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Posts Tagged ‘segredos’

 

Palavras que o vento traz com as folhas de outono

incessantes

 

Sussurram invernos em meus cabelos

e saudades de acenos

que lamentam lembranças

 

Contam segredos de silêncios

de abraços inacabados

de beijos invisíveis

 

Cravam lágrimas no olhar

que se atira distante

como pedra no lago

 

Vibram na água do tempo

como carícias

depois submergem

e se esquecem

 murmúrios…

 

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Segundo Dia

 

Deitada entre lençóis macios que seu tato diz serem de linho, alvíssimos, olha para o teto e vê estrelas.

As que estão no teto de seu quarto.

Sabe que pode trazê-las pela mente.

Sabe que pode fazê-las brilhar.

Sabe, porque traz em si a criança que foi e que neste momento aflora, cresce plena.

Um ambiente de aflições, nada próprio a uma criança, principalmente sensível como sempre foi.

Mas ela está ali, maior que qualquer decisão e qualquer incerteza.

 

Entre sua cabeça e as estrelas gira um ventilador tão devagar que parece acabar de despertar, espreguiçando-se.

Poderia até dizer que seu ruído baixinho e intermitente parece um bocejo…

 

Sente-se bem.

Neste horário da madrugada, que dizem ser quando os anjos estão mais próximos dos mortais, os sonhos fluem.

Vêm, voltam.

Escondem-se atrás de outras imagens que povoam o inconsciente.

Depois, revoltam-se e voltam e surgem novamente.

E sua mente vai desfiando-os como se fossem fios enrolados de uma teia.

Vai pacientemente desfiando-os, até que possa entendê-los para contá-los.

Até que possam mostrar realmente a que vieram.

 

É o momento da inspiração plena, tudo acontecendo na mente.

Olhos cerrados, escuta apenas o ruído quase que inaudível do ventilador.

Sente que a teia de fios tão finos e brilhantes, como se estivesse exposta ao luar, mostra-se por inteira.

 

Então respira profundamente e abrindo devagar os olhos pode observar que a seu lado a criança brinca, fala sozinha, ri para alguém que ela não pode enxergar.

 

E assim, contemplando a si mesma, sorri.

E adormece.

 

 

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Gestos

  

Procuro-te

como se nunca o tivesse visto

e surpresa

vejo que és como sempre te guardei

em mim

 

Teus olhos falam

com a voz que sempre escuto

quando a vida me surpreende

com uma bússola

 

Das tuas palavras

sorvo a sabedoria

de saberes grande em mim

embora te mostres pequeno

 

Tuas mãos como que distraídas

contam segredos

rasgam cortinas

para me encontrar

escondida atrás de ti

 

 

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