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Posts Tagged ‘riso’

Menino Lindo!

 

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Menino lindo

de cabelos de seda

olhos de estrelas

sorriso sereno

lábios doces

beijo de alma para alma

.

Brinca, dança

sonha

estende as mãos

entrega o riso

.

Canta baixinho

uma canção de amor

resolveu ser sonhador

.

Viaja no eterno

traz presentes de outros mares

conta histórias de lugares

onde só ele pode chegar

.

Menino lindo

de cabelos de seda

sabe voar, posto que é anjo,

para depois retornar

.

E contar das estrelas que colheu

e dos oceanos permanentes

em seu coração

.

Menino lindo!

 

 

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Outono

 

 

 

Vesti o outono

meio frio, meio vento

e minha Alma se aquietou

.

Enfeitei meus cabelos

com folhas amarelas, secas

e minha Alma se agitou

.

Calcei caminhos úmidos

de orvalho e saudade

e minha Alma baixinho chorou

.

Depois dormimos

as duas

sem vontade de abrigo

porque abrigo não existe mais

.

Ao alvorecer vestimos

as duas

o sol nascente nos passos

nos olhos, nos gestos

.

Minha Alma cantava

eu, em silêncio a ouvia

para que o outono fosse embora

libertando meu riso

 

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Em Vão

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Roubas-me o sono

a sede

o riso

 

Roubas-me os passos

a cisma

o soluço

 

Roubas-me o ar

o balão

a vida

 

Como se tudo fosse

um voo estreito

ao rés do chão

 

 

 

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Às vezes ouço ruídos que outrora ouvia na casa da minha infância.

Ruídos sutis que por tantos anos ouvi, como se fizessem parte da estrutura da casa, dos móveis, das pessoas, das plantas e dos pássaros.

  

Às vezes  admiro-me de senti-los e, de imediato, ser levada por eles àquela casa que não existe mais.

Apenas dentro de mim.

Apenas como sensação, mas tão vívida que consigo, em segundos, estar no meio da sala, naquela tênue luz de fim de tarde a tocar-me suavemente a face.

O silêncio da noite chegando, os quadros me acompanhando com os olhos quando lentamente movia-me entre eles.

A sensação provocada pelo riso ao longe de minha mãe, pela voz de meu pai a cantar…

 

Como é possível sentir as mesmas sensações após tantos anos?

Cerro os olhos e sinto no ar, no silêncio… pequenos ruídos que vão aflorando na pele, com uma carícia, mais que uma lembrança, quase como um toque…

 

Fico pensando se isso ocorre também com outras pessoas de forma tão nítida ou sou eu que, fugindo constantemente do presente, refugio-me naquela que fui.

 

Acabei de ouvir um outro ruído e já não sei se estou aqui ou estou lá.

Já não sei qual de nós duas está a escrever e qual está a sentir.

 

 

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Me encontravas, mãe querida, quando ainda pequena, de joelhos aos pés de minha cama a rezar.

Achavas bonito e terno, eu sei, e corrias a chamar e a pegar meu pai pelas mãos, para que ele visse também.

E juntos, à entrada do quarto, abraçavam-se enternecidos pelo meu gesto.

Quem sabe até agradeciam por aquele momento sublime, intimista, de elevação espiritual.

 

Mas o que não sabias, minha mãe, é que todas as noites eu pedia a Deus para morrer antes da senhora e meu pai, porque eu não suportaria, não suportaria tanta ausência.

 

Um dia, agoniada com essa possibilidade, fui me aconchegando ao vovô e contei-lhe da minha aflição, Estou errada, vovô, estou?

Ele olhou-me nos olhos com olhos de doçura e, com serenidade na voz e nos gestos, falou-me, O que você acha que é pior, um filho perder seus pais que já viveram uma parte de suas vidas,  ou os pais perderem esse filho que mamãe sentiu no ventre e que, junto, papai viu nascer e crescer a cada momento de sua vidinha?

A partir desse dia, minha mãe, não fiz mais meu pedido a Deus, embora deixasse claro a minha incapacidade de sobreviver.

 

Hoje, para mim, continua sendo a data de teu aniversário e com certeza, minha mãe, aonde eu estivesse, correria para teus braços, teu calor, teu beijo doce, teu riso contagiante, tua voz a dizer meu nome com carinho (ainda guardo em mim o timbre de tua voz…), para entregar-te esta flor da cor que tanto gostavas.

Com a mesma certeza, escreveria um cartão repleto de palavras de eterno amor, colocando dentro dele, mais uma vez, o que já era tua: minha razão de viver!

 

Deus não me ouviu, eu sei.

Talvez, enquanto eu ainda pedia, naquele horário já estivesse dormindo ou contando histórias para os anjos.

Sei também que hoje és um de seus anjos a me proteger e a todos os seus filhos, mas… o que faço, minha mãe, assim de mãos vazias, sentindo essa insuportável e insustentável saudade?

 

 

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oferenda

Com uma guirlanda de flores do campo nos cabelos e um cesto repleto de plumerias, mais conhecidas como jasmins-mangas, entrei nas águas do rio até onde me foi possível.

Nesse ponto depositei-o com cuidado e assim começou a navegar junto à correnteza, de início lentamente, depois rápido como se sentisse a urgência de logo chegar.

 

Saí do rio e pela margem fui acompanhando seu trajeto; para tanto era necessário às vezes subir morros, descer, andar rente à margem, sem perdê-lo de vista.

Assim caminhava, reforçando em minha mente a oferenda que ali depositei: a melhor parte de mim.

Como se me fosse permitido ser o quinto rei mago de uma história bastante conhecida por todos, onde dizem que na verdade eram quatro, mas três à manjedoura chegaram.

 

E vendo o cesto a rodopiar nas águas como que acenando para as outras flores e plantas e árvores e céu e aves, tudo que compõe aquele paraíso, ousei fazer um pedido ao Jesus menino:  renovação.

Da ternura, da serenidade, dos sonhos, da sensatez, da amizade, da alegria, da dignidade e da solidariedade entre todos os Homens, não somente os de bem.

 

No trajeto havia uma pequena queda d’água, mas o cesto resistiu e minha oferenda seguiu rio a dentro: um riso ingênuo, um soluço silencioso, algumas alegrias, muita saudade, pequenos planos, agradecimentos às pessoas que de uma forma o outra me ensinaram algo de importante, enfim tudo o que venho guardando nesta pequena caixa de veludo vermelho e sem chave dentro de mim, à esquerda de meu peito e que sempre lá estará a pulsar, não por toda a minha vida e sim, por toda a minha existência.

 

Permiti-me a mais um desejo, já que me sinto tão próxima e amiga desse Menino: uma vontade imensa de poder viver tempos melhores, mesmo que os caminhos se me apresentem ainda  pedregosos e silenciosos.

 

A curva do rio levou minha oferenda e meu pedido à Criança renascida; não pude mais acompanhá-los com os olhos, apenas com a alma.

 

Não pude deixar de lembrar os três anos que este blog completou, este espaço onde conto de meus sentimentos e emoções. Uma oferenda que faço durante o ano todo para aqueles que ainda acreditam no amor.

 

 

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