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Posts Tagged ‘soluço’

Saudade VI

 .

 .

Quisera morrer

mais lentamente

para sentir

pausadamente

cuidadosamente

o amor que me habita

e me arranca do peito

este soluço de saudade

 

 

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Por puro desespero e solidão, pintou-se cuidadosamente, mas sem prestar muita atenção à sua máscara refletida no espelho.

Colocou uma rosa de tecido já meio desbotado nos cabelos, a saia mais justa e mais curta que nunca parava dependurada em seu guarda roupa, um sapato extravagante, uma bolsa, um batom.

E entregou-se a outros homens.

Permitiu outras mãos que não as dele, ouviu sussurros e indecências, mas que de uma certa forma faziam-na sentir-se viva.

Paciente esperava a satisfação alheia, nunca a sua, e ria de todos ao sentir-se desejada sem nada oferecer.

Beijaram-na, abusaram-na e só quando foi abandonada em algum travesseiro frio é que voltou a pensar naquele que sempre amou.

Suas lágrimas de vidro brotaram sem soluços e mais uma vez rasgaram-lhe os olhos, retalharam-lhe o rosto, corroeram-lhe a  alma.

Não se sentia no direito de fazê-lo enxergar sua terna existência, que invisível era diante de tantos desencontros.

E ele, inteligente, profundo, sensível, brilhava até mesmo quando o tempo fechava-se em tempestades.

E não conseguindo alcançá-lo, deixava-se alcançar.

Até que eles a matassem lentamente.

De uma vez.

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 “Mas mais triste que a demora é saber que não vens mais…”

 

E por não haver mais como contar da tua ternura, desespero-me como a tarde desespera-se em perder o sol para a noite.

Sinto-me louca, inútil e invisível.

Mãos vazias, olhos opacos, lágrimas em vão.

Permaneço assim por horas, por dias, por tanto tempo, sem coragem de perguntar o porquê ao meu coração.

Temo que, em um sobressalto, ele pare de uma vez.

Temor infundado porque, pensando bem, qual seria a diferença…

Procuro no escuro de mim alguma luz que me reste, que me faça buscar, mesmo que na face fria do espelho onde me escondo, um carinho que console e faça adormecer minha alma, como se criança fosse.

Mas tudo o que escuto são soluços profundos e longos como abismos.

Já é noite alta e meu corpo continua lá, caído no meio da sala; não mais espera teus olhos de ternura, aquele olhar molhado e profundo, olhando para os meus.

 

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