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Posts Tagged ‘vazio’

Ser II


buraco_negro1

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Ando

pela casa escura

como se cega fosse

do corpo e da alma

 

Tateio paredes

quadros antigos

móveis lanhados

o negro vazio

 

É quando me invade

o medo

tirano

e descubro que nada sou

 

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Simplesmente

 

Sufocava-me em vazios

Morria-me em pedras

Esforçava-me em dores

Mas me perdia em sonhos com um simples sorriso teu

 

 

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Não me faças lembrar

que tiveste outras

antes de mim

 

Peço-te, acolhe-me

como se eu fosse a primeira

e a única

a invadir tuas noites

insones

convidando-te a dançar

 

Brinca comigo

de colar em meu corpo

estrelas brilhantes

que eu colarei em teus cabelos

os beijos que sempre quis te dar

 

Não me faças lembrar

que enquanto sonhava contigo

tu elegias outra para guardar

com carinho e calor

a tua vida

 

Não me faças lembrar

que depois do dia vem a noite

a noite que sangra

porque depois do amor

vem o adeus

mãos vazias num tempo

de carinhos esquecidos

 

Não me faças mais uma

apenas brinca comigo

como brincam aqueles que se amam

pela primeira vez

 

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Por quê?

Se as mulheres conseguiram colocar-se em projeção profissional.

Se têm filhos quando querem.

Se cursam qualquer faculdade.

Se repartem deveres domésticos com seus companheiros e se não há companheiros, conseguem prover suas casas sozinhas, desde uma conta de luz até uma garrafa de vinho.

Se administram seus cartões de crédito.

Se fazem suas escolhas sociais e culturais,

Por que continuam tristes?

 

Olho sem medo para meus olhos, me enxergo e aponto para minha alma o que sempre me faltou e a cada dia mais, porque o que tenho visto é desolador, o oposto do que preciso, sempre.

Há exceções e como é reconfortante reconhecer exceções, embora seja como procurar agulha no palheiro ou fazer um camelo passar pelo buraco de uma agulha ou… não importa: há exceções.

No entanto essa insatisfação crescente vai tomando conta dos gestos, apagando o brilho do olhar.

Vai colocando a mente racional, objetiva, prática em destaque.

Vai automatizando ações e reações.

Vai formatando pensamentos, vontades, sentimentos.

Na verdade vai escravizando ao invés de libertar.

A roupa da moda, o corpo da moda, a boca da moda…

Por que continuam tristes?

 

Nunca gostei de cascas.

Não me fazem bem.

Nem das frutas; também daquelas onde dizem que a maior quantidade de vitaminas está concentrada.

Não consigo digerí-las; ficam entaladas na garganta, às vezes até roubam-me o ar.

Nunca consegui digerir cascas, superficialidades; para bem da verdade, nunca fiz o mínimo esforço para isso.

Sei que acabaria me engasgando com invólucros, protótipos de mulher que, posando de poderosas, servem hoje e cada vez mais, de exemplares-padrão a serem seguidos.

Mulheres de plástico.

Derretem ao sol, racham ao frio.

No mais, ocas, cascas que nem de porcelana são.

Saio pelas ruas observando fisionomias, em especial das mulheres.

E quando me canso, paro em frente à vitrine de uma loja qualquer e, vendo-me refletida no vidro, a única pergunta que me invade a mente é:

Por que as mulheres continuam tristes?

 

 

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Vazio

 

 

Hoje li uma carta de alguém que não existe mais.

Não que tenha morrido mas que se matou em mim.

Me senti ausente, como se o que lia não falasse de mim.

Palavras que outrora fizeram-me chorar, hoje mostram-se frias.

Um conjunto de letras, combinadas, formando palavras.

Apenas isso.

Palavras vazias, ocas, nada mais.

Nem perfume possuem mais.

Assim sendo, presumo que sobrevivi.

 

 

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