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Posts Tagged ‘Reis Magos’

 

Quando virei a esquina, meio apressada, esbarrei nos três.

Por um  momento pressenti ter passado por algum portal no tempo. Em que século fui parar?

Maravilhada fiquei com suas vestimentas, coroas, jóias e atenta ao que acontecia ao redor, me pareceu que se dirigiam para algum evento, visto que carregavam presentes nas mãos; e minha imaginação viajou entre braceletes, anéis, tecidos de seda, mapas do tesouro!

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Depois do esbarrão, sorriram para mim, os três, e em cada um vi um brilho raro no olhar.

E como eram diferentes entre si… no porte físico, na etnia e seus trajes, na forma de caminhar, de falar, de tão generosamente sorrir.

Mas todos portavam coroas em suas cabeças; sobre um turbante, um véu ou sobre os cabelos.

Foi quando me dei conta de que deveria estar simplesmente na presença de três reis.

E, ao invés de lhes fazer uma reverência, pedi licença, um pouco constrangida, para fazer uma self com eles, mas o tempo que demorei para explicar e para eles entenderem o que isso seria, me fez desistir da ideia.

E assim, ajoelhei-me como um cavaleiro em suas presenças, o que me fizeram levantar de imediato, estendendo-me as mãos, com um sorriso nos lábios.

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O mais alto, de tez cor de jambo e olhos meigos, convidou-me a ir à festa com eles.

Neguei imediatamente; não estava vestida de acordo para acompanhá-los.

Ao que o outro, de tez clara e gestos doce, falou-me que haveria de surgir alguém que andaria descalço pelos caminhos da vida, sem se importar com vestes e adornos.

Por que, então, eles andavam vestidos com tanta pompa? pensei eu.

Foi quando o terceiro, de voz melodiosa, me respondeu que aquela era a vestimenta normal deles, tal como a minha era aquela, na qual me apresentava naquele momento.

Fiquei surpresa e envergonhada ao perceber que podiam ler meus pensamentos… magia?!?

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Mesmo assim, quis arrumar uma desculpa para não caminhar minha pequenez ao lado de seus passos.

Minhas melhores amigas fazem aniversário neste mês e gostaria de dar-lhes algo, como símbolo do laço cada vez mais forte de nossas amizades, disse eu.

Você terá tempo para isso, respondeu-me o de olhos meigos.

Vamos! Não podemos nos atrasar, a distância é grande, continuou ele.

Então perguntei-lhe o endereço e de que forma iriam para lá; a distância era enorme, conforme verifiquei no meu gps!

Caminhando, respondeu-me serenamente o de voz melodiosa.

Impossível! disse eu assustada, achando que não chegariam ao destino; ainda mais com aqueles mantos pesados, arrastando pelas ruas, o trânsito, os curiosos…

Reis têm carruagens, servos, amas, liteiras, ministros; aonde estão seus séquitos? mentalmente interroguei.

Deixamos para trás, em nossos reinos; somos nós os chamados para essa festa, falou o de gestos doce.

Então outra dúvida me assaltou (aliás, era o que eu mais sentia, dúvidas!): se deixaram tudo e todos para trás, inclusive um outro rei que precisou atender às necessidades urgentes de seu povo… por que convidaram à mim para segui-los nessa verdadeira jornada, para chegar a uma festa para a qual também eu não fui convidada?

Nada disseram; apenas me olharam e sorriram, acolhendo-me ainda mais para junto deles.

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Durante o trajeto vi, deslumbrada, outras magias acontecerem; os reis tiravam de seus mantos (de certo, de algum bolso embutido ou usando varinhas mágicas invisíveis) alimentos e água, entregando-os às pessoas que paravam para admirá-los.

A um, um pão; a outro, um carinho; a um, um abraço demorado; a outro, uma erva medicinal para seu ferimento; a um, um beijo; a outro, simplesmente um copo de pura água.

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E à noite, quando acampamos em um lugar muito alto e que eu nunca havia passado antes, ao invés de se alimentarem ou dormirem, ficaram fitando os pirilampos na relva e as estrelas no céu.

Em profundo silêncio.

Imitando-os, também olhei para a mesma direção; mas o que me impressionava mesmo eram suas imagens enormes, desenhadas pela luz da fogueira nas pedras e só então entendi a solenidade daquele sublime momento.

Foi quando vi uma estrela cadente riscar o negro céu e, sem querer, em uma alegria infantil, quase eufórica, falei alto e depressa, Faça um pedido para o seu coração!

Mais uma vez, os três entreolharam-se e também para mim, e sorriram.

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E aqui estou agora, com meus anjos e protetores Gaspar, Baltazar e Melchior, diante do Menino que nos envolve em cristalina alegria, que sorri como a cantar um hino, que agita e estende seus bracinhos…

E eu, num ímpeto de amor materno, sem pedir licença a alguém, tomo-O em meus braços, embalando-O e cantando para que permaneça sempre em meu coração!

Seus dedinhos macios agarram um dos meus e, assim, aconchegado ao meu calor, sorrindo adormece.

E este é o presente que trouxe a ti, pequeno Menino: minha eterna Gratidão!

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Este é um dos motivos que escolhi o Dia de Reis para inaugurar meu blog.

Este ano, a data, dentro da simbologia numérica, torna-se ainda mais especial: três reis magos mais sete anos de blog somados é igual a dez, ou seja, igual a UM.

 

 

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Levei um puxão de orelhas do meu amigo José Henrique.

Pô, Isabel, pensei encontrar um texto sobre os dois anos de seu blog e nada!?!

Querido amigo, respondi, não fique zangado; é que cheguei ontem de viagem e até “levantar” a casa novamente leva um tempo.

Além disso, estou meio desanimada e completamente sem voz.

Ao que ele retrucou, Está sem voz, mas não está sem palavras!

Fiquei sem graça e prometi deixar meus sentimentos sobre esta data.

Não a data do segundo aniversário do blog, mas a do Dia de Reis.

 

Fui até a janela ver a noite chegar.

Até aonde minha vista alcança, não há mais luzinhas acesas, com exceção de três apartamentos defronte ao meu e o meu.

Os jardins dos prédios anteriormente iluminados com renas, árvores, bolas coloridas e lagos já estão apagados.

 

Meu presépio brilha, todo iluminado e colorido, na minha sala de luzes apagadas.

Ajoelho-me diante dele.

Lá está uma Criança a me sorrir.

E eu, meio sem jeito, quase que pedindo desculpas pela falta de carinho das pessoas que nem sequer sabem do simbolismo desta data, também sorrio para ela.

Seu riso é doce, é calmo, é leve, é suave… seus bracinhos estendidos me convidam para um abraço…

Anjos cantam, tocam suas flautas e harpas, incensam o berço.

Os casais de corujinhas, coelhinhos e cachorrinhos se aconchegam mais para escutar os sons que vão se espalhando por toda a minha casa.

 

Ouvindo esta canção de Natal, vou fazendo chegar perto do Menino os Sábios e seus presentes, estes que a maioria sequer sabe seus significados.

Até que se aproximam com dignidade e respeito, o suficiente para depositá-los a seus pés,num instante de reflexão e reconhecimento, divindade, fé e imortalidade.

 

Lembro-me novamente de meus pais.

Lembro-me novamente desta data, quando a passei num cerimonial executado na praia.

Lembro-me de meu avô firmando em meu pensamento as dádivas que preciso, a qualquer custo, guardar em meu coração, como diamantes que retêm a luz verdadeira.

 

Meio acanhada, peço desculpas ao Menino pelas lágrimas que teimam em se fazer visíveis.

Digo a Ele que não entendo mais das coisas e pessoas, que tudo me assusta e que já não sei se sou capaz de promover o bem.

 

Em um aceno, Ele pede que eu espere os Reis se retirarem.

Abrindo novamente seus bracinhos, convida-me a sentar a seu lado, Vou contar uma historinha para você dormir, me diz.

E passando suas mãozinhas em meus cabelos, joga em meus olhos o pozinho mágico da serenidade para que eu durma em paz.

 

Há vários motivos pelos quais escolhi esta data para iniciar meu blog.

Este passou a ser mais um.

 

Que os Reis se façam presentes em seus dias, através das dádivas que a vida sempre está a oferecer a todos nós.

 

 

 

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Dia 6 é Dia de Reis.

Lembro-me de um ano em que me encontrava no litoral, não me recordo exatamente onde, que pude presenciar uma cerimônia no mar.

Em uma pequena barca, à frente de todas, seguiam tres potes medianos de madeira simbolizando o incenso, a mirra e o ouro; todos adornados com flores.

Logo atrás seguia outra barca transportando os Reis Magos devidamente paramentados e mantendo uma respeitosa postura, como convinha ao momento.

E finalmente um cortejo de pequenas embarcações, onde pessoas entoavam hinos exaltando a sabedoria, a fé e o amor.

 

Da praia pude ver que a uma determinada altura, no mar, para lá da onde as ondas quebram, as duas primeiras barcas se emparelharam e ao badalar de um pequeno sino, cada Rei Mago tomava de seu pote, erguia-o aos céus fazendo uma invocação ao divino, em favor da humanidade, espargindo seu conteúdo nas águas do mar.

 

Quando vi que as barcas faziam o caminho de volta, fiquei pacientemente aguardando e admirando aquele movimento de pessoas, desejos e cânticos misturados ao perfume do sol e à brisa do mar.

 

Os curiosos como eu, além do cortejo, formaram um corredor para que os Reis Magos, já em terra, passassem.

Quando aquele mago alto e negro como o ébano, em sua túnica bege esvoaçando como a brisa do deserto, aproximou-se da onde eu me encontrava, senti um arrepio pelo corpo.

Foi quando meus olhos encontraram-se com aquele profundo, úmido, vibrante e negro olhar.

Eis que ele estancou à minha frente, me sorriu e através de gestos pediu que eu estendesse uma das mãos.

Acanhada, estendi a mão direita e ele sorrindo disse Muito bom… a mão direita… a que vai sempre ao coração.

E nela depositou uma porção de um pó fininho, como areia mas dourado, e uma lasca pequenina de madeira.

Olhou-me novamente, agora com mais suavidade, dizendo Para tua edificação.

E se foi.

 

Nesta data é comemorado o Dia de Reis.

Dia que, por um significado muito íntimo, escolhi para inaugurar o meu blog.

Ele está completando seu primeiro aniversário.

Como uma criança pequena, ainda não sabe caminhar, apenas engatinhar.

Mas desde o primeiro momento de nascida, e muitas vezes em meio ao pranto,  já sabia balbuciar e sentir a palavra  AMOR.

 

 

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