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Posts Tagged ‘vento’

Espera

espera 1

 

 

Por quem esperas

assim ansiosa à porta

contando o vento

que passa e nunca fica

.

Que lugar é aquele

lá longe que não traz ninguém

que fica silencioso

roendo as unhas

.

Que lágrima é essa

que não tem nome

que cai inutilmente

se entranhando na terra

.

Por quem esperas… por quem

.

Mesmo que tua espera dure todas as estações

não desistas;.

o brinquedo que pediste é feito de horizonte

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pablo neruda

.

Perscruto o tempo e parece-me ouvir tua voz que me faz voar entre poemas, buscando teus sentimentos, verso a verso, nos caminhos e descaminhos, na ausência, na saudade, na busca, na solidão.

E triste fico ao sentir a falta de poesia nesta atualidade, onde ela é trocada por nada, nada mesmo, por pompas exacerbadas, atos ilícitos, brutalidades que tornam os seres insensíveis, roubando o sonho de quem tem o direito e a precisão de sonhar.

 

Para ti, Mestre Neruda, nada disto é novidade se relembrarmos de tudo porque passaste, até que, de decepção e dor, te isolaste das coisas mundanas para poder mais um pouco sobreviver, para viver, quem sabe, um último sonho.

Mas nem isso te foi permitido, teus dias de sonhos últimos e de contemplação que ainda buscavas foram ceifados.

De tristeza morreste, é verdade, mas como se não bastasse fizeram-te morrer inúmeras vezes e, na derradeira, pelas mãos que manchadas para sempre estarão das palavras que não tiveram tempo de serem ditas, dos poemas que voaram contigo pelo caminho do invisível.

.

Hoje, data em que te obrigaram a tomar outros rumos, permito que minha alma volite entre tuas palavras, tuas emoções e esperanças; a primavera que não teve a seu favor o tempo de existir.

 

Quando olho o mar, procuro entre o movimento das ondas o teu silencioso e distante olhar.

.

 18

 Aqui te amo

Nos escuros pinheiros se desenlaça o vento

A lua fosforece nas águas errantes

Andam dias iguais e perseguir-me.

Às vezes amanheço e minha alma está úmida

Soa, ressoa o mar distante

Isto é um porto

Aqui te amo.

.

Aqui eu te amo e em vão te oculta o horizonte

Estou a amar-te ainda entre estas frias coisas

Às vezes vão meus beijos nesses pesados barcos

Que correm pelo mar rumo onde não chegam.

Olham-me com teus olhos as estrelas maiores

E ainda porque te amo, os pinheiros, no vento,

querem cantar teu nome, com suas folhas de cobre.

 

 (Vinte Poemas de Amor e Uma Canção Desesperada)

 

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Debruçada na janela

sinto o tempo

voa o vento

 

No coração

amor incessante

como flor amarela, constante

 

Nos lábios quase selados

teu nome, meu pecado

só meu anjo pôde ouvir

 

Nas asas do tempo

esse amor é assim

sem destino

 

Por isso

saudade

invento

 

 

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Fecho os olhos, respiro profundamente e vislumbro os teus cômodos mais íntimos.

Aquele onde teus vestidos luxuosos permanecem estáticos.

Aquele onde teus sapatos se calam sem caminhos.

Aquele onde tuas jóias adormeceram em caixas silenciosas de veludo.

Aquele onde um espelho de parede inteira não mais reflete tua imagem.

Aquele onde um batom permanece aberto, como se fora usado a pouco, acenando o inacabado.

Nada se move, silêncio profundo, penumbra.

 

Necessitando de ar, permito-me correr as cortinas do quarto e abrir aquela porta que dá para o jardim, onde pássaros e flores seguem o curso natural da vida.

É quando os cômodos são invadidos primeiro pela brisa e depois pelo sol e essa lufada de vento e luz me faz constatar que realmente é primavera e que estamos na presença uma da outra.

Sei que estás ali, com teu riso farto, tua naturalidade, tua espada de guerreira nas mãos, tuas palavras doces e tua vontade tão grande de viver.

 

Em uma entrevista me fizeste lembrar, o que me sensibilizou, um dos escritores que tanto amo, José Saramago,  quando falaste “não tenho medo de morrer, mas tenho uma peninha… adoro conviver com as pessoas, meus cachorros, meu trabalho, conhecer lugares.”

 

Tão forte tua presença que cheguei a ouvir tua risada e a sentir, mais uma vez, a imensidão da tua luz, a distância que um simples gesto teu pôde alcançar, o pedaço de teu coração que entregavas junto a cada carinho.

 

Então me certifiquei de que teus cômodos mais íntimos não foram os que de imediato vislumbrei, porque não importa o que tenhas deixado pelos cômodos de tua casa e sim, o que guardavas em teu coração e transbordava em tuas emoções: Vida!

Sem medo de críticas, julgamentos, rótulos, sem receio de nada, porque o que expunhas era autêntico, tua alma rara.

 

Cerro as cortinas e antes de deixar esta visão, coloco uma rosa, a que mais gostavas, em teu travesseiro, certa de que a receberás aonde quer que brilhes agora.

Querias apenas ser feliz, Hebe Camargo, e assim o foi.

Linda de ver, Linda de viver!

 

  A vida é tão bonita e eu tenho tanta pena de morrer”

José Saramago

 

 

 

 

 

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Semeador

  

Encontrei-te

às margens de um rio

daquele onde guardas tua alma

 

Na quietude do instante

pressenti que conversavas

com o tempo

 

Depois, mais atenta

vi que choravas

como a correnteza

e o vento

 

Quis aproximar-me

sorrir-te

acalentar-te

com um carinho de luz

 

Pensei até em beijar-te

mas estanquei bruscamente

quando vi em tuas mãos

um punhal

 

Desesperei-me, corri

e só então vi

que plantavas mais uma árvore

aos pés de outra

 

No brilho de teus olhos

na emoção de tuas lágrimas

senti que ali permanecerias

até o primeiro fruto

 

 

 

 

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Sinto morrer-me quando te calas

Ouço o grito do silêncio teu

 

Tua mão fria me alcança e meu coração, em pedra e gelo, envelhece da aurora ao anoitecer

Meu corpo, chama viva, não mais reconhece o teu

 

Se sentisse vida em teus olhos talvez esperasse o gesto de rever o amanhã, o orvalho, a grama, as flores, os pinheirais, o sol embalando esperanças

 

Mas teu olhar ausente, disperso, incerto, ao certo já está aonde existe vida

A vida que procuras, que não a minha

 

 

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Deita menino, tua cabeça no meu ombro.

 

Se quiseres continuar tocando tua flauta, ouvirei todas as notas e verei todos os risos que dela se elevam aos céus.

 

Se quiseres chorar, não farei barulho algum para que possas ouvir o bater forte e compassado de meu coração, dizendo que nas lágrimas mais sentidas estão escondidos os oceanos de esperança.

 

Dorme menino, deixa que o vento suave brinque com teus cabelos macios, te beije os olhos e os sonhos; enquanto ressonas, recordarei teus murmúrios, teus pedidos às estrelas quando, numa poça d’água, achavas que as tinhas a escorrer entre os dedos.

 

Quando acordares será outro tempo e, abrindo teus olhos e tua mente, terás tempo suficiente para sentires o sol raiando na tua vontade louca de viver!

 

Por enquanto, adormece menino; prometo segurar teu balão colorido para que não saia a voar sem destino e também não deixarei que as formigas façam festa com teu algodão doce porque, bem sei, o clima não é de festa…

 

Quero apenas que descanse teu cansaço, tua dor, tua aflição; quem sabe sonhes com uma pipa linda a riscar o espaço, quem sabe sonhes com uma rosa ou com uma nova canção.

 

Permite apenas que eu sorria, na tentativa de que teu sono seja em paz.

 

 

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