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Gosto deste canto do jardim.

Os passarinhos também.

E aquele pente velho, meio enterrado, meio querendo ser achado, continua ao pé da árvore, um jatobá.

Talvez queira ter esse contato com a terra  por ser feito de osso.

Talvez goste (?) das cacaradas dos bem-te-vis ou da conversa das árvores em dias de vendaval.

Mas no fundo, lá no fundo mesmo, acho que ele se identifica é com o velhinho que aqui vem tomar sol pela manhã.

Velhinho magrinho, de ossos salientes e que, antes de sentar-se neste mesmo banco, sorri aquele riso desdentado para o pente, como se espelho fosse.

Os dois então, velhinho e pente, sentem-se em casa, não mais sozinhos.

Aos pés do jatobá.

 

 

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Culpa da Nevasca

 

Peço permissão e desculpas por esta invasão.

Não, peço desculpas e depois permissão, nessa ordem.

 

Sei que durante a madrugada houve uma nevasca muito forte, deixando tudo absolutamente branco, como se nesse espaço nada houvera.

 

Pela manhã, nem a ponta do campanário da igreja podia ser vista.

A estrada que leva às montanhas, as montanhas; a grama verdinha digerida sempre pelos bois, os bois; as pequenas casas com seus telhados vermelhos, como os cabelos vermelhos de Sonia, com seu sorriso de seda a receber sua clientela de paladar apurado para queijos.

 

E o sol, o que aconteceu com o sol que dá vida à aldeia, que torna visível o mais invisível dos animais; o que foi feito dele, ou tornou-se dorminhoco como Seu Eulálio lá da sapataria, ou preguiçoso como Seu Tonico da banca de verduras?

 

Voltando às desculpas… aqui me rendo e peço perdão por invadir esta folha (é, esta mesma!) que julguei estar em branco, que apenas estava branca mas de neve, a neve que caiu pela madrugada adentro.

Perdão por estar escrevendo em cima da imagem bucólica dessa vila, que deve por certo existir em algum lugar deste mundo, além da minha mente, captada pela sensibilidade de algum artista e de seus moradores, uns amores!

 

Pedidas as desculpas, continuo pedindo, mas agora permissão, para dizer que, mesmo encoberta pela neve, esta vila é um pedacinho do paraíso!

 

Embora continue nevando torrencialmente, peço permissão, então, para mostrá-la ao fundo deste texto, destas palavras, mas somente para aqueles que podem vê-la.

 

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Ao Entardecer

rosa e piano

 

 

No dedilhar das teclas do piano

te encontro criança

te encontro mulher

 

Trazes junto com os sons

vozes ausentes

mas nunca esquecidas

 

Trazes momentos que mostram,

como espelhos,

a infância vivida a cada instante

e que hoje chama-se lembrança

 

Mostras a mulher que descobriu a si mesma

que se entregou a cada sentido

a cada carinho

à descoberta de que a vida não é

apenas uma rosa, como tu,

mas que os espinhos existem

para que a dor não chegue ainda mais perto

 

Trazes passado e presente de mãos dadas

como crianças

a brincarem de roda em uma tarde de sol

na calçada de um lugar

que ainda mora dentro de ti

 

No dedilhar das teclas

a mágica de ser

e sonhar

 para minha irmã Rosa

 

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Início de um ciclo, na continuidade de tantos outros.

Borbulham lembranças em minha pele; cheiram a mel, a ternura, principalmente a saudade…

 

Brincávamos com tudo o que nos haviam presenteado nossos pais, avô e padrinhos, no quintal de nossa casa.

Era manhã, fazia sol, nossos risos envolviam as flores, as plantas e aquele céu azulzinho, azulzinho, sem uma nuvem sequer.

 

Foi quando mamãe, preparando uma deliciosa sobremesa, pediu para eu pegar algo de que precisava, na quitanda da esquina de casa.

Mamãe sempre fazia isso e eu sempre atendia seu pedido.

Mas naquele dia eu queria ficar junto a meus irmãos, brincando, correndo, simplesmente rindo ao tempo.

Puxa, mamãe! a senhora tem cinco filhos mas só pede para mim!?!

Quem sabe, no caminho, você encontra seu príncipe encantado! respondeu ela, sorrindo.

 

Ah! como minha mãe me conhecia, sabia de meus desejos secretos…

Fui pega de surpresa, incrível!, um pensamento que nunca me havia ocorrido nas tantas vezes que já havia feito aquele trajeto.

Acreditei.

Acreditei e fui.

Quem sabe, viajando na mesma caravana dos reis magos, eu pudesse encontrar um príncipe que, ao contrário dos outros que levavam presentes ao Menino, estivesse trazendo um presente para mim, para encantar meus olhos, meu sorriso e fazer bater mais forte meu coração.

Era Dia de Reis de um ano que mora em mim.

 

 

Como disse em anos anteriores, por vários motivos íntimos escolhi esta data para inaugurar meu blog que hoje completa quatro anos; uma criança que engatinha entre as palavras, na esperança de nelas depositar a simplicidade, a sinceridade e todo o amor de seu coração.

 

 

 

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Metaforicamente

Sabes que te amo

eu sei que tu sabes

 

Sabes que quero

tocar-te o riso

sorrir tua alma

sentir teus passos

 

Sabes que enquanto falas

quero beijar tua boca

beber tuas palavras

taça de cristal

 

Sabes que depois

quero adormecer em teus braços

cantar sonhos

sonhar esperanças

 

 

Sabes tudo

a cada instante

 

Que sou Clara e tu Francisco

és sol e eu lua

a tremer de amor e fogo

debaixo deste hábito

desta aparência que me veste

 

 

 

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Ao Luar

 

 

Um dia um anjo levou-me a conhecer a lua.

Não pude esboçar uma palavra sequer; aquela luz branca como leite e luminosa como um sorriso roubou-me a fala.

Em êxtase, meus olhos queriam ver tudo de uma só vez.

De uma só vez todos os meus sentidos explodiram em luz.

Depois o anjo trouxe-me de volta, depositou-me na grama orvalhada de meus sonhos.

Ainda ouço seu sussurro e sinto seu terno toque antes de partir.

Desde então só faço escrever, tentando transcrever o encantamento que me foi revelado ao luar.

 

 

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De repente interrompi meu caminhar para apreciar a cena.

Vejo esse ballet incrível acontecer diante de meus olhos.

Movimentos flexíveis, harmoniosos, ordenados, como se ali estivesse um maestro invisível a coordenar toda aquela magia.

 No início, lento como a brisa, como se fosse um clássico repleto de detalhes.

Ainda como num clássico, mas tendendo a Tchaikovisky, os movimentos foram evoluindo com maior rapidez, tanta agilidade, até que, como uma grande ventania, começaram a se abraçar, a se beijar, a fazer ruídos como risadas!

Não resisti, pulei para aquele palco, arremessei-me entre eles, abracei-os.

Também os beijei, brinquei de aviãozinho entre eles, roçando em cada um  como uma serpente comprida e ligeira.

E com os braços estendidos como asas comecei a cantar, a correr, a sorrir,  a voar entre eles, com eles!

Somente quem já brincou por entre lençóis, toalhas e roupas dependuradas em varais a secarem ao sol, sabe o que senti naquele momento, quando fiz parte daquele ballet louco e feliz!

Livre e leve como uma borboleta em plena primavera.

 Mas não chegamos ao 2º ato.

A ventania foi tanta, tamanha e tão rápida, prenunciando um temporal, que tive que tirar rapidamente os bailarinos dos varais e convidá-los a pernoitarem dentro de casa, até que o sol saísse no dia seguinte, para que, no dia seguinte, continuássemos a voar livres e leves, como borboletas raras.

Como as borboletas azuis que (espantem!) ainda voam por aqui. 

 

 

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