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Posts Tagged ‘ternura’

Borboletas[4]

 

 

 

Permite, meu Deus

que eu repouse meu ser

um pouco cansado, um pouco triste

um pouco assustado em Teus braços

por um instante que seja

para que eu possa acreditar

que ainda existe abrigo

 .

Que eu possa adormecer

sentindo Tuas mãos

acariciando meus cabelos

para que eu possa acreditar

que ainda existe ternura

 .

Que eu possa sentir

o Teu beijo em minha face

o Teu olhar tão doce nos meus

para que eu possa acreditar

que ainda existe gratidão

 .

Deus de meu coração

se Tu quiseres (e se eu merecer)

canta para mim

uma canção de criança

para que eu possa acreditar

que ainda existe amor

 

 

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Depois de uma longa ausência, volto para iniciar o ano com um fato tocante, na tentativa de abrir este novo ciclo com algo positivo, altruísta, de puro sentimento; é também uma forma terna e profunda de comemorar os cinco anos de existência do meu blog, embora atrasado, que ocorreu na data em que se comemora o Dia de Reis.

Como de um modo geral não vejo nenhuma mudança mais acentuada que seja digna de comentário, então parto para atitudes individuais que, se propagadas, penso e pretendo tocar o coração daqueles que ainda se importam com seus semelhantes, realizando renovações através de suas virtudes, sensibilidade, solidariedade, essência. 

 É o que fez minha amiga Daniela Panebianco nos primeiros dias deste ano que me leva a escrever e a refletir sobre o assunto.

 Mas o que fez Daniela de tão excepcional? poderão estar se perguntando.

Pois é, Daniela é médica veterinária que trabalha diariamente em um órgão da prefeitura (CCZ), fazendo cirurgias em animaizinhos doentes e/ou castrações.

Dia desses chegou até ela uma cachorrinha poodle que seus colegas encontraram em um cemitério, abandonada por alguém ou por algum canil, toda machucada, cega de um olho, problemas de pele e de pelo, completamente mal tratada; enfim, esquivo-me de outros detalhes dolorosos, para amenizar a vergonha que sinto em pertencer à raça dita humana.

A situação da cachorrinha a sensibilizou a tal ponto que adotou-a quase que de imediato; sentiu naquele animalzinho toda a necessidade de um amparo mais de perto, além do carinho tão premente para que essa criaturinha pudesse sentir que nem todo ser humano é bruto, explorador, desumano, corrupto, estúpido e ganancioso, no pior sentido da palavra.

Deu a ela o nome de Nelly e ela já sabe que tem esse nome porque responde com um olhar, reconhecendo a voz de sua dona.

Deu a ela o que de mais terno tem no coração: muito amor, muitos cuidados, toda a atenção que Nelly talvez nunca tenha recebido em toda a sua vida de alguém.

Deu uma casa, conforto, alimento, medicamentos e um companheirinho, Johnny, para brincar.

Nelly é uma criaturinha meiga, suave, quieta, aconchegante.

Ainda é uma cachorrinha que caminha de olhos baixos, devagar, ainda não sabe lamber como forma de carinho, ainda não sabe brincar com bola, correr e latir: o sofrimento ainda lhe pesa nos dias. Talvez esteja assustada com tanta coisa boa que vem recebendo das pessoas ao seu redor.

Mas quando sai na rua demonstra gostar de passear, andando rápido e a tudo farejando com seu apurado olfato; gosta também de comer e de dormir em sua caminha fofa ou nos braços de alguém que lhe faça cafuné.

No final da semana passada Nelly foi para o sítio, ficou solta entre plantas e árvores, passarinhos e tartarugas; arriscou-se até a explorar o território ao redor da casa.

Sentiu o sol e também ouviu a chuva, dormiu em um tapete macio e não acordou assustada porque já descobriu que é amada; sabe que pode dormir porque, quando acordar, o sonho não vai acabar.

 

Fiquei muito honrada quando fui convidada para ser sua madrinha, porque é uma grande oportunidade que tenho de entregar a ela o que de melhor guardo em mim.

Às vezes olho para ela repousada em meus braços e sinto um aperto enorme no peito, imaginando as barbaridades pelas quais possa ter passado, mas tento mudar o pensamento, passando energias saudáveis e todo um carinho que sei Nelly ser merecedora de muito mais.

 

Comentei com Daniela em escrever sobre a Nelly, ao que ela me disse ser tão comum o que ela fez, ” isso acontece todos os dias, há milhares de animaizinhos sem condições nenhuma e abandonados que estão vagando pelas ruas ou sendo recolhidos para adoção”!

Não posso concordar com algumas de suas palavras; se essa atitude fosse comum, não haveria tantos animaizinhos abandonados, mal tratados, explorados pelos canis para reprodução em massa e depois jogados à revelia, como se fossem pacotes ou objetos que não servem mais.

A verdade é que Daniela tem um coração tão bom, uma alma tão sensível, que acha essa uma atitude corriqueira, talvez sem dimensionar totalmente a grandiosidade de sua ação.

Por isso e por tudo que tenho presenciado, eu a admiro e muito, cada vez mais.

 

Se Nelly pudesse falar, com certeza diria “obrigada, Daniela”!

Mas eu posso e digo em seu e em meu nome: obrigada, Daniela, por mais este aprendizado e esta demonstração de Amor.

 

Isto posto, desejo Feliz Ano Novo a todos aqueles que ainda sonham com um mundo melhor.

 

 

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.

Quando o poeta pensa

pare palavras

que passam de sua pena

para o papel

 

Desenha poemas

desenha suas penas

desenha pontos reticentes

de ternura e saudade

 

Depois enxuga os olhos

e volta a sonhar

 

 

 para meu querido poeta Álvaro Alves de Faria

 

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Mãe

.

.

.

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Presença

Daqui te vejo.

Embora tua figura pareça estática porque esquadrinhada pela moldura, teus olhos não sorriem mas são penetrantes, profundos.

Intensos.

E mesmo estando a alguns metros de mim, sinto que me perturbam.

Embora estejas sério, diria até que meio apreensivo, teu semblante é sereno, teus olhos são ternos.

E por tanta doçura, todas as manhãs passei a praticar um pequeno ritual, simples porém mágico: tiro o pó do  quadro, vagarosamente a te contemplar,porque fazendo assim  tenho a sensação de que estou  acariciando-te e a tudo que representas em mim…

À noite beijo-te,  com o desejo de que possas fugir desse quadro para invadir algum sonho meu.

 

 

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 “Mas mais triste que a demora é saber que não vens mais…”

 

E por não haver mais como contar da tua ternura, desespero-me como a tarde desespera-se em perder o sol para a noite.

Sinto-me louca, inútil e invisível.

Mãos vazias, olhos opacos, lágrimas em vão.

Permaneço assim por horas, por dias, por tanto tempo, sem coragem de perguntar o porquê ao meu coração.

Temo que, em um sobressalto, ele pare de uma vez.

Temor infundado porque, pensando bem, qual seria a diferença…

Procuro no escuro de mim alguma luz que me reste, que me faça buscar, mesmo que na face fria do espelho onde me escondo, um carinho que console e faça adormecer minha alma, como se criança fosse.

Mas tudo o que escuto são soluços profundos e longos como abismos.

Já é noite alta e meu corpo continua lá, caído no meio da sala; não mais espera teus olhos de ternura, aquele olhar molhado e profundo, olhando para os meus.

 

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“Já demos um ao outro tantos sinais de ternura…”

                                                   Eurípedes (Medeia)

E por não haver mais o que fazer

decidi arrancá-lo para sempre

de dentro de mim

 

Prendi a respiração

mas você resistiu

 

Pulei do penhasco

mas você me amparou

 

Tomei veneno

mas você me depurou

 

Cortei os pulsos

mas você a vida me estancou

 

E me fez lembrar

entre um carinho e outro

que nada, absolutamente nada

é definitivo

 

 

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Aqui estou.

Na casa dos meus sonhos.

Vejo esta escadaria e sinto-me como quando pequena, descendo pelo corrimão, a voar dias, ouvindo minha tia cheia de cuidados.

A passar horas de alegria até o relógio se cansar de marcar tantos risos.

  

Aqui estou.

Outrora onde houvera o quadro de meu avô, agora me sorri um homem de semblante centrado a fitar-me diretamente nos olhos, como o fazem somente criaturas especiais.

Austero como convém à moldura, porém com uma ponta de tristeza no olho esquerdo.

  

Esta sala… o vitral ao fundo, sem luz natural.

Quantas tardes sentei-me neste mesmo lugar, aonde havia um grande e macio sofá, só para ficar olhando o sol se por nesses mil pedacinhos de vidros coloridos, alegrias diversas, flores raras, murmúrios de fontes, pássaros a desvendarem o espaço…

  

No teto desta sala onde muitas vezes deixei meus olhos se perderem, depositei em cada canto, em cada devaneio, minhas ilusões, meus anseios e alguns medos.

Mas foi no sótão que escondi meus segredos, a esperar meu príncipe na sacada, nas noites de luar.

  

E minha mãe a tricotar mais sapatinhos de bebê.

E meu pai a fumar seu cachimbo com cheiro de chocolate, lendo as últimas notícias estampadas no jornal.

E meu avô ao telefone, aquele antigo, de manivela, a trocar idéias com Ramos de Azevedo.

Meu irmão caçula a pintar um quadro de escravos libertos, enquanto minha irmã mais velha lia algo interessante sobre Haroldo de Campos, este de olhar emoldurado!

  

Aqui estou.

Na casa de meus sonhos que hoje chamam de Casa das Rosas, onde outrora foram plantadas em seus imensos canteiros e cultivadas pelas mãos de minha mãe, inúmeras rosas, de várias nuances, que marcavam sempre uma data especial.

  

Aqui estou.

Em outro tempo, em outra pele, com o sentimento impregnado de lembranças, como se de um perfume de nome saudades…

 

 

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 Segura minhas mãos

meu pai, como fazias

quando me aparavas as unhas

enquanto cantavas

 

Assim e com certeza

não me sentirei tão sozinha

tão perdida

no meio de tanta ansiedade

e alguns desencontros

 

Segura minhas mãos

meu pai, como fazias

quando me ajudavas a atravessar as ruas

enquanto conversavas

a me mostrar o mundo

as pessoas

as aves do céu

 

Ainda me lembro de tuas histórias

de teus olhos brilhando

e de minha alma quieta

em paz, te ouvindo

porque eu sabia

sempre sabia

que todo o tempo,

até que eu dormisse,

minhas mãos segurarias

 

Segura minhas mãos

meu pai, como fazias

para eu sonhar com aquele tempo

em que, cantando,

me carregavas nos braços

para me fazer dormir

  

A ti, meu pai,

a continuidade de tua vida

em minha vida

de alguns de teus sonhos

em minhas mãos

 

A ti, meu pai

meu carinho eterno

 

 

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Canto

… e então abraçou-me como se o anjo fosse eu!

Com ternura e suavidade.

Por um segundo senti seu coração batendo junto ao meu corpo, seus braços cingindo minha cintura.

Depois me beijou os cabelos.

E me sorriu lentamente, com o vagar da eternidade.

Senti minhas pernas fraquejarem, as imagens turvarem, a respiração alterar.

Só via seus olhos e neles mergulhei  a nadar sentimentos profundos.

Foi quando me perguntou se eu queria voar.

Não tenho asas, meu amor – respondi – mas, se quiseres,  aprendi a cantar uma bela canção, que me ensinou um passarinho sabiá!

Sem nada falar, tomou-me nos braços e alçou suave voo, voo de anjo, até o por do sol.

E de mãos dadas, sentados em uma nuvem rosa – alaranjada, vendo o sol a despedir-se de nossos olhos para dentro de nossas almas, disse-me então, com voz mansa e doce, para eu cantar aquela canção.

Sem largar de suas mãos, fechei os olhos e cantei do jeitinho que o passarinho sabiá me ensinou: com a simplicidade da alma, com a intensidade da emoção.

Por toda a noite.

Por todo o verão.

Por toda a vida.

Para ele.

Só para ele.

 

 

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