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Posts Tagged ‘rumo’

 .

 

Foi então que Raquel resolveu definitivamente fugir.

Digo definitivamente porque já havia ameaçado fazê-lo por diversas vezes, faltando-lhe a atitude final.

Agora não, era para valer.

 

Para que não percebessem de imediato sua ausência, levou apenas uma pequena bolsa onde guardou aquele livro inseparável de poemas, uma fita para amarrar seus cabelos, um óculos de sol, outro de leitura e, uma hortênsia do seu jardim que insistia em fazer-lhe companhia.

 

Fora isso, os sapatos nos pés, as roupas no corpo e um enorme chapéu na cabeça para, caso chovesse, dar abrigo aos passarinhos.

Na mão direita um bloco e uma caneta de tinta violeta: na esquerda, um mapa que, a bem da verdade, de nada ser-lhe-ia útil, porque a ideia era a de não traçar mais rumos algum.

 

Raquel não deixou bilhete a ninguém, mas fez uma anotação bem falsa na agenda que deixou aberta em cima da cama, para enganar a quem lesse, do destino que tomou.

 

Não apagou a luz; já bastava ter vivido no escuro por tanto tempo.

Não levou nada para o trajeto porque pretendia continuar alimentando-se somente de sonhos.

 

Antes de sumir de vista, Raquel virou-se para trás e fez seu primeiro e último gesto grosseiro a tudo e a todos, mesmo sem que a vissem.

Depois virou a esquina e, num salto mortal, pulou para fora do planeta para nunca mais.

 

 

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Ter Asas

 

 

Quando pego um pássaro nas mãos

sinto como se estivesse

acariciando-te

com cuidado

para que um gesto mais brusco

não venha te assustar

como te assustas com a vida

em certos momentos de tempestade

 

Fico maravilhada com a cor da tua plumagem

com a fragilidade de teus pés

e, no entanto trilhas teus rumos

como a um cuidadoso voo traçado

 

Quando pego um pássaro nas mãos

de coraçãozinho tresloucado

a quase sair pelo bico

é para recuperá-lo do susto de uma batida

e o tempo de ficar bom

 

Depois faz como tu

parte novamente

sem ao menos olhar para trás

 

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