Pois é, Daniela é médica veterinária que trabalha diariamente em um órgão da prefeitura (CCZ), fazendo cirurgias em animaizinhos doentes e/ou castrações.

Dia desses chegou até ela uma cachorrinha poodle que seus colegas encontraram em um cemitério, abandonada por alguém ou por algum canil, toda machucada, cega de um olho, problemas de pele e de pelo, completamente mal tratada; enfim, esquivo-me de outros detalhes dolorosos, para amenizar a vergonha que sinto em pertencer à raça dita humana.

A situação da cachorrinha a sensibilizou a tal ponto que adotou-a quase que de imediato; sentiu naquele animalzinho toda a necessidade de um amparo mais de perto, além do carinho tão premente para que essa criaturinha pudesse sentir que nem todo ser humano é bruto, explorador, desumano, corrupto, estúpido e ganancioso, no pior sentido da palavra.

Deu a ela o nome de Nelly e ela já sabe que tem esse nome porque responde com um olhar, reconhecendo a voz de sua dona.

Deu a ela o que de mais terno tem no coração: muito amor, muitos cuidados, toda a atenção que Nelly talvez nunca tenha recebido em toda a sua vida de alguém.

Deu uma casa, conforto, alimento, medicamentos e um companheirinho, Johnny, para brincar.

Nelly é uma criaturinha meiga, suave, quieta, aconchegante.

Ainda é uma cachorrinha que caminha de olhos baixos, devagar, ainda não sabe lamber como forma de carinho, ainda não sabe brincar com bola, correr e latir: o sofrimento ainda lhe pesa nos dias. Talvez esteja assustada com tanta coisa boa que vem recebendo das pessoas ao seu redor.

Mas quando sai na rua demonstra gostar de passear, andando rápido e a tudo farejando com seu seu apurado olfato; gosta também de comer e de dormir em sua caminha fofa ou nos braços de alguém que lhe faça cafuné.

No final da semana passada Nelly foi para o sítio, ficou solta entre plantas e árvores, passarinhos e tartarugas; arriscou-se até a explorar o território ao redor da casa.

Sentiu o sol e também ouviu a chuva, dormiu em um tapete macio e não acordou assustada porque já descobriu que é amada; sabe que pode dormir porque, quando acordar, o sonho não vai acabar.

 

Fiquei muito honrada quando fui convidada para ser sua madrinha, porque é uma grande oportunidade que tenho de entregar a ela o que de melhor guardo em mim.

Às vezes olho para ela repousada em meus braços e sinto um aperto enorme no peito, imaginando as barbaridades pelas quais possa ter passado, mas tento mudar o pensamento, passando energias saudáveis e todo um carinho que sei Nelly ser merecedora de muito mais.

 

Comentei com Daniela em escrever sobre a Nelly, ao que ela me disse ser tão comum o que ela fez, ” isso acontece todos os dias, há milhares de animaizinhos sem condições nenhuma e abandonados que estão vagando pelas ruas ou sendo recolhidos para adoção”!

Não posso concordar com algumas de suas palavras; se essa atitude fosse comum, não haveria tantos animaizinhos abandonados, mal tratados, explorados pelos canis para reprodução em massa e depois jogados à revelia, como se fossem pacotes ou objetos que não servem mais.

A verdade é que Daniela tem um coração tão bom, uma alma tão sensível, que acha essa uma atitude corriqueira, talvez sem dimensionar totalmente a grandiosidade de sua ação.

Por isso e por tudo que tenho presenciado, eu a admiro e muito, cada vez mais.

 

Se Nelly pudesse falar, com certeza diria “obrigada, Daniela”!

Mas eu posso e digo em seu e em meu nome: obrigada, Daniela, por mais este aprendizado e esta demonstração de Amor.

 

Isto posto, desejo Feliz Ano Novo a todos aqueles que ainda sonham com um mundo melhor.

 

 

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Filosofar II

 

Ouço a risada ao longe

uma mulher feliz

meu coração então me pergunta

porque para uns é tão fácil

sorrir

 

Depois fica pensativo

pulsando mais devagar

como a pensar se o riso

é mesmo felicidade

alegria

ou só uma energia

a se propagar

 

E se zanga comigo

porque não sei o que dizer

pois acho que às vezes o riso

é apenas puro prazer

 

Então por não concordarmos

voltamos para o nosso lazer

ele a pulsar

e eu a ler

 

 

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