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Posts Tagged ‘sorriso’

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Antes de encontrá-lo pela última vez é necessário

que eu chore o que me resta

para eu secar por dentro

 

Então estarei pronta

hirta e ausente,

para ouvir sua voz de palavras escolhidas,

mas opacas, vazias como seu coração

 

Para eu ver seu riso frisado, gelado

em um esforço supremo de emoção

como se carinho se encontrasse à venda

em qualquer gesto

 

Para eu sentir suas mãos frias

no meu rosto ardente…

de dor e despedida

 

Para que tanto cuidado em não me ferir

se já me apunhalou…

 

Não faltarei a esse encontro,

digo ao meu coração tão calado

 

É preciso que eu morra para renascer

no canto da boca de um outro sorriso

sentir o calor de outras mãos em profundo aconchego

morar no brilho de um olhar sereno, cuidadoso,

intenso, de desejo

 

E não haverá necessidade de palavras

 

O silêncio é mágico, é portal para outros pulsares

é linguagem de eternidade

 

É preciso que eu morra mais um pouco

um pouco mais, só mais um pouco

 

Falta tão pouco…

 

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Companhia

banco-e-jatoba1

 

Gosto deste canto do jardim.

Os passarinhos também.

E aquele pente velho, meio enterrado, meio querendo ser achado, continua ao pé da árvore, um jatobá.

Talvez queira ter esse contato com a terra  por ser feito de osso.

Talvez goste (?) das cacaradas dos bem-te-vis ou da conversa das árvores em dias de vendaval.

Mas no fundo, lá no fundo mesmo, acho que ele se identifica é com o velhinho que aqui vem tomar sol pela manhã.

Velhinho magrinho, de ossos salientes e que, antes de sentar-se neste mesmo banco, sorri aquele riso desdentado para o pente, como se espelho fosse.

Os dois então, velhinho e pente, sentem-se em casa, não mais sozinhos.

Aos pés do jatobá.

 

 

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Violeta

 

 

Hoje vi uma violeta chorar.

Meu coração ficou apertado pelo seu sofrer.

Já não parecia uma violeta e sim, um passarinho sem rumo, a estranhar seu próprio ninho.

 

Entre uma lágrima e outra, ouvi seu pipilar de dor, pela ingratidão de alguma palavra mal colocada, quando às vezes as pessoas pecam tanto por falar antes de escutar.

Tentei abrandar seu ferimento com outras palavras e com o cuidado que devemos ter com as flores do jardim de nossas vidas.

 

Quando a deixei, Violeta não era mais um passarinho; já havia retomado sua condição de violeta, bonita, iluminada e vívida com sua sabedoria adquirida através de sorrisos e também alguns espinhos.

 

Mas… – alguém me diria – violeta não tem espinhos!!!

Ao que eu responderia, É por isso que Violeta, depois de lavar seu rosto e tomar uma água fresca e límpida, consegue desenhar um lindo sorriso no rosto, voltando a brilhar.

 

 

Escrevi estas palavras para minha mais nova amiga, Violeta Inês Pinto de Oliveira, uma pessoa que vou conhecendo aos poucos, mas que sinto trazer no coração tanta bondade, delicadeza e alegria de viver.

E o tempo não é nada quando comparado ao que recebo de algumas pessoas como ela.

 

 

 

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mãe de giz

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Minha irmã Margarida me enviou esta imagem.

No dia das mães eu gostaria de fazer esse desenho, disse-me ela.

Emocionei-me.

Eu que sempre tive mãe presente em tantos anos de minha vida, convivendo nossas harmonias e cumplicidades, sempre recebendo em meus cabelos seus afagos, em meus olhos seu luminoso sorriso;

Eu que sempre fui tratada de forma especial quando ardia em febre e também especial quando corria, feliz, pelos jardins de minha infância;

Eu que sempre ouvi palavras de conforto, de conscientização, de responsabilidade, de estreitos abraços de pura ternura;

Eu que sempre soube o que é ser amada por uma mãe;

Eu que continuo a reviver tantas lembranças e sentimentos inesquecíveis;

Eu que com tanto amor convivi, não sei avaliar essa dor retratada nessa imagem.

Emocionei-me.

Doeu tanto e tão fundo que só um pensamento que me veio à mente pôde amenizar toda essa solidão: o de minha mãe presente entre nós no dia de hoje, para que ela, com certeza, pudesse acalentar essa criança em seus braços, beijar seu cabelos e chamá-la de filha.

Abraçaria também sua pequena Margarida e todos nós, seus filhos, transmitindo-nos o calor de sua vida nesse gesto de amor.

Mas por certo, lá da estrela onde moram as mães que habitam a outra dimensão, a mãe dessa menina e também a nossa mãe estarão, neste momento, beijando-nos o coração.

 

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De Amor

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 .

Marta chama-o de Paulo, mas não sabe seu nome.

Sabe apenas do seu olhar.

Se vêm todas as semanas, às segundas-feiras pela manhã.

Marta sorri para Paulo.

Paulo sorri para Marta.

 

Paulo mal escutou a voz de Marta.

Marta já reconhece a voz de Paulo, forte, aveludada, quente.

A primeira vez que Paulo a olhou profundamente, Marta sentiu seu coração disparar, como a saltar pela boca, ao mesmo tempo que uma alegria intensa tomava conta dela, da cabeça aos pés.

 

Nesta semana quando se viram de tão perto, Marta desejou-lhe Bom Dia!

Paulo, depois de olhá-la nos olhos por eternos segundos, sutilmente piscou para ela.

Marta sentiu então seu rosto corar e seu sorriso iluminar a alegria no rosto de Paulo.

 

Marta ou Paulo, qual dos dois que, não resistindo, primeiro falará de amor?

 

 

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Fecho os olhos, respiro profundamente e vislumbro os teus cômodos mais íntimos.

Aquele onde teus vestidos luxuosos permanecem estáticos.

Aquele onde teus sapatos se calam sem caminhos.

Aquele onde tuas jóias adormeceram em caixas silenciosas de veludo.

Aquele onde um espelho de parede inteira não mais reflete tua imagem.

Aquele onde um batom permanece aberto, como se fora usado a pouco, acenando o inacabado.

Nada se move, silêncio profundo, penumbra.

 

Necessitando de ar, permito-me correr as cortinas do quarto e abrir aquela porta que dá para o jardim, onde pássaros e flores seguem o curso natural da vida.

É quando os cômodos são invadidos primeiro pela brisa e depois pelo sol e essa lufada de vento e luz me faz constatar que realmente é primavera e que estamos na presença uma da outra.

Sei que estás ali, com teu riso farto, tua naturalidade, tua espada de guerreira nas mãos, tuas palavras doces e tua vontade tão grande de viver.

 

Em uma entrevista me fizeste lembrar, o que me sensibilizou, um dos escritores que tanto amo, José Saramago,  quando falaste “não tenho medo de morrer, mas tenho uma peninha… adoro conviver com as pessoas, meus cachorros, meu trabalho, conhecer lugares.”

 

Tão forte tua presença que cheguei a ouvir tua risada e a sentir, mais uma vez, a imensidão da tua luz, a distância que um simples gesto teu pôde alcançar, o pedaço de teu coração que entregavas junto a cada carinho.

 

Então me certifiquei de que teus cômodos mais íntimos não foram os que de imediato vislumbrei, porque não importa o que tenhas deixado pelos cômodos de tua casa e sim, o que guardavas em teu coração e transbordava em tuas emoções: Vida!

Sem medo de críticas, julgamentos, rótulos, sem receio de nada, porque o que expunhas era autêntico, tua alma rara.

 

Cerro as cortinas e antes de deixar esta visão, coloco uma rosa, a que mais gostavas, em teu travesseiro, certa de que a receberás aonde quer que brilhes agora.

Querias apenas ser feliz, Hebe Camargo, e assim o foi.

Linda de ver, Linda de viver!

 

  A vida é tão bonita e eu tenho tanta pena de morrer”

José Saramago

 

 

 

 

 

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Mel

para minha amiga e poeta Isabel Campos

Palavras presentes

seiva

a escorrerem pelo canto da boca

sorriso

carinho enxugando tristezas

mel

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