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Posts Tagged ‘rosa’

União

anjo-1

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O tinir da sineta por nove vezes

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Há um silêncio no coração de quem busca

sussurros ouvidos somente por aqueles

que se entregam ao profundo momento

como a um sublime segredo

.

É quando atravesso o espelho

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Levam-me lentamente

num sopro de sons

no perfume das pétalas

e do incenso

.

Levam-me a banhar os pés

em respeito ao solo

onde irei tocar

.

Trocam-me a veste

de puro e alvo linho

cingida pelo laço da união

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Atravesso mais um espelho

.

Quem me guia toca-me o braço

se assim não fosse eu volitaria

diante da Rosa e da Cruz

Luz intensa, intensa emoção

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Atravesso mais um espelho

.

Sinto-me fundida àquela chama

sinto-me una

invisível energia

em plena Paz

.

De meus olhos

brotam lágrimas de amor

mas ali já não estou

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No mais profundo de meu ser

minha Rosa

minha Seiva, meu Sol do leste

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Penso em reagir, retornar

mas… para quê?

se estou nos braços de Deus!              

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rosa rosa vermelha

 

 

Toda noite converso com minha Rosa.

Como Agostinho o fazia e era santo.

Eu, então, devo fazê-lo sempre, pois de santa só tenho o nome, dado por meu pai que também era devoto de Agostinho.

Às vezes sinto minha Rosa resplandecente! De outras, quieta, me olhando, me ouvindo, com aquele sorriso de compaixão que somente uma Rosa sabe sentir.

Mas, mesmo assim, silenciosa, não deixa nunca de espargir seu perfume, como que me incensando das impurezas que criei, para que eu possa dormir em Paz.

Conto para minha Rosa como foi meu dia (como se ela não soubesse!) e cada um dos fatos consequentes de meus atos.

E coloco-os na balança.

O que foi bom mas que eu poderia ter feito melhor.

O que fiz e que não deveria ter feito.

O que não fiz mas que poderia ter feito.

O que foi ruim e que não devo deixar se concretizar novamente.

No embalsamamento, os egípcios retiravam os órgãos vitais do desencarnado e os guardavam em quatro urnas que eram depositadas, posteriormente, dentro do sarcófago.

Assim é que minha Rosa me alerta para esse simbolismo que, como os egípcios, levarei comigo somente as quatro reflexões que Agostinho fazia a cada final de seu dia.

Ou seja, a capacidade de discernir o dever e o poder; não o poder que exacerba a humanidade, mas o de ter clareza para se transmutar o tempo que for necessário, a cada oportunidade.

Por isso, converso sempre com minha Rosa.

Ela me fortalece, Ela me anima, Ela me ensina e mostra a importância das pedras no caminho, tanto e quanto um raio de sol.

Boa noite e obrigada, minha Rosa, pela pouca paz que já encontrei.

Ah! como é linda minha Rosa!

 

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Filho Meu

mãe e bebe1

 

Teus olhos insistentes nos meus me fazem chorar de emoção, pequena criança.

Enquanto brincas com as pontas de meus cabelos, enquanto acaricias meu rosto, enquanto tentas colocar teus pequenos e macios dedos dentro de meus olhos, sinto-te todo e cada vez mais em mim.

O calor de teu corpinho afaga minha alma, faz de mim a mãe que não pude ser, embora, diante de tanta ternura, sinto-te filho meu.

Às vezes ficas tão sério como se estivesse a encontrar no fundo de meus olhos algum momento secreto que guardo em mim e dele só sabe meu anjo guardião, para, no momento seguinte, voltares a brincar com os olhos meus.

Teu riso doce inunda esta sala e minha vida, como raios de sol invadem a manhã!

É por isso que te amo, pequeno, porque me roubas o ar vendo o movimento de teus pezinhos, como que querendo, de um salto, sair andando pela minha felicidade.

E hoje, minha criança linda, é teu aniversário e se eu pudesse, colheria estrelas como se colhe flores, para te fazer um ramalhete de luzes e amor, somente para prolongar o riso teu em minha alma…

Como presente, posso te dar o mais profundo carinho, o mais doce sorriso, a mais melodiosa palavra.

Posso também suavemente escovar teus cabelos em cachos de seda, enquanto sorris para os pássaros que, cantantes, enfeitam tua manhã.

Beijo-te os olhos, as mãos, os pezinhos, a teus pés, levando-te a passear nos jardins deste dia, para que sintas o riso das rosas e os acenos das margaridas à tua passagem.

Saímos, então, os dois, a rodopiar entre os canteiros, erguendo-te ao alto e pedindo a Deus que nos abençoe pela luz, pela vida e pelo amor que faz de nossos dias o sentido verdadeiro de ser.

É quando agarras nas rendas de minha blusa que juro-te permanecer a teu lado por todos os dias possíveis de minha existência.

E como sei que nunca vais crescer, a ti então posso pegar pelas mãos, conduzindo-te ao canteiro silencioso e profundo onde, no princípio dos tempos, minha rosa foi plantada, tratada e cultivada e onde hoje cresce, lentamente, mas cresce.

Sei que a conheces mais que eu, mas quero, eu, mostrá-la a ti, meu pequenino.

A rosa que me conta segredos, que me fala de amor e respeito, coisas que agora raramente encontramos no mundo de fora.

Mas hoje é teu aniversário e vendo-o assim a bater palminhas, a sorrir, a pular em meus braços, esqueço de tudo, de toda a maldade, estupidez e mazelas dos homens, simplesmente porque não quero que chores, não quero que teu dia se perca no escuro, embora eu saiba que tu sabes de tudo que ocorre fora deste jardim.

Quando ficas repentinamente quieto, olhando a chama da vela da comemoração de teus anos, nesse segundo que passa em teus olhos, meu coração estremece porque te sinto conciso, preocupado e grave; mas, em seguida, voltas a ser o meu menino.

E quando a noite chega, deito-te dentro de mim, cantando para te ninar uma canção que fale dos rios, dos bosques, dos anjos e dos homens de bem que ainda habitam este planeta e que não são cativos da escuridão.

Te amo tanto, filho meu, que mesmo quando adormeces, sinto-te a caminhar entre as nuvens e as flores dos meus sonhos, pulsando em minhas veias, a cada batida de meu coração.

Durma, meu pequeno; amanhã e em todos os dias de nossa existência comemoraremos, sempre e a todo instante, o teu aniversário.

Vendo-te deitadinho na manjedoura de meu presépio, aflora em minha pele a certeza de que, mais que nunca, somos Um.

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Feliz Natal!

 

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Ao Entardecer

rosa e piano

 

 

No dedilhar das teclas do piano

te encontro criança

te encontro mulher

 

Trazes junto com os sons

vozes ausentes

mas nunca esquecidas

 

Trazes momentos que mostram,

como espelhos,

a infância vivida a cada instante

e que hoje chama-se lembrança

 

Mostras a mulher que descobriu a si mesma

que se entregou a cada sentido

a cada carinho

à descoberta de que a vida não é

apenas uma rosa, como tu,

mas que os espinhos existem

para que a dor não chegue ainda mais perto

 

Trazes passado e presente de mãos dadas

como crianças

a brincarem de roda em uma tarde de sol

na calçada de um lugar

que ainda mora dentro de ti

 

No dedilhar das teclas

a mágica de ser

e sonhar

 para minha irmã Rosa

 

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Essência

Essência

 

 

É a nudez da matéria

É o sopro

É a luz

É o reconhecer a existência do invisível

em si mesmo

É a molécula

cadeia de combinações harmônicas

que se tornam una

É sentir

sem ter palavras para definir

É se sublimar diante do Único

É reencontrar a fagulha divina

na busca mais profunda

É desabrochar como a Rosa

em luz e amor

É ser

 

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” Foi o tempo que perdeste com tua rosa que fez tua rosa tão importante”.

Antoine de Saint-Exupéry

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Sem pedir licença, esta lembrança vai me pondo em sobressaltos, impregnada de  emoção e pranto.

 

Um dia tornaste-me tua rosa.

Fui tua rosa.

Regaste-me mais do que eu a ti, muito mais.

Plantaste-me, definindo com cuidado os tons das pétalas, a sustentação do caule, as folhas farfalhantes ao vento  e meu perfume suave, porém marcante.

Espinhos também, para que eu pudesse me defender caso tu adormecesse.

 

Um dia veio a vontade de libertar-me.

Tudo parecia triste, pequeno, solitário.

No meio da noite imóvel talhei meu caule sem vacilar.

Fugi do teu canteiro que meu também era.

Mas tu, jardineiro de minha alma, me encontrando mesmo assim, continuaste visitando-me e regando-me, agora com o silêncio da tua dor.

Não me perguntaste sequer se eu havia sido roubada e replantada neste outro canteiro ou se sozinha fugi.

Deste-me vida e nada pediste; em troca, nada te dei.

 

Depois de chuvas e sóis, no antigo canteiro outra flor nasceu.

Outra rosa, uma rosa que você plantou, não sei bem se com o mesmo cuidado, o mesmo riso matinal, o mesmo beijo carinhoso, cantando os mesmos versos de amor.

Outra rosa… lembra-te?

 

Embora eu soubesse da nova vida em teu jardim, quando passavas por perto da minha contínua solidão (de nada adiantou-me fugir), eu apenas sorria e perguntava se estavas bem.

Mas meu coração gritava sufocado, perguntando se por ventura brotara alguma folhinha, alguma florzinha de meu pé esquecido lá no canteiro, ou se ele havia morrido de vez.

 

Hoje resta o orvalho em mim.

Cresci, é verdade; hoje meço dez pétalas, cinco folhas e uma haste.

Os espinhos, perdi a conta.

para meu primeiro amor

1.971

 

 

 

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Permanência

 

Chegaste em mim em plena primavera

embora fosse outono

 

Me entreguei ao teu calor ensolarado

embora chovesse

 

Me ensinaste a sorrir tão suave

embora conciso

 

Me colheste uma rosa, a mais bela do jardim

embora com espinhos

 

Nem por isso perguntei, em momento algum

o que vieste fazer em minha vida

porque és eterno

 

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