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Ao Entardecer

rosa e piano

 

 

No dedilhar das teclas do piano

te encontro criança

te encontro mulher

 

Trazes junto com os sons

vozes ausentes

mas nunca esquecidas

 

Trazes momentos que mostram,

como espelhos,

a infância vivida a cada instante

e que hoje chama-se lembrança

 

Mostras a mulher que descobriu a si mesma

que se entregou a cada sentido

a cada carinho

à descoberta de que a vida não é

apenas uma rosa, como tu,

mas que os espinhos existem

para que a dor não chegue ainda mais perto

 

Trazes passado e presente de mãos dadas

como crianças

a brincarem de roda em uma tarde de sol

na calçada de um lugar

que ainda mora dentro de ti

 

No dedilhar das teclas

a mágica de ser

e sonhar

 para minha irmã Rosa

 

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 “Mas mais triste que a demora é saber que não vens mais…”

 

E por não haver mais como contar da tua ternura, desespero-me como a tarde desespera-se em perder o sol para a noite.

Sinto-me louca, inútil e invisível.

Mãos vazias, olhos opacos, lágrimas em vão.

Permaneço assim por horas, por dias, por tanto tempo, sem coragem de perguntar o porquê ao meu coração.

Temo que, em um sobressalto, ele pare de uma vez.

Temor infundado porque, pensando bem, qual seria a diferença…

Procuro no escuro de mim alguma luz que me reste, que me faça buscar, mesmo que na face fria do espelho onde me escondo, um carinho que console e faça adormecer minha alma, como se criança fosse.

Mas tudo o que escuto são soluços profundos e longos como abismos.

Já é noite alta e meu corpo continua lá, caído no meio da sala; não mais espera teus olhos de ternura, aquele olhar molhado e profundo, olhando para os meus.

 

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Pega-me entre as mãos

como se eu fosse uma flor

já vivendo sua tarde

 

Sente meu perfume suave

como é suave a brisa

lá nos bambuzais

 

Coloca-me num vaso

e enquanto alimenta-me

com a água pura e fresca

 do rio que corre lá no pomar

diz-me uma palavra doce

para me confortar

 

Afinal não é todo dia

que uma flor tardia

tem consciência

da sua permanência

 

Estende por debaixo do vaso

aquela toalha rendada

pelas mãos de minha mãe

para que me faça companhia

 

E quando saíres da sala

pisa manso

devagar

para que eu não suspeite

que partes

e nunca possa mais te olhar

 

 

  

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Regresso

  

Espero teu regresso

para empinarmos pipa

brincarmos de pega

voarmos no teu carrinho de rolimã

 

Haveremos de rir muito

dos joelhos ralados

das mãos sujas de terra

e da dor no pescoço de tanto olhar para o céu

 

Depois, cansados

deitaremos na relva macia

como macia é tua voz

para sonharmos com as formas das nuvens

 

Haveremos de conversar com os caracóis

grilos e também com os pássaros

e ao tentar colher um girassol

pedirei que não o faça

assim poderemos apreciá-lo sempre

 

Deixarei que recostes tua cabeça no meu colo

e tu deixarás que eu acaricie os teus cabelos

cantarei uma melodia de acordo com a tarde

e tu recitarás as estrelas por vir

 

Embriagados pela fonte que jorra de nós

levantaremos num salto

eu com meu vestidinho rodado

e tu de calça curta

prontos para apostar uma corrida

pelo campo repleto de florzinhas azuis

e nosso riso há de farfalhar a copa de todas as árvores

 

Espero pacientemente teu regresso

 

 

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