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Posts Tagged ‘verdade’

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cruz-santiago

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Há uma lucidez invisível no ar

Passos procuram caminhos diversos

Indicadores apontam luas e sóis diferentes

(sois diferente?)

Moradas das chamas de amor

Não um pelo outro

mas pelo mundo

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Leste, Oeste

Norte, Sul

Pai, Mãe

Poder e Consciência

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No centro da Rosa dos Ventos

a Rosa, a lucidez

A consciência invisível

O sopro no ar

O sopro da Vida

 

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cão e gato

Aprendemos a falar de amor para quê?

Somente para enaltecer a beleza da Natureza, o amor incondicional dos animais ou do ímã que existe entre os seres terrestres e espaciais?

 

Cabe a nós que ainda sonhamos, a nós que trazemos no peito um coração incansável que canta, dança, pula e brinca como criança; cabe a nós amenizar a dor e o desamor que assola não só o nosso ou outros povos, mas toda a humanidade.

 

É um fardo pesado sim, muitos não aguentam, desistem à margem da tentativa!

Mas é um fardo que nos faz crescer, amadurecer, porque nos ensina lições preciosas, inesquecíveis.

 

Somente no final do ano a maioria dos humanos deixa aflorar seu potencial (os animais irracionais fazem isso durante todos os dias de suas vidas…. e nós é que somos inteligentes); todos sorriem, se beijam e se abraçam, se presenteiam e se desejam uma felicidade que, na verdade, não conhecem.

Fitas coloridas, árvores enfeitadas, mensagens radiantes… amorzinho, amiguinho, irmãzinha e outras “inhas” para demonstrar a gratidão acumulada durante todo um ano e que agora explode como fogos de artifício.

 

Cabe a nós que ainda sonhamos, a tentativa de “virar” a maioria das pessoas no avesso e assim, ajudá-las a externar suas luzes e descobrirem através de atos, e tão somente de atos, que não há necessidade desse represamento de emoções.

Cabe a nós mostrar que podemos tudo e sem brincar de Polyana, com o pé sempre no chão e o coração nas estrelas.

 

Afinal, quantas vezes já sorrimos quando, por dentro, chorávamos?

Quantas vezes edificamos no momento exato em que, por algum motivo, estávamos sendo destruídos?

Quantas vezes caminhamos para incentivar, quando na verdade pensávamos em parar, ficar, se acomodar?

 

Somos todos iguais, passamos pelas mesmas alegrias, dores e necessidades; aquele que diz sofrer mais é porque já atingiu a fase da cegueira e só pensa em si ou faz de si uma vítima.

A única diferença é que uns conseguem sonhar, outros não.

Os que sonham nunca tiram os pés da atualidade (verdade) e nem os olhos do céu; e assim se fortalecem e entendem seu papel na história do Universo.

Faça de você uma ideia maior.

 

Por esta razão desejo, sim, um Natal de Luz e muita Paz, mas não apenas uma passagem de ano alegre, com músicas altas e bons presságios; não quero desejar apenas palavras que possam  se perder no decorrer do tempo.

Desejo sim, que os anos do resto de nossas vidas passem por nossas emoções profundas e ações marcantes.

 

Para isso aprendemos a falar de amor.

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” Foi o tempo que perdeste com tua rosa que fez tua rosa tão importante”.

Antoine de Saint-Exupéry

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Sem pedir licença, esta lembrança vai me pondo em sobressaltos, impregnada de  emoção e pranto.

 

Um dia tornaste-me tua rosa.

Fui tua rosa.

Regaste-me mais do que eu a ti, muito mais.

Plantaste-me, definindo com cuidado os tons das pétalas, a sustentação do caule, as folhas farfalhantes ao vento  e meu perfume suave, porém marcante.

Espinhos também, para que eu pudesse me defender caso tu adormecesse.

 

Um dia veio a vontade de libertar-me.

Tudo parecia triste, pequeno, solitário.

No meio da noite imóvel talhei meu caule sem vacilar.

Fugi do teu canteiro que meu também era.

Mas tu, jardineiro de minha alma, me encontrando mesmo assim, continuaste visitando-me e regando-me, agora com o silêncio da tua dor.

Não me perguntaste sequer se eu havia sido roubada e replantada neste outro canteiro ou se sozinha fugi.

Deste-me vida e nada pediste; em troca, nada te dei.

 

Depois de chuvas e sóis, no antigo canteiro outra flor nasceu.

Outra rosa, uma rosa que você plantou, não sei bem se com o mesmo cuidado, o mesmo riso matinal, o mesmo beijo carinhoso, cantando os mesmos versos de amor.

Outra rosa… lembra-te?

 

Embora eu soubesse da nova vida em teu jardim, quando passavas por perto da minha contínua solidão (de nada adiantou-me fugir), eu apenas sorria e perguntava se estavas bem.

Mas meu coração gritava sufocado, perguntando se por ventura brotara alguma folhinha, alguma florzinha de meu pé esquecido lá no canteiro, ou se ele havia morrido de vez.

 

Hoje resta o orvalho em mim.

Cresci, é verdade; hoje meço dez pétalas, cinco folhas e uma haste.

Os espinhos, perdi a conta.

para meu primeiro amor

1.971

 

 

 

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Nelson Mandela.

Quero hoje conversar um pouco contigo, dia de teu aniversário.

Não só para comemorar esta data, mas por todas as que, com paciência e perseverança que só os sábios têm, continuas construindo a história de um povo, a história da evolução da humanidade, como um grande exemplo àqueles que querem decidir o rumo dos tempos pela força, corrupção e injustiças desregradas.

Mais que um exemplo, uma profunda reflexão sobre a vontade de proporcionar a seu semelhante uma visão real e melhor do que é possível viver.

 

Quantas amarguras, dores, humilhações, privações se esconderam por detrás do teu sorriso… um sorriso doce, sereno, olhar no horizonte enxergando longe, gravado nele todos os momentos de aflição, de conflitos, de solidão.

Por certo, em algum momento contigo mesmo, pensaste em desistir, mas não deixou se levar pelo instante, pequeno instante de fraqueza.

Tinhas a convicta certeza de que depois de tanto tempo, de tantos percalços, as portas se abririam, aquelas que fechadas a corrente estavam, vigiadas sempre com uma arma em punho.

Como se tua doçura precisasse de todo esse aparato… na verdade, os que te cercavam é que precisavam do teu respirar, pensar, sentir e agir.

 

E a palavra liberdade deixou de ser uma palavra, para morar nos lábios dos que te amam, apesar dela já existir há muito em teu coração, mesmo que ainda atrás das grades; já respiravas e vislumbravas teus sonhos acontecendo, primeiro no alívio e depois no grito reprimido no peito de cada compatriota, de cada pedacinho do sonho teu.

 

Hoje passas privações de tantas coisas materiais que afetam tua saúde, mas teu espírito está tranquilo pois já cumpriste tua tarefa para com a humanidade.

E mesmo desse hospital onde estás e com todas as dificuldades que isso implica, podes ver as homenagens que te fazem, não só hoje, repito, mas todos os dias das vidas para as quais estendes ainda e sempre tua alma generosa.

Cada dia vivido de cada pessoa que acreditou na tua luta é o presente que continuas a receber da própria vida; afinal, nos tempos de hoje já não mais encontramos alguém com tua coragem em deixar para trás os momentos ruins e difíceis acontecidos, para vivenciar plenamente esse grito de liberdade e amor.

 

Para mim tu és, sem dúvida alguma, o ser humano mais admirável dos nossos tempos e sinto-me privilegiada em poder estar viva na mesma época em que disseminaste tua vida em cada vida, não só na África, mas no coração da humanidade.

Obrigada Mandela, tu és um espírito de Luz e Amor.

 

 

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Esperei por você a três dias e três noites da data conforme combinamos.

No primeiro dia choveu pela manhã e os carros que passavam rente à calçada respingaram alguma água da poça no meu casaco, aquele que comprei somente para ir encontrá-lo.

Mas não liguei porque estava tão feliz… um pouco ansiosa,  é verdade.

À noite vi na curva daquela rua que não sei por que me parece tão familiar, aquele ônibus antigo, de um verde que não se vê mais.

Parando no ponto, senhoras com chapéus um tanto exagerados desceram e também senhores de bengalas com cabos de prata e anéis de doutor a exibirem nos anulares.

Como sabemos você não veio, senão não estaria escrevendo neste instante, correndo o risco de minha carta não encontrá-lo caso você tivesse resolvido vir ao meu encontro.

 

No segundo dia o céu estava muito limpo e não sei por que me senti mais leve; na verdade senti sua aproximação, como se lá na esquina você já estivesse.

Pedi para um garoto comprar um lanche, receando deixar a parada de ônibus justo no momento em que você pudesse chegar.

Meio penalizado, o garoto me fez companhia enquanto eu comia, contando-me uma história que não entendi muito bem, do irmão que se alistou na marinha sem sequer saber nadar.

À noite abriguei-me debaixo da cobertura do ponto e como movimento não houvesse, pude até deitar-me no banco, esticando minhas pernas um pouco cansadas.

A barra do meu casaco já havia secado, embora tenha ficado suja.

 

No terceiro dia o sol chegou cedo, os trabalhadores também.

Alguns, já me reconhecendo, cumprimentaram-me.

Quando outro ônibus verde e antigo virou a esquina, dei um salto do banco, um jeito nos cabelos, um batom nos lábios e lembrei-me de colocar no rosto o mais doce sorriso que sabia dar.

Desta vez não desceram senhoras, senhoritas ou senhores.

Muitas crianças fazendo algazarra, desenhando gestos rápidos no ar.

Esperei até o último passageiro e nada de você.

Será que me enganei na data, no mês?

Será que aconteceu algo a você que não sei?

Será que no meio da viagem você desceu erroneamente em outra cidade?

Ou será que você desistiu…

As interrogações eram tantas que, para que não me atrapalhassem os passos, foi necessário guardá-las nos bolsos de fora e de dentro do casaco.

As que sobraram guardei-as na bolsa e em meu coração só couberam as reticências.

À noite pensei em dar uma corrida até uma cabine telefônica para ligar para sua casa, mas além de correr novo risco de você chegar e não me encontrar era quase certo que ninguém atenderia.

 

No quarto dia desisti.

Já não me sobravam energias, nem alegrias e nem esperanças.

Mas mesmo assim passei pelo correio para, quem sabe, pegar algum telegrama.

Nada.

Cheguei em casa e, de cansada, deitei no sofá e adormeci de roupa e tudo, e tudo significa de sapatos também, como dormem os mortos.

Depois de despertar meio assustada, tomei um banho demorado como quem lava mais uma vez a alma e resolvi escrever para você, querido meu.

 

Nesta altura dos acontecimentos, já não sei mais se gostaria de ter notícias.

Amanhã levarei meu casaco na lavanderia e quem sabe, por acaso, dê uma passada no ponto de ônibus.

Quem sabe no correio também.

Quem sabe.

Quem sabe eu vá embora, assim como fez você, mas não para tentar encontrá-lo e sim, para continuar a viver, visto que o que me resta é apenas a vida.

Mando-lhe um beijo que já não é mais saudoso; apenas um beijo, querido, que acho que também não posso mais chamá-lo de querido meu.

Mandei o garoto levar seu guarda chuva e deixar lá no ponto do ônibus.

Talvez, caso você venha, possa estar chovendo.

E depois de ler esta carta, na sua vida também.

 

   

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Recado

Já pela manhã, Helena providenciara todo o necessário para que a festa se tornasse inesquecível.

Cuidou de detalhes que antes não houvera notado, mas que lhe davam prazer.

E entre flores raras e taças de cristal confirmou, mais uma vez, que toda aquela expectativa resumia-se em um único nome: Alexandre.

Amava-o, é verdade.

Amava-o com tanto querer que até doía.

Sentiu, logo que  despertou em uma longa espreguiçada, que aquele dia seria muito especial.

Correu para o espelho e viu em seus lábios um meio sorriso, outra meia surpresa no olhar, onde repousado estava um brilho estranho.

O coração apertou-se-lhe e não compreendeu a razão, mas não deu tanta importância, voltada que estava às tarefas ainda por cumprir.

Já noite, linda, parecendo uma fada levitando ao luar, dirigiu-se ao grande salão com uma vontade louca de rodopiar com seu amado, até que o sol raiasse por detrás daquela serra.

Por certo trocariam juras de amor, carícias, sussurros, desejos.

Enquanto subia os degraus da escada principal, um rouxinol repentino pousou em seu ombro e disse-lhe baixinho no ouvido que trazia um recado muito importante, Se abraçar Alexandre, ele será petrificado para sempre.

Soluçando e morrendo aos poucos, entrou escondida no salão, com a intenção de ver, pela última vez, seu amor.

Mesmo que de longe.

Mesmo que despercebida, escondida por detrás dos pilares, das cortinas, do medo.

Apenas para vê-lo sorrindo e guardar essa imagem em seu trêmulo  coração.

Depois partiria imperceptível, para que ele pudesse viver.

Enquanto assim pensava e com a visão turvada o procurava, não se apercebeu de alguém que chegava de mansinho e, num ímpeto, puxou-a para o meio do salão.

Vamos dançar minha bela Helena? foi o que teve tempo de ouvir seu Alexandre dizer.

Antes que ficassem petrificados, um nos braços do outro.

Para sempre.

 

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Lucidez

 

 

Tu não sabes o quanto escuto

quando não dizes nada…

tu és o rosto

que  habita minha alma

e no entanto

sei que precisas de mim

 

Mas nunca te esqueças que

embora perdida em teus olhos

envolvida por teus gestos

sou apenas uma mulher

diante de um homem

 

 

 

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